Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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29 de ago de 2008

Freud Explica?

A igreja católica romana continua sua cruzada: controlar a vida de seus adeptos. Exercendo costumeira pressão sobre as instituições políticas dos países onde é religião oficial a igreja determina quais atos são passíveis de inclusão no temido "index" católico... Influente desde sempre em todas as camadas da sociedade brasileira a igreja volta suas baterias para o congresso na tentativa desesperada de impedir a aprovação da lei que autorizará o aborto de fetos anencéfalos - sem cérebro.
Seus representantes, munidos dum discurso subjetivo, composto de frases de efeito por vezes incoerentes, apelativo e contraditório, insistem na manutenção do que definem como "direito à vida" a qualquer preço, em detrimento da saúde da mulher ou mesmo da condição da família e do feto natimorto. A intolerância encontra respaldo na tradição católica: manter controle absoluto sobre os fiéis, com maior rigidez no caso dos seres tidos para eles na conta de subalternos: as mulheres. Submetidas ao homem desde o antanho dos capítulos do gênese, aos olhos da igreja católica romana as mulheres continuam sem o direito absoluto sobre o destino de seus corpos e dos fetos gerados e nutridos dentro deles. Sob ameaças de excomunhão, o réprobo eclesiástico, a igreja mantém a proibição às mulheres da prática do aborto sob quaisquer circunstâncias...
No decurso da história, esta mesma igreja defensora ferrenha da vida intra-uterina governava o mundo ao lado e acima de seus reis vassalos, indefesos diante de seu terrível instrumento: a confissão. Acima do bem e do mal usava a igreja métodos pouco ortodoxos para obter vantagens pecuniárias ou políticas, tais como: tortura, sedição, simonia, venda de indulgências prometendo perdão para os pecadores mortos, escravagismo, chantagem, entre outras maquinações & trambiques que precipitaram a revolta de Lutero e a reforma. Desde o advento de Agostinho - canalha que se tornou santo, a coisa não está boa para o lado das mulheres. Agostinho vivente na Roma do ano 380 era um neurótico que após gerar um filho (Adeodato - presente para Deus) com uma escrava a conselho de sua "mamã" santa Mônica despediu-a e ao filho para desposar uma patrícia ricaça. Todavia algo estava fora de ordem e Agostinho virou o fio. Divorciou-se da segunda mulher e iniciou sua pregação fanática a favor da castidade, satanizando o sexo, e, colocando a instituição do casamento sob suspeição de pecado. Conforme Agostinho sexo é só para reprodução, gozar não pode. Os "enrustidos" seguiram os passos de Agostinho e no século XV a igreja instituiu a obrigatoriedade do celibato para seus membros (péssimo trocadilho).
Toda essa ronha desembocou na bisbilhotice e interferência da igreja na vida dos casais, bem como o desenvolvimento de relações politicamente promíscuas entre si e os estados nos quais está presente como religião oficial.
O único comentário possível da parte deste um anarco-comunista sobre tudo isto é o seguinte: Tratemos esta instituição conservadora, caduca, como um pesadelo recorrente desde a infância. Se não conseguirmos nos livrar dele apelemos a Sigmund. Pois já cantava de modo sábio um compositor popular brasileiro amigo meu: "- Freud explica!"
P.S Para aprofundar o assunto recomendo a leitura de EUNUCOS EM NOME DE DEUS da escritora alemã Uta Ranke Heinemann. Uma das maiores teólogas do mundo ela expõe como a igreja impos ao mundo suas idéias distorcidas sobre sexualidade humana.

