Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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31 de dez de 2009

RASTROS & TRALHAS



Estamos todos "amorosamente" comovidos após o natal. Estamos embevecidos e contentes com o sem número de bugigangas recebidas à guisa de presente natalino. Só isso. Mais nada. Porque o capitalismo, a desmedida sanha e obstinação ilógica do lucro sobre o lucro numa crescente exponencial ao infinito, não costuma refletir sobre os motivos, ou, indo mais adiante, sobre as reais necessidades de se consumir ou não determinados artigos. Supérfluos na sua maioria... Sendo assim, estimulados pelo consumo desenfreado e sem nenhuma espécie de regra normativa de forma a preservar recursos naturais e meio ambiente, vamos "carunchando" o planeta. E pouco se nos importa a consequência disso.

29 de dez de 2009

IMPRENSA MARRON GLACÊ!

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A imprensa cachoeirense no início do século XX, tal como hoje, agia de maneira sensacionalista e covarde. Sempre ao lado dos poderosos no intuito de auferir algum lucro ou se beneficiar da posição de seus patronos. Ao povo, raia miúda, tratava de espinafrar apontando-lhe o ridículo da vidinha turra. Nada além do que a busca constante e sem sucesso por parte do povo em galgar classe, status, melhorar de vida, frequentar a alta sociedade. Tal ambição só fazia com que os populares se tornassem ridículos aos olhos da classe média, embrionária no município nos idos de 1900. Voltando à imprensa local, nada mudou na realidade. Era vituperina, parcial, amadora & sensacionalista. Vivia do escândalo, do chiste e da anedota. Caricatura social que realizava sempre em desfavor daqueles menos aquinhoados.

Quando aludia à personagens ou episódios envolvendo gente preta, tratava de conferir ás notas e notícias um caráter picaresco. Ao mesmo tempo se esforçava em aplicar ao texto certo tom apaziguador emprestando muita vez á narrativa um notável sentimento paternal.
Dirigindo-se aos leitores, os colunistas tingiam com cores brandas o negror do preto tirando-o do contexto social no qual realmente estava inserido. Deslocando-o de sua realidade fosse para bem ou para mal, a tônica era o exagero. Fazendo com que o elemento negro ou mestiço parecesse, sob qualquer circunstância, à sua feição, um tipo ideal boçal e caricato. Porém, a verdade espelhada pela comunidade cachoeirense, vez ou outra era transcrita crua nas notas da seção policial. Onde elementos de cor, fossem pretos, índios ou mestiços (bugres e pardos), invariavelmente figuravam no papel de desocupados, arruaceiros, prostitutas, pichelingues. Desordeiros para com os quais a sociedade branca cachoeirense não demonstrava nenhuma tolerância nem reservava lugar. Outrossim, essa sociedade se divertia à custa dos acontecidos: bulhas, arruaças e estrepolias perpetrados por aquelas criaturas sem direito à classe social.
No tocante ao tratamento paradoxal deferido aos elementos de baixa classe, fossem pretos ou não. Tudo dependia da serventia que esse ou aquele grupo de pessoas de baixa extração social tivesse, e, sobretudo, quanta humildade demonstrasse no acatamento dos mandos de seus superiores. Assim sendo, os "beneméritos" que empregavam lavadeiras como Tia Comba louvavam suas qualidades pelo simples fato dela mostrar-se cordata, e receber em paga de seus préstimos a quantia que os patrões achassem adequada, sem reclamar. Exaltavam suas virtudes para que seu comportamento servisse de exemplo a outros negros, na sua grande maioria desajustados não subservientes aos patrões.
De outra sorte os jornalistas eram ávidos por alarido. Percorriam as ruas diuturnamente esperançosos de que os pretos e mestiços, de natureza inquieta, buliçosa, promovessem seus "banzés" e arruaças. Fatos que rendiam notícia e posterior comentário ensejando a resenha pública, o que garantia manter "quente" o assunto por alguns dias e assim vender mais jornal. Essa espécie de seriado noticioso atiçava a curiosidade a respeito das figuras de modos tão díspares que habitavam longe nas periferias do entorno da cidade.
Porém o costume de apadrinhamento exercido pelos "dignitários da cidade" para a sorte de alguns negros e mulatos, acabou por gerar cisão entre entre as camadas mais pobres da população. Pois, aqueles afortunados sob tutela das famílias ricas ou remediadas passaram a arrogar-se diferentes dos demais pobres. Acontecia, muitas vezes, de que o filho de uma empregada fosse tutelado e feito educar formalmente em bons colégios. Esses patrões investidos na figura de verdadeiros mecenas liberais tudo faziam a fim de demonstrar sua prodigiosa bondade para com os menos favorecidos. Todavia, os limites para essa benemerência eram estreitos. Bastava uma pequena falta, um leve aborrecimento provocando desgosto em alguém da família e o sonho do preto bem tratado desmoronava. A liberalidade de fachada da elite cachoeirense, no exercício pernóstico da sua hipocrisia velada, admitia lançar suas benesses só até onde a conveniência alcançasse.