28 de ago de 2008

Uma questão de espaço & charme

Os homens, criaturas broncas cujo cérebro atenta à geometria do espaço: profundidade, distância, estimativas de ângulo e velocidade, são restritos por natureza à essa especialidade. As mulheres por sua vez, desenvolveram a notável capacidade de realizarem dez tarefas ao mesmo tempo. Uma mulher com um filho nos braços é capaz de cozinhar, falar ao telefone, atender a porta, ler artigos em revistas e jornais e tudo isso pensando nos compromissos do dia... Amigos, confrades & vizinhos, não sou machista. Acredito na superioridade psicológica da mulher. Disposto a debater com uma delas qualquer homem de vulto se prova um gago. Grandes oradores não se atreveriam. Cícero, Sêneca, Demóstenes, Sócrates inventor da maiêutica (e da dialética junto a Heráclito - mais tarde reformulada de acordo com a ideologia Marxista), não levariam a menor vantagem numa discussão com a mais humilde e ignóbil das carpideiras. A razão disso é óbvia: o calculismo dos homens não resiste à fé. As mulheres mesmo quando não têm certeza do que falam, ainda que em falta da coerência no discurso são totalmente imbuídas de fé. Acreditam sempre terem razão por mais fraco que seja o argumento. A natureza fê-las assim. Enquanto o homem ia à caça e à guerra a mulher ficava quando muito atrás das linhas do front, ou no roldão do campo de caça ocupando-se dos abatidos. Matraqueando entre si. Elas inventaram o discurso, certamente. A linguagem, o convívio social, provavelmente a medicina, agricultura, tecelagem. Todavia, os homens promoveram o sustento, a base para o surgimento dessas especialidades. Só num detalhe os dois sexos não podem ser equiparados, o golpe decisivo que faz a balança pender para o lado das mulheres é o seguinte: o bel-sexo abusa da chantagem sentimental. Uma mulher dengoisa, embora seu jogo de cena seja manjado invariavelmente consegue arrancar tudo quanto deseja de um homem apaixonado.

22 de ago de 2008

Grandes esperanças




...As bergamoteiras estão florindo agora. A primavera dá provas de que neste mundo as coisas ainda não chegaram a um ponto sem retorno para a natureza. Pensar assim parece tolo nos dias de hoje. Quando o desejo é saber quais são os próximos avanços da tecnologia. As bergamoteiras do quintal da casa de minha mãe, alheias a transgenia ignoram solenemente quaisquer pontos de vista alheios ao ritmo natural da vida.
Tenho sido acusado de muitas coisas. De ser egoísta e mesquinho. Indisciplinado e maledicente. Não sei quanta verdade há nessas acusações. Talvez haja verdade absoluta, afinal. Sob o ponto de vista do outro, na ótica do próximo, a imagem tida por nós mesmos como a certa atravessa prismas diferentes. É bem provável terem os outros uma visão mais precisa de nós mesmos. Nós sofremos do mal da auto-estima exagerada; o egocentrismo ou narcisismo. Portanto, sempre tendemos condescendência para com todos os nossos defeitos; graves ou não. Estou aprendendo, todavia. Aprendendo que o desejo, como falava o Gautama é a mola da desarmonia. E ele impera sem freios. O desejo ávido por coisas. Metas, realizações pessoais. Aprendo o quanto é execrável evitar tornar o olhar sobre o outro. E quanto pesa compadecer-se dele. Por ser tal procedimento algo estranho aos dias presentes. E aos dias desde sempre. Eu. Tido na conta de um qualquer, um reles – por certo sou um qualquer no sentido de não ser mais nem melhor do que nenhum outro homem comum. Eu me entristeço. Só me entristeço... E buscaria refúgio no isolamento não fosse tal coisa um ato covarde. Os homens estão à procura de si mesmos lá fora. Eu me encontrei aqui dentro de mim. Nas deficiências de um ego imaturo – que é ser maduro afinal? Se for ouvir a razão, se for ser sensato, se for controlar a ira, então não sou tão verde assim. Mas, é essa a imagem cultivada por mim, e ela pode estar errada à vista do outro. O outro existe e está atento. Talvez por ser tão mais sábio, experiente e nobre, ele, ao contrário de mim seja incapaz de abdicar das coisas mais caras. Eu abdico em favor do outro. Não por altruísmo. Não por covardia. Justo o contrário. Por me sentir cansado de martelar diariamente o tresmalho das minhas aflições. E elas são tantas. Tantas. Sendo o outro, o próximo, invariavelmente, o alvo da minha preocupação. Entretanto, não sou douto em coisa nenhuma. Não sou estudioso das necessidades do povo, como uns e outros fariseus. Religiosos, portanto políticos. Políticos, portanto abutres. Abutres, e, por conseguinte carniceiros que afundam os bicos aduncos na carne morta e pútrida da "res publica". A coisa pública que não é de ninguém quando a responsabilidade chama e exige. A coisa que é de todo mundo no momento próximo a se obter alguma, pequena que seja vantagem. A honra, e ao prestígio eu abdico em favor do outro. Sem susto. Embora seja consciente de que escrever este artigo seja um ato de grande vaidade.
Mas não é a mesma vaidade que levou Teresa de Calcutá a arrecadar fundos para os pobres da Índia. E os fundos arrecadados em vez de se transformarem em hospitais, escolas e creches desabrocharam no milagroso surgimento de conventos e outras inutilidades. Minha vaidade grita de dentro da sua tumba. A sua sepultura é nada menos que a consciência das necessidades do outro. Não por altruísmo, mas por pudor. Vergonha de enxergar meu semelhante degradado. Vergonha de vê-lo exercitar a paciência ou a aflição diária da miséria. Senhoras e senhores, isto aqui não é a Índia. Nem sou Mahatma Ghandi. Pelo menos ainda não é a Índia, nem o Haiti como cantam Gil e Caetano. Mas os pretos, os mulatos, os pardos e os brancos que são todos pobres e de tão pobres todos pretos, continuam levando porrada. E vão continuar levando porrada, porque são pretos, pardos, mulatos e brancos; e tão pobres. E eu vou continuar me incomodando com isso meus senhores. Até chegar o dia quando nada mais importará. Por obra da derrocada ou, quem sabe? D'uma mudança nos ventos da história fazendo com que nos tornemos mais civilizados. Como as formigas...
Convivendo bem com as formigas que pastoreiam seus rebanhos de pulgões sobre as suas folhas, as bergamoteiras estão sonhando já com a madureza dos frutos que rebentaram. Alheias a minha gula por eles elas aceitam com prazer o sobrevir do sol e da chuva com igual satisfação. Entretanto, como homem comum. Como cidadão e pessoa habitante deste mundo eu não encontro a mesma satisfação nas coisas que vejo. Rogo para que numa outra primavera tudo possa estar melhor. Afinal, como homem comum, a exemplo do personagem do mestre Charles Dickens eu tenho grandes esperanças.



20 de ago de 2008

Esboço

Uma amiga me emprestou para que eu copiasse, um 'CD Demo' que gravei em 1999 com algumas canções minhas com alguns parceiros, muito me agradou revisitar estas canções, mais do que ouvir as gravações que realmente deixam muito a desejar, mas o que mais me agradou foi reencontrar o 'poeminha' que apresenta o CD. Segue o mesmo:


In precisada sopa, inviabilizante do aviamento das letrinahs no receituário da improvisação dos retalhos na colchidéia egrégorandidéias outras de outros tantas influêncidéopasto (plagidéia?) reflepetidàs avessas em cacos d'espelhos vagos em raras baforadas de fumegante caldo febril (lanchinho antropofágico) ado(l)escendo entre fungos no porão da consciência inferior ("baixo ventre sem número, beco do enxofro") onde poetas alguns presentes e loucos e médiuns e monstros e médicos e outros e faunos e ninfas e giras de exús e outros e heterônimos e outros e eus e outras e tantas inidonidéias revolvidas devidas idas e vindas, temperam (argh-doce?) requentam (recontam?) remexem (remixam?) a sopa da mosca (de letrinhas "no buxo do analfabeto") meu minhas aparentemente desconsecticut adas na refração dos igredieuntes ainda que no efervescente caldeirão costura-sopa surpreendente mente coerente concha de retalhos (roupa de letrinhas) na confusão de distintos e na imperfeição do hábito que se diz curso da praxis na teoria do método da alegria na tristeza até que a sorte nos repare o esboço.

Este textículo se encontra abaixo do CD, sendo visualizado apenas quando o mesmo é retirado da embalagem, CD este que se não tem grande valor pela qualidade, adquire algum pela raridade, foram feitas menos de 100 cópias, e eu mesmo não possuo uma. Algumas canções estão disponíveis para audição no player, sendo facilmente identificadas pela quantidade de 'efeitos' nas gravações. Espero que James Joyce e Aroldo de Campos não dêem voltas no túmulo ao lerem isto hehe!!!