20 de dez de 2009

BANGALAFUMENGA DE NATAL!

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Joshua, shalom! No ocidente dizem chegar a data de teu aniversário, a propósito, foi Gregório XIII quem decidiu isso; há tanto tempo. Todavia, poucos falam em ti amorosos, amistosamente. Em teu lugar figura um velho gordo de barbas e cabelos longos, brancos, metido em traje vermelho, luvas brancas, botas pretas e barrete encarnado. Esse é ansiosamente esperado. Para tua tristeza Joshua os vendilhões não se contentam em mercanciar a fé e a desgraça fora das paredes do templo, eles os invadiram. Aliás, tais vendilhões edificam seus próprios templos e falam em teu nome Joshua. Enquanto cá no ocidente, no dia de natal, todas as crianças aguardam ansiosas os presentes trazidos pelo velho metido em vestidos vermelhos chamado papai noel.

Joshua! Joshua Ben Yousef - filho do carpinteiro. Em comum contigo tenho pouco: Um quarto do antigo sangue castiço semita/negróide da casa de David, a pobreza material, o gosto pelo vinho e o amor pelos amigos... Hoje Joshua, ao olhar num retrato a suposta reprodução da tua face, fui tomado por estranheza. Vi naquela imagem (apesar do réprobo de teu pai) uma estampa diferente da dos homens de nosso povo amorenado pelo sol e pela mescla com os do deserto a sudoeste de tua Galiléia. No retrato me deparei com um jovem de longos cabelos loiros reticulados, olhos azuis, tez pálida e feições muito distintas das nossas. Não pude mesmo crer fosse fiel a tua imagem...

Joshua, meu amigo, às vezes me indago o motivo para tantos doutores em teologia negarem à tua mãe - esposa de teu pai Yousef, o carpinteiro, o direito à simples maternidade. Como se o ato de parir lha degradasse. Como se não pudesse ser esposa e mãe igual a tantas outras mulheres. Não compreendo Joshua omitirem a existência de teus irmãos, ou de tê-los convertido espertamente em "primos". Transformando teu pai num asceta, tua mãe em virgem, teus irmãos em "primos", tua esposa em "silêncio" ou em prostituta. Joshua! No dia do teu aniversário um homenzinho celibatário dito teu representante, coberto em púrpura e ouro, cuja cabeça ostenta a mitra do deus persa, ajoelha-se ante um altar suntuoso. Para, segundo ele próprio: orar pela humanidade, principalmente pelos mais necessitados no intuito de lhes confortar o espírito. Como poderia ser isso Joshua? Como esse homúnculo investido de poderes seculares falando desordenadamente em teu nome poderia levar alívio e conforto aos desvalidos sem seguir os teus passos, sem aproxirmar-se deles, sem tocá-los, sem amá-los sem compadecer-se a ponto de se entregar? Como poderia esse falso profeta seguir os teus passos se o fardo às suas costas é de ouro e prata pesados? Seria capaz esse homúnculo ridículo de seguir o teu conselho ao homem rico quando esse veio diante de ti, e, respondendo a sua pergunta disseste: "- Volta, vende tudo que tens e dá aos pobres, e haverás de ter um tesouro no céu!"

Não compreendo Joshua como tal homenzinho intitulado teu representante, metido em vestidos luxuosos não segue o preceito de seu mestre. Desconheço quais motivos levam a ele e seu colegiado principesco a justificarem a posse de tanta riqueza afirmando ser necessária a fim de poderem praticar a caridade. Não deveriam esses homens congregar o povo a fim de ajudarem-se mutuamente vivendo e trabalhando em comunhão? Do teu ensinamento não deveriam simplesmente dizer: "- Amai-vos!" (?)

Jamais ouvi da boca desse homenzinho e de seus predecessores palavras claras em favor do povo. Tão somente exortações ao dever, à obediência às leis da igreja (cânone), ameaças, prescrições aos casais sobre títulos absurdos como se ainda vigisse o tempo da inquisição quando podiam esses homens mandar ao fogo quem quisessem.

Perdoa-me amigo! Não pretendo amuar-te no teu aniversário. Quem sabe? Algum dia a maioria dos homens, mesmo os descrentes como eu (e seja vergonha para os crentes um ateu dizer tais coisas) se recordem de comemorar contigo ao invés de esperarem a vinda do papai noel!