19 de ago de 2008

Infortunio e Evolução

Eventualmente nos frustramos com fatos que ocorrem em nossas vidas e mesmo com eventos alheios a nós, mas que nos dizem respeito em algum nível (escrevo isto durante o jogo Brasil 0 x 3 Argentina). Quando tudo dá certo costumamos nos acomodar, creditando o sucesso mais aos nossos supostos méritos do que às circunstâncias, estagnamos no estágio alcançado, e nos enchemos de soberba, nos julgando imbatíveis. Enquanto esse "sucesso" perdurar, não nos movimentaremos em direção alguma (time que está ganhando não se mexe) e estaremos sem perceber nos colocando em oposição à natureza da vida, onde tudo evolui constantemente. Se faz necessário nessa hora, que ventos contrários nos chacoalhem e nos mostrem a necessidade de estar em constante transformação, e a sábia natureza felizmente providencia estes ventos com o objetivo de nos oportunizar novas chances de aprimoramento. Infelizmente enquanto navegamos com as velas infladas pelos ventos de popa, costumamos esquecer de preparar os humores, as cordas, as velas, para possíveis intempéries do tempo, o que ocasionalmente nos traz estragos maiores e, conseqüentemente, nos exige maiores esforços para restaurar nossa nave e colocá-la novamente em movimento. Penso que o jargão que diz que devemos aprender com os erros é mais oportuno que o que diz que em time que está ganhando não se mexe, porém precisamos aprender constantemente, nos adiantando aos erros, minimizando suas possibilidades, atentos aos sinais do tempo, adivinhamos a vontade dos ventos e navegamos sempre com vento a favor. Somos por natureza orgulhosos e arrogantes, nos apegamos às nossas idéias e projetos, lutamos insistentemente para realizar o que planejamos, normalmente sem a flexibilidade que nos permitiria adaptar nosso planos às condições externas. É difícil para nossos egos, admitir que erramos, é hábito buscarmos causas externas para os infortúnios, nos eximindo das culpas (palavra feia) e atraindo mais infortúnios, desperdiçando oportunidades preciosas de transformação. Por fim, ao refletir acerca desse assunto, concluo que a boa ventura nem sempre é boa, pode ser enganosa, e que as intempéries sim, são aliadas, os ventos contrários aos nossos planos de navegação, talvez sejam aliados, tentando nos mostrar a direção correta, é uma pena que enquanto lutamos contra os ventos "desfavoráveis", nos desgastamos, quebramos mastros, e retardamos ainda mais a chegada ao objetivo que desconhecemos. Quem sabe os ventos que nos afastam do caminho das Índias nos levem a descobrir o Brasil...

13 de ago de 2008

www.abocadobeco.blogspot.com



Diego%20SilvaQuantcast

É SEM Q-SUCO

Não adianta nada. Não é possível aliviar mesmo. Depois de colocarem uma menina mais formosinha (meninas na China são abandonadas aos montes em orfanatos que lembram os filmes da série Hellraiser - há matéria sobre isso no globo repórter de 2002 se não me engano) dublando a dentucinha dona da voz da canção no dia da abertura, o país dos pandas - Mao Tse Tung era um panda disfarçado de troglodita, se embrenha noutras pixotadas. Na ordem:
1) Atentados espocam na província de Si Chu Han (desconheço a grafia correta) que fala um dialeto quirguiz; mesma língua do cazaquistão. A região inteira treme como gelatina.
2) As autoridades restringem acesso básico da imprensa. Quando aconteceu um grave acidente com um acrobata francês Florian Januel que ao cair fraturou a vértebra toráxica e corre o risco de ficar paraplégico. Internado no hospital militar 301 em Beijing - ou Pequim, como queiram, ninguém sabe nada de seu estado de saúde há mais de 40 horas.
3) Continua a censura a sites da internet. Além do que os leões-de-chácara chineses impedem livre acesso dos repórteres as delegações de atletas dentro de vila olímpíca.
Isso é que dá um país totalitário se meter numa empreitada dessas. Não bastasse as bugingangas que vedem a preço baixo pro mundo inteiro, os chineses querem passar a imagem de país rico, cujo crescimento está assegurado. O que se assegura nos próximos vinte anos na China é uma guerra civil por comida e água potável. O que está assegurado é a contra-revolução, aliás não se pode chamar assim a revolta a seguir, pois nunca houve uma revolução socialista na China. Só que vender a idéia para o resto do mundo de ser uma potência mundial custa caro. A China não tem cacife a médio prazo (20, 30 anos) pra bancar esse jogo. Sem um parque tecnológico realmente de ponta. Carecendo de produtos básicos como alimentos, medicamentos etc. A China vive na ilusão de um crescimento sustentado por uma indústria ultrapassada e poluidora que na maior das vezes consegue exportar barato artigos que países como os Estados Unidos se recusam a fabricar por não haver compensação quanto ao custo-benefício. Assim a China supre a demanda das Américas (todo continente) por botões, pentes, chips de computador, chinelos, escovas, vassouras de nylon e é claro, seda. Produto remanescente do velho império que totalitaristas insistiram em produzir. Afinal, foi a seda nos primeiros anos da China independente que financiou as mordomias do pc chinês. Até mais...

Altruísmo

Aos amigos como meus parceiros e colaboradores Diego Silva (adorei o comentário e infelizmente não faço fé no meu Inter hoje) e Claudio Portella convido a remeterem contos, crônicas, ensaios & esculhambações em geral. Explico gente - este blog é uma espécie de repositário de artigos e textos que serão aproveitados no site desenvolvido pelos dissidentes do jornal VAIA (HEHEHEHE - é uma brincadeira não somos dissidentes, somos cabritos, ficamos em cima do muro, se o Fernando nos chama a gente vai lá colaborar no VAIA). O site se chamará PUNKADÃO. Aproposta é entreter falando a verdade, e mostrar que as coisas, por mais maquiadas continuam "cheirando mal". Por isso limito o acesso ao blog apenas aos "da diretoria". Abraço.
Senta que é de menta


Estou emaranhado num montão de fios, ou na falta deles, da tecnologia. Meti meu cacete num buraquinho e a glande saiu no Japão. O computador bateu o cachorro, é o melhor amigo do Homem. Linda continua fazendo arte, pelou a cabeça e pendurou um piercing no clitóris. A Bicha louca, amicíssima de Linda, se esparrama pela mídia. Dizem que a mídia é a imprensa marrom de outrora. Cuidado para não confundir a Bicha-louca- literária-da-mídia e a Louca da aldeia que não são a mesma pessoa. A da aldeia é o escritor comilão que não come ninguém. Vive de autofagia e de meter o pau em todo mundo, nada de literal. Dialogam e fingem que são inimigas. Uma não existe sem a outra. Dependem uma da outra para que seus textos façam sentindo. Uma dança Frevo. A outra faz pinta de iconoclasta limpando bem os óculos. Batem punheta uma na outra. Brecho pela fechadura e assopro: "Senta que é de menta!". Sentam malucas que é de menta. Senta, senta que é de menta!


Cláudio Portella – escritor; autor de Bingo! e Os Melhores Poemas de Patativa do Assaré . Seu trabalho figura em publicações e antologias no Brasil e exterior. clautella@ig.com.br