17 de dez de 2009

A MÁFIA DO INTELECTO & A POLÍTICA ARRUINADA

salvaterrademagos.oxl.pt


Os bacaninhas das letras & canções "chanson d'amour! Nest pas?" nem se abalam, ninguém chia. Os caras lá farreando. Fodendo: a paciência, a saúde, a educação - passinho à frente faz favor! Grana dentro da cueca. A oração do bom ladrão: "Senhor agradecemos a propina nossa de cada dia!" E nós nem berramos. Se berramos é baixinho. Bons cabritos não berram nem na iminência de um último suspiro quando se nos dependuram de cabeça para baixo e a lâmina afiada abre talho rubro em nosso pescoço. Mas a intelectualidade, senhoras e senhores meus vizinhos, a intelectualidade mui esperta e oportunista neste país de coronéis e rancheiros com panca de liberais, a "intelectalidade" teima nesse pós revolução cultural a distanciar-se do povão. Nada de protesto, nada de esclarecimento, nada de condenação usando a verve justa e regular dos prosódicos metidos em sabenças várias contra desmandos e desgovernos da elite que os apadrinha. Contra o escandaloso FORO PRIVILEGIADO que defende da justiça comum os LADRÕES GRAÚDOS, os larápios encastanhados em mandatos comprados. Senhoras e senhores a intelectualidade brasileira é cafetina do povo. Pornográfica. Nojenta e pouco, pouquíssimo confiável...

13 de dez de 2009

EU FIZ UM DROPS DE HORTELÃ...


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PORRA ME LEMBREI DA MÚSICA DO OSWALDO MONTENEGRO - CARA CHATO PRA CACETE, COM MUSIQUINHAS TEATRAIS CHATAS - EXPLICO: TODA MÚSICA SEM FORÇA, SEM IMPACTO, SEM PRESENÇA DE "ESPÍRITO" É MUITO CHATA. MAS A TAL MÚSICA FALAVA NO DROPS DE HORTELÃ QUE ELE HAVIA FEITO PRA: "ATIRAR NO PORÉM" DA FRASE QUE NUNCA FEZ, SEJA LÁ QUE MERDA ISSO QUEIRA DIZER. PROVAVELMENTE NADA PORQUE ESSA GENTE QUE SE SUPERESTIMA NÃO TEM PORRA NEHUMA PRA DIZER DE INTERESSANTE OU NOVO...
MAS SEGUINDO COM OS "DROPS", DURANTE UMA DISCUSSÃO UM CASAL SE MUNE DO SEGUINTE ARGUMENTO PARA ATACAR UM AO OUTRO: - TU ÉS IMATURO(A). A PIADA RESIDE NO SEGUINTE FATO: POR TRATAR-SE DE UM CASAL APAIXONADO MATURIDADE NÃO É EXATAMENTE O FORTE DE NEHUM DELES. NÃO INTERESSA SE TEM 15, 20 OU 80 ANOS. A PAIXÃO É UMA ONDA TSUNAMI NEUROQUÍMICA QUE AVASSALA QUALQUER POSSIBILIDADE DE ALGUÉM VIR A ESBOÇAR, EM MOMENTOS DE EXALTAÇÃO, ALGUM SINAL, MÍNIMO QUE SEJA DE MADUREZA, TEMPERANÇA E AUTOCONTROLE. ENDORFINA, ADRENALINA, TESTOSTERONA, EPINEFRINA - UM COQUETEL BEM REFORÇADO DESSAS E MAIS ALGUMAS SUBSTÂNCIAS DÃO CABO DA RAZOABILIDADE DOS BICHOS HUMANOS EM POUCOS SEGUNDOS E AÍ MEUS AMIGUINHOS É ÁGUA MORRO ABAIXO E FOGO MORRO ACIMA!
QUEREM UMA COISA MAIS PERIGOSA QUE PAIXÃO DESENFREADA? FÁCIL: O FORO PRIVILEGIADO. POLÍTICOS LADRÕES DO PARAÍSO CHAMADO BRASIL ALIVIAM TODOS OS ANOS OS COFRES PÚBLICOS EM "ZILHÕES" DE REAIS E ATÉ HOJE NÃO SEI DE NENHUM PUNIDO POR ROUBAR A PÁTRIA, AO POVO, AOS OTÁRIOS PLANTONISTAS & CORDEIRINHOS PAGADORES DE IMPOSTOS ESCORCHANTES. QUEM É QUE PODE MUDAR ESSA HISTÓRIA ANTIGA? NÓS - E AFIRMO, HÁ VÁRIOS MEIOS. ALGUNS BEM DIVERTIDOS. FUI.

9 de dez de 2009

TUDO É RELATIVO; OU NÃO??

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Já rezava a lei do sábio Albert Einstein: Tudo é relativo... Pois sim. Contrária á razoabilidade muitas vezes as populações de áreas isoladas se comportam contra o que pode ser considerado inteligente e ponderado. Temos dois exemplos dessa falta de bom senso: Em São Paulo, como havia acontecido em Santa Catarina pesoas constroem suas casas em barrancos e encostas sem vegetação, que, com o advento de chuvas deslizam, desbarrancam levando por diante muros e construções, causando a perda de vidas humanas. Por que constroem em locais assim? Por não haver alternativa? Sempre há alternativa. Constroem em locais assim por teimosia, por não atentarem para os detalhes. Por não se importarem em nada com a condição do local, ou a natureza que devastam para erguer suas casas. Que se danem. Não tenho nenhuma compaixão por gente ratoneira e imbecil. Moro num lugar onde há comunidades pobres. Nunca se anotou um único desmoronamento de um barraco por conta de deslizamento de encostas. Sabem por que? Porque as pessoas atentam para os detalhes. Constroem suas casinhas sobre solo firme, rochoso. Ou mesmo sobre outro tipo de solo, argiloso mas estável. Justamente pela propriedade desse tipo de terreno de ser quase livre de deslizamentos. Outro exemplo onde seria passível aplicar-se a justiça do grande Salomão, filho de Davi é o seguinte: Na Amazõnia a polícia Federal apreendeu oito caminhões de madeireiros ilegais transportando toras de mogno extraídas ilegalmente. A reação dos populares de comunidades próximas foi colocar fogo nos peneus dos carros da polícia. A retaliação justa proposta por mim seria a seguinte: Liberar os caminhões de madeira. Trazer gente com máquinas para derrubar todas a floresta em volta das comunidades que desejam a permanência das madeirreiras ilegais. Cercar essas comunidades impedindo aos moradores se deslocarem dali depois da terra se encontrar esgotada, e obrigá-los a sobreviver no terreno devastado - o que provavelmente não conseguiriam vindo morrer à mingua. Às vezes penso seriamente se todas as pessoas que nascem sobre este mundo tem direito a desrutar da natureza sem a menor responsabilidade?

7 de dez de 2009

O HOMEM E A MONTANHA


Fisicamente é impossível ao homem equiparar-se à montanha. Por si mesma a montanha é impávida, e essa qualidade da montanha a distingue do homem. Embora os agentes naturais desgastem, no correr dos milênios, sua carne pedregosa, e, vento, chuva, neve e granizo vão aos poucos desbastando a rocha, a montanha permanece inabalável. Entretanto, numa única coisa o homem, de frágil constituição corpórea supera em muito a poderosa montanha.

Neste ponto todos se voltam para o escoadouro óbvio onde este pequeno exercício desemboca naturalmente. Previsível, a conclusão, o desfecho deste texto seria, caso o produzisse um zoilo, quiçá auto intitulado mago, versado no banal lugar comum, o estrume que dá dinheiro. Depois do intróito, do "nariz de cêra" enorme - maior que a carranca do palhaço! Vem o desfecho. Entretanto, fugindo às obviedades mecânicas & ramerrões repetidos ad infinitum por eruditos de almanaque, digo a vocês: Não é o ato de pensar a qualidade diferencial entre o homem e a montanha, tampouco o fato de estar vivo torna o homem superior ao acidente geográfico inanimado: "Je pense, donc je sui!" (René Descartes). Nada disso. De certa forma poderíamos elocubrar pensando na montanha como abrigo de seres viventes e como tal em parte viva. Fosse ela consciente quiçá experimentasse, sob os milhões de toneladas de seu corpo "cataclísmico" um proceso metabólico e de pensar tão lento. Chegando mesmo a não notar nossa existência, e a perceber o passar do tempo alheia às fases da lua ou ao correr da Terra ao redor do Sol. Mas essa ainda não seria a desigualdade crucial entre a montanha e o homem. Tampouco a potência latente no homem para inventar a transcendência, e assim fingir para si mesmo ser possível alcançar vitória e sublimação ante o horror da morte. A morte tampouco o torna diferente da passiva montanha. O que os torna díspares é tão somente a capacidade humana para escolher como e quando será seu próprio fim, bem como decidir como se dará o fim a montanha.

6 de dez de 2009

OS PEIDOS DE MAO TSE-TUNG!


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[...] assisto televisão, tal e qual a juventude analfabeta funcional (digital) deste Brasil varonil lê (?) oss livros indicados pelos seus professores de literatura. Isto é:pulo canais intertemitentemente como eles pulam capítulos. Todavia há uma diferença básica para com o modo pelo qual assisto tevê: eu não espero nem desejo fixar nenhuma informação. Não tenho necessidade dessa fonte para nada. Já nossos caros (nem tão caros) educandos, que recebem do poder público baixíssima oferta de ensino no quesito qualidade. Não desejam absorver nenhuma informação. Pertencem à geração hig tech que nasce esperta, sabe tudo, se chapa & curte, e morre de modo violento - e eu não ligo a mínima pra esses tais. Porém me importo com os que, dentre essa malta pensam e agem diferente. Para os quais os mesmos professores inábeis querem muita vez impor uma literatura chinfrim com a qual eles não tenham nenhuma possibilidade de identificação. Juntando isso à falta de costume, o iletramento dos pais, não exatamente significando analfabetismo, mas um desinteresse generalizado e incapacidade de compreensão de textos de natureza literária temos em perspectiva uma hecatombe. [...] assisto televisão peidando em intervalos de três ou quatro minutos: Peido comercial. Constatando que o ruído e a duração de cada flatulência é diferente. Todavia o cheiro desagradável é sempre omesmo. Do mesmo modo procede a televisão aberta no Brasil. Peido após peido. Com sons: alturas e timbres diferentes, mas de cheiro igual. Prafrasenado o grotesco e iletrado Mao Tse-Tung num discurso ao politburo soviético: "Se vocês precisam peidar, peidem! Vocês se sentirão muito melhor depois disso!" O velho Mao certemente entendia muito de peidos e cagalhões. Na China camponesa, até hoje adubam campos com excremento humano. Contudo, mais insuportável do que os peidos do honorável Mao é constatar a bandalheira da maioria dos veículos de comunicação brasileiros. Cujo propósito, firmado na constituição são:

* Informar;

*Educar;

*Prestar serviços de ordem pública.

Só pra citar três obrigações dos veículos de comunicação beneficiados pela concessão pública, coisa descumprida pela maioria dos canais, excetuando-se as tevês públicas sem fim comercial e a Bandeirantes que destina cerca de 25% da sua programação a programas informativos e formadores de opinião. O restante das redes de tevê brasileiras com sinal aberto simplesmente não cumprem as exigências do órgão regulador do ministério sei lá o que, que não faz cumprir porra nenhuma.

3 de dez de 2009

BREJEIRADA INTELECTUAL


Outro dia um amigo, ótimo escritor falou-me de uma coisa preocupante em relação aos escritores nacionais: "- Os prosadores, contistas, cronistas, romancistas, com raras exceções não sabem mais como narrar de forma escorreita e saborosa suas estórias. A moda agora, de uns anos pra cá, é buscar a originalidade, não pela forma, mas pelo efeito. Essa gente nem pode mais ser chamada de escritor, são quase "pintores", a meta deles é o efeito impressionista". Pois essa verdade inconteste campeia nos textos de centenas de escrivinhadores brasileiros. Perderam a mão - lembrem de Rubem Braga. Perderam o tino, o jeito - lembrem Jorge Amado. Perderam a vergonha - recordem de Autram Dourado, Mário de Andrade, Simões Lopes Neto e Érico Veríssimo. Sem falar em Machado de Assis - não quero humilhar ninguém. Mas é isso. Salvo raros poetas e prosadores de talento dentre os quais destaco Marcelino Freire, Lima Trindade, Sandro Ornellas, Cláudio Portella, Leandro Dóro, Carpinejar, Miguel Sanches Neto, Ronaldo Cagiano... A selva literária brasileira está vazia de feras. Há só um Bem Te Vi aqui outro acolá. Porque a cambada que se dedica às letras despereza ao leitor, em verdade sua missão é agradar a crítica. Crítica essa composta, em grande parte, por "achistas" & "rola-bostas" para quem literatura, para ser original necessita da surpresa e do ineditismo sempre. É a famosa fase da literatura "kinder-ovo", vem sempre com uma surpresa, na maior parte das vezes desagradável.

Vou sugerir a meu amigo Fernando Ramos editor do Jornal VAIA, que organiza para breve o segundo festival de Literatura de Porto Alegre levar aos escritores convidados esse tema. A perda da narrativa em prol do efeito. O desprezo da forma e do conteúdo pelo experimentalismo franco atirador. Que não diz nada. Por quê simplismente esgotaram-se as possibilidades de novidade? Penso que não. Pode-se contar e recontar uma história infinitamente e de modo diferente a cada vez. Os temas, as peixões e desventuras humanas sempre serão as mesmas. Todavia o talento de cada escritor nem sempre está a altura de uma boa estória.

Um exemplo de narrativa saborosa é o livro de Mika Waltari cuja foto ilustra este texto. Tive o prazer de "viajar nele" para o Egito antigo aos 14 anos de idade. Como bem canta Paulinho da Viola: "Tinha eu 14 anos de idade...//".

1 de dez de 2009

DE SOB A ETERNIDADE

Não há nada de novo sob o sol que não vejo há semanas. Não há rumor de revolução, nem anúncio de grande catástrofe. Quiçá a hecatombe tão esperada não venha. Quiçá estejam, essa Hécate tenebrosa e sua malta esfaimada adormecidos, chapados com monóxido de carbono e outros vapores assemelhados na fórmula. Não há nada de novo debaixo dos céus ou do chão encharcado. E eu ainda torno meus olhos pro mundo como se o tivesse visto por primeira vez.

28 de nov de 2009

SAPO BOI & OUTROS BICHOS!




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Não sei como nominar a hipocrisia humana quando ela exacerba todo e qualquer limite. Tampouco a desfaçatez reconfigurada pela falta de ética e caráter. Todavia esses comportamentos comuns a qualquer ser humano não serão ao longo dos próximos milênios alvo de correções, ou mesmo da extirpação sumária. Continuaremos a ser condescendentes com pessoas mentirosas, inescrupulosas e mesquinhas somente porque estão próximas de nós e não devemos, antes, não queremos interferir na maneira como se conduzem. Neste ponto a lógica poderia simplesmente determinar: Se o convívio de gente assim não está ao acordo da conduta que norteia a vida de alguém basta afastar-se. Todavia, no mundo primata formado de complexas relações de interdependência, nada é simples assim. E, para meu desgosto temos de aturar tipos "pestilentos", por conveniência. Porque como diz a letra de um baião interpretado por Elba Ramalho: "...A gente engole um caô/pra ser feliz/pra se arrumar/pra ter amor//". Trata-se de uma prática não condizente com os princípios "direitos". Mas que atire a primeira pedra o "primata" sapiens sapiens que nunca engoliu - em seu próprio benefício um pequeno sapo, quiçá uma perereca!

22 de nov de 2009

BANGALAFUMENGA II: A BIENAL

A Noite Estrelada - Pintura a óleo de Vincent Van Gogh
Quando anunciam a abertura da Bienal de Arte todo mundo pensa logo: Oba! Vamos lá que é grátis. (...) Dentre os tantos contribuintes para o aguçar da sensibilidade juvenil talvez uns poucos tenham se dado conta do quão interessante seria, antes de simplesmente levar sua turma de alunos para ver a Bienal, incentivar nessas pessoas, minimamente a cultura de uma consciência crítica capacitando-as a apreciar obras de caráter abstrato. Cuja linguagem subjetiva é de tal forma hermética a ponto de tornar impossível, senão ao próprio artista, um razoável entendimento da sua intenção. Sei, não é necessário compreender no sentido racional um objeto de arte. O vínculo com a obra é dá-se pela via do sentimento, da emoção, da empatia. Uma impressão no íntimo de cada um. Contudo, a caixa de Pandora que é a mente de um artista (falo com conhecimento de causa - embora pretencioso) pode jorrar tanta bizarrice, brotar formas, linhas, traçados, texturas, enfim... Obras recheadas de indizível fealdade. Tome-se por exemplo as "instalações": Fenômeno mais ou menos recente, espaço preenchido por composições esdrúxulas. Amontoados de quinquilharias & lixo. Propostas para além do surrealismo de Dali, que, diante dessas modernidades torna-se linguagem aritimética compreensível a cretinos como eu, decorebas da taboada.
Propostas surgidas de egos criptografados, incapazes de pensar por um segundo sequer no outro: observador; apreciador; consumidor daquela forma de arte - arte??? A arte não precisa ter função. Eles dizem. Discordo.
Ferreira Gullar, Mário de Andrade, Picasso, Gaudi, Rodin, Portinari, Tarsila, Frida Kalo, Ciron Franco, Miró, Klint e milhares de outros artistas discordam veementemente desta afirmação leviana, velhaca e irresponsável. Como função primordial a arte tem a tarefa de cimentar idéias e ideais no âmago do homem, estabelecendo de maneira dialética e crítica, discussões sobre a visão que o homem tem do mundo e de si mesmo em diferentes momentos da história. Senão vejamos: o que é a Guernica de Pablo Picasso, o Abaporu de Tarsila do Amaral, as esculturas de Rodin: O Pensador, Os Burgueses de Calais? As tela de Portinari: Mulher com o Menino Morto; Marias, etc.?
Querendo ou não toda manifestação artística não se compõe por geração espontânea, tampouco se pauta pela autofagia. Isto é não pode existir por si mesma surgindo do vácuo para o nada. Ao que parece os artistas de hoje que realizam essas instalações monstruosas (monumentais) querem se eximir da opinião própria. Sua única e exclusiva intenção é provocar reações no presenciador de sua obra, seja qual for essa reação de apreço ou asco. É como se o artista pudesse terceirizar a feitura de sua arte, não se envolvendo ele próprio na confecção e nas decisões que são necessárias para sua conclusão, passo a passo. Dessa forma o artista se propõe um neutro, tão somente a fagulha que deflagra a ocorrência de tudo a volta do que ele concebeu. O discurso já não é necessário, a medida em que o artista não se utilizou de uma idéia central para realizar a obra. Mas se apesar dessa tendênncia ao "nonsense" o artista quiser afirmar que sim, que planejou a peça de arte etapa por etapa mas não previu a sua significância; estaremos diante de um embusteiro e sua obra é vazia de qualquer sentido. Sendo assim não é arte. É prática mágica, arte lobisomística. Só desencanta com bala de prata na cacunda do gaiato.
O fato é que uma peça de arte qualquer só existe a partir de um signo criado que a plasmou, referendou, tornou concreta. E sendo composta por signos pressupõe um significado qualquer na concepção do perpetrador do "crime", da obra. Não venha o esperto querer amontoar ferro velho a esmo e dizer que "cada um tem de tirar sua própria conclusão. Trata-se de uma provocação". Provocação maior é essa, o artista se recusar a por os pingos nos ís.

6 de nov de 2009

NO TEMPO DO TELECATCH

A cena é bem comum, vou chegando no estabelecimento de um amigo e lá estão reunidos ele, um vizinho balofo que se diz segurança, e seu filho. O papo são as proezas e feitos que envolvem golpes, contragolpes & saídas magníficas do gordoninjasegurança. Relatos impressionantes de como bateu em não sei quantos e resistiu à polícia. Narrativas beirando o dadaísmo. Dignas de um paciente tresloucado de Pinel. Eu me pergunto, por quê? A resposta invariável é: cada um de nós encontra uma maneira de chamar a atenção. Uns se dedicam aos esportes, outrros como eu à música e literatura. Todos sem excessão se esmeram em, a exemplo dos corvos, encontrar objetos brilhantes para enfeitar nossos ninhos a fim de que a fêmea o aprove e nidifique conosco. Ou seja, nossas tentativas de demonstrar qualidades sejam físicas ou intelectuais encontram justificativa na necessidade de convívio social. Mas, voltando ao tema recorrente nas conversas do nosso "segurança", as escaramuças e conflitos de todo tipo. Posso dar um testemunho pessoal de alguns confrontos que por infelicidade tive de levar a termo. Os combates corpo a corpo ocorrem de maneira muito rápida. Agressões por parte de meliantes que visam subtrair algum bem de valor são extremamente rápidas e ocorrem de maneira inesperada. O tempo de reação é muito curto. Em se tratando de "punga", isto é, repelão que visa levar da vítima bolsa ou sacola, o tempo de reação da vítima é mínimo. Já a defesa contra qualquer golpe no qual o agressor se utiliza de mão, cotovelo, joelho ou pés pode ser melhor estruturada mesmo que haja o elemento surpresa. O que posso lhes relatar é o seguinte: Em qualquer desses embates, tudo ocorre velozmente. Tem-se poucos segundos para tomar decisões. Se age de maneira reflexiva conforme os movimentos do adversário e o resultado dessa ação determina a sorte da empreitada. Por algumas vezes estive envolvido em confrontos assim, e, sem nenhum orgulho ou vontade de me gabar posso dizer que me saí muito bem. Saí inteiro. Mas, aconselho a todos: não há nada de glorioso em se engalfinhar com alguém seja porque motivo for. Como dizia o velho e sábio Sun Tzu: "O guerreiro verdadeiramente sábio vence a batalha sem precisar lutar!" Parece um daqueles axiomas para os quais não há resposta. Não é bem assim...

1 de nov de 2009

VERMELHO & COMUM



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Na terça-feira da semana passada dia 27 de outubro, aceitei o convite de minha amiga Mirian Ritzel para tomar parte na II Conferência Municipal de Cultura de Cachoeira do Sul. Muito bem. A maior parte de meus amigos, e Mirian se inclui aí, sabe muito bem sobre as ideologias e princípios filosóficos, sócio-políticos e morais que defendo. Então, se sabem disso, também estão cientes de que como um cidadão socialista e democrata eu não me rendo às idéias aventadas por outrem sem as debater. E, principalmente, mesmo em discordando delas defenderei (conforme o princípio iluminista de Voltaire) o direito de meu próximo à essas convicções que eu porventura julgue errôneas. Bueno! Pois estava eu lampeiro e pimpão sentado bonitinho numa das primeiras filas do pequeno auditório da Casa de Cultura, que antes pertencia à Faculdade de Artes Santa Cecília, casa acolhedora da qual tenho muita saudade. Pois, lá estava eu numa conversa amiúde antes do início do evento, quando minha interlocutora, para meu espanto e decepção, pois se trata de uma senhora respeitável e aparentemente cosmopolita, em dado momento me diz que não acredita que "os negros tenham capacidade para desenvolver a África!" Naquele momento eu me senti um foguete russo do tipo Vostok V lançado de Baikonur direto pros cornos da Lua. Engoli seco... Argumentei que isso não é verdade, afinal a civilização ocidental, pelo que sabemos iniciou no Egito antigo. E por culpa dos países europeus que nos últimos quinhentos anos exploraram o continente africano de forma estúpida e predatória, a África se havia transformado numa colcha de retalhos política. Onde etnias rivais se viam encerradas dentro de fronteiras geográficas não condizentes com sua trajetória histórica, ou seu modo de vida, sua herança cultural e domínios territoriais. E daí surgiam os conflitos. Qual nada. Nada demoveu a "bondosa" senhora de sua idéia sobre a incapacidade dos negros. Afinal tratam-se de negros, não é mesmo? E conforme Lombroso & Franz Gall a aparência, o biotipo de uma pessoa fala por si só, determinando inclusive seu caráter e justificando todos os desvios de seu comportamento. Diante da convicção daquela senhora perversa e facista resolvi conter minha indignação.
Talvez a essa altura de sua vida, na reta final, seja impossível debelar à força de argumentos os arremedos de idéias e teorias descabidas que dormitam no seu consciente. Pensamentos tolos sobre a supremacia de uma etnia sobre a outra. Prevalência de uma "raça", como ela mesma referiu-se genericamente ás diversas etnias africanas, de matriz ariana. Nada além de ilusões perigosas forjadas no intuito de justificar a barbárie e o roubo puro e simples da riqueza dos povos que habitam aquele continente. Nada há que sirva de prova em favor da suposta superioridade ocidental e "branca" frente às populações oprimidas cujo único defeito, dentro da ótica distorcida de uns doidões que andam sobre este mundo e são irresponsáveis a ponto de propagarem essas bobagens, é terem nascido com maior pigmentação sobre a pele que guarda nosso sangue vermelho em comum.

20 de out de 2009

DECREPITUDE GERAL


fonte: cousasecausos.com


Entre decrépitos, senis, pacóvios & altamirandos barnabés mal intencionados está posto um personagem em fase de mumificação. Didi Mocó Colesterol Novalgina Mufumbo, alter ego de Renato Aragão que se limitava a fazer escada para os reais e engraçados comediantes do grupo Os Trapalhões nas décadas de 70 e 80. Esses eram os talentosos Mussum e Zacarias... Desde a morte dos dois a coisa degringolou. Os Trapalhões perderam a graça, se dissolveram. Didi entrou em decadência, pondo em evidência episódios absolutamente nonsense de Renato Aragão durante as gravações de seu atual programete na globo. Situações ridículas onde ele força piada sem graça.Corre atrás dos atores com extintores de incêndio. Faz pequenas empulhas na tentativa de ser engraçado, e produz efeito patético... No camarim de um teatro eu, ano passado conversava com um amigo músico que havia estado no programa dele segundo esse meu amigo ele, Renato Aragão, é um cara engraçado. Eu o acho um cara forçado. Além do que não respeitaria, como cliente, a um advogado (e Renato Aragão é bacharel; leia-se por isso o sentido literal e o figurado) incapaz de se expressar correta e claramente no seu próprio idioma. A conversa do cara é truncda. Confusa. Quase hermética, já que o sujeito não concatena direito uma idéia na outra. Enfim, pra minha decepção, pois quando criança adorava os trapalhões e o Didi, Renato Aragão pifou. E Chico Anízio nunca mais terá um programa na globo. Esse sim gênio do humor, e cronista quase tão brilhante quanto omemorável Ruben Braga.

18 de out de 2009

FALA PERIFERIA, FALA



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Fala Maré, fala Madureira, Fala Inhaúma, Cordovil, Pilares... Canta Chico Buarque, voz melíflua, entoando a canção Subúrbio do cd Carioca. Eu, tava disposto a trabalhar na montagem do meu livro etnomusical & quase convertido ás ortodoxias científicas, mas legalismo não é comigo, não. Nem civil nem religioso. A brejeirada tem preferência. Mas, escrevi os nomes dos arrabaldes cariocas porque desde menino amo ouvi-los. Lembro que quando alguém num filme ou numa música falava em Cordovil, Engenho de Dentro, Madureira, Osvaldo Cruz eu ficava imaginando como seria. Pensava sempre que eram lugares de muito calor. Calor como eu jamais havia sentido. Não senti, morando abaixo do paralelo trinta. Na pampa descortinada onde em pleno outubro o termômetro não passa de 20° e a gente acha que faz calor. Mas, como dizia sempre gostei dos nomes desses lugares e sempre