11 de ago de 2008

Fumaça pouca é bobagem

A IMAGEM É MAIS OU MENOS ASSIM MESMO. TREMIDA, DIFUSA, OPACA... VER A LUZ DO SOL NEM PENSAR. TALVEZ SOMENTE NA ORLA MARÍTIMA PERTO DE HONG KONG (FU) - LEMBREI DO DESENHO DO CACHORRINHO FAXINEIRO QUE SE TRANSFORMAVA NO ATRAPALHADO HERÓI HONG KONG FU. TODAVIA QUEM O SALVAVA DAS ENRASCADAS ERA UM GATO, SEU FIEL ESCUDEIRO O "CARA DE CHINA". MAS, COMO DIZIA ESSAS OLIMPÍADAS SÃO O HAMBIENTE IDEAL PRA OUTRA DUPLA DOS CARTOONS: OS CORVOS MALANDROS FAÍSCA E FUMAÇA. A DELEGAÇÃO BRASILEIRA BEIRANDO OS TREZENTOS ATLETAS(?) TERÁ NOVAMENTE DESEMPENHO PÍFIO. INCOMPETENTE. POIS É TERRÍVEL DE SE VER SUJEITAS E SUJEITOS MOLEIRÕES DISPUTANDO JOGOS DE CONTATO COMO HANDEBOL E BASQUETE. AH! E NA ANA MARIA BRAGA DE HOJE A JULIANA (DO VOLEI DE PRAIA, CONTUNDIDA), A MÃE DA JULIANA, A IRMÃ DA JULIANA O CACHORRRO E O PAPAGAIO FALARAM FALARAM E FALARAM SEM DIZER NADA. NÃO OUVI UMA ÚNICA VEZ DA BOCA DA JULIANA MENÇÃO À PÁTRIA. AO PAÍS QUE UM ATLETA DEVE REPRESENTAR NUMA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL. OUVI APENAS VERBOS CONJUGADOS NA PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR. AINDA QUE ACREDITE EM MARK TWAIN QUANDO ELE AFIRMA SER O PATRIOTISMO O ÚLTIMO REFÚGIO DO CANALHA, POSSO CRER QUE ESSA AFIRMAÇÃO SEJA RELATIVA À CIRCUNTÂNCIA. PARA OS APRECIADORES DA OLIMPÍADA DE BEIJING - QUE INSISTIMOS CHAMAR PEQUIM, EU CHAMO PASQUIM, RESTA DIZER: - UNAMOS NOSSAS VOZES NUM BRADO RETUMBANTE! DEIXA DE BESTEIRA BRASIL! VAI CUIDAR DA EDUCAÇÃO BRASIL SIL SIL SIL SIL!!!! ATÉ MAIS...

4 de ago de 2008

Secos & Molhados Parte I

Nos idos de setenta o velho Antonio Rodrigues , apelidado "Catimbau", estava cansado do ofício de vendeiro. Padrinho de minha mãe, Catimbau era um pernóstico. Vendeu o armazém bem sortido para um simplório, o bonachão Aldomiro, e, devido ao hábito de vender fiado Aldomiro em pouco tempo foi à bancarrota.
Catimbau, ou "pai velho" como eu o chamava, apreciava alguns seriados de tevê da época. Eu assistia com ele as atrações vespertinas na tevê gaúcha pela tela P&B do novíssimo televisor Telefunken. Tom Mix, Django, Os Patrulheiros, Rin Tin Tin e Viagem ao Fundo do Mar. Contudo, para minha infelicidade pai velho abominava comédias. Por isso quando as chamadas anunciavam Batman, Perdidos no espaço ou I Love Lucy como próximas atrações ele desligava a tevê.
Porém a maior paixão na vida de Antoninho Catimbau não eram os ingênuos seriados da época ou as extrações da loteria federal conferidas duas vezes ao dia de segunda a sábado às 14 e às 18 horas. Conforme permitisse a sinfonia de ruídos da estática nos alto-falantes do enorme rádio de mesa valvulado marca Telefunken - como a tevê. Posto sobre uma pequena cômoda entre as camas no quarto do casal. (Catimbau e a mulher Candoca dormiam há muitos anos em camas separadas). Então, como dizia sua maior obsessão não eram os seriados nem a loteria, mas o vício do carteado. Um jogo em particular: o pif-paf. Vez ou outra reunia alguns amigos, gente da redondeza, desocupados ou aposentados como ele e o joguinho a dinheiro (coisa micha pros velhinhos não suarem) se armava no amplo galpão nos fundos do terreno junto ao imenso e variado pomar. Pomar frequantado por mim com verdadeiro entusiamo e obstinação. De tanto gosto pelo pif-paf Catimbau, às vezes jogava sózinho. Quando lhe perguntavam com quem jogava, respondia bravo: "-Com o diabo!" Para escândalo da mulher, dona Candoca cujo nome era Enedina. Católica ortodoxa e beata, ao ouvir tal coisa se persignava, enquanto certamente lhe passava um calafrio...
A grande casa de alvenaria de frente para a avenida Bento Gonçalves tinha na parte contígua à calçada a peça onde funcionava o armazém. Esse cômdo foi posteriormente alugado e virou uma relojoaria. Por um profundo corredor lateral se chegava até a porta da sala da casa de pai velho. E, mais adiante até a janela da cozinha onde ele estabeleceu sua modesta "tenda". Mesmo tendo vendido o bolicho e se aposentado Catimbau continuou seus biscates. Anotando jogo de bicho e vendendo cigarros. Pela janela da cozinha ele alcançava suas mercadorias à clientela. O dinheiro era posto numa frasqueira de couro preto, posta sobre um aparador baixo ao lado da geladeira marca Figidaire... De confiança na casa muitas vezes fiz o troco para os fregueses de pai velho... Vez ou outra ganhava umas moedas e me3 sentia muito bem pago.

2 de ago de 2008

Dia de Todos os Santos

O filósofo, arqueiro, espadachim, dublê de escritor & macumbeiro "soft" Paulo Coelho llança mais um "missil literário - ou quase": "O Vencedor está só". Duzentos mil exemplares vendidos na arrancada. ETA NÓIS! Quase simultaneamente o jornalista Fernando Morais anuncia o lançamento da biografia de Paulo Coelho, livro intitulado de maneira bastante apropriada: "O Mago"... Paulo Coelho como pessoa pode até ser boa gente, um sujeito que me parece tímido, introvertido às vezes. Mas, quando se investe da persona do escritor a coisa toda degringola. Não sou leitor assíduo de Paulo Coelho, porém já li, à guisa de curiosidade O alquimista e Brida. E No único comentário possível sobre sua escrita é o seguinte: Uma literatura infantilóide, fraca quanto à criatividade. Uma escrita pavorosa, repleta de lugares comuns, colofões, sem falar nos adágios e provérbios reciclados. Temática mesmeira. Enfim, péssima. Por que vende tanto? Ora justamente por isso. Não é bagulho a coisa que mais se vende no mundo hoje em dia? Não é bagulho o produto que intoxica e rapidamente provoca dependência no usuário? Ninguém quer pensar - pensar cansa. Os burros morrem pensando, não dormindo.
(...) Mudando radicalmente de assunto. Quero informar a quem por acaso não saiba que ontem dia primeiro de agosto foi comemorado (por aqueles que conservam a tradição) o dia do MARACATU. O MARACATU se trata de uma dança dramática de origem afro-brasileira hoje sobrevivente nas tradições folclóricas de Pernambuco que remonta aos idos do século XVIII. Suas raízes, entretanto estão fincadas muito mais profundamente. O MARACATU segundo folcloristas como Mello Morais e Arthur Ramos originou-se de uma dança dramática muito mais antiga: O CUCUMBI ( a palavra Cucumbi vem do dialeto quimbundo e significa, festa da puberdade; sua origem é dada igualmente como vinda de "cucumbre": comida de preto). Essa dança dramática que originou o Maracatu e outras manifestações de natureza semelhante foi registrada por primeira vez na Bahia ainda no século XVI. Para aqueles curiosos que desejem se aprofundar no assunto eu recomendo a leitura dos seguiintes autores e suas respectivas obras: Flausino Rodrigues Vale - Elementos do Folclore brasileiro; Mario de Andrade - Danças Dramáticas do Brasil, tomos I, II e III. Coletânea organizada por sua ex-aluna também pesquisadora Oneyda Alvarenga; Arthur Ramos - O folclore Negro do Brasil ; Luis da Câmara Cascudo - Antologia do Folclore Brasileiro. Esses são apenas alguns dos autores e livros que podem servir para aprofundar os conhecimentos dos interessados pelo assunto. Ah! E antes de finalizar quero agradecer aos amigos Lima Trindade (escritor brasiliense radicado em Salvador) pela pesquisa realizada a meu pedido e ao compositor e professor de história camarada Giovanni Mesquita pela gentileza de mo ter emprestado valiosos livros. Não nos esqueçamos jamais da máxima de Voltaire: "Excistem dois tipos de idiotas: Os que emprestam livros, e os que os devolvem". Camarada Giovanni, calma, por favor, pois pertenço ao segundo tipo. (...)Té mais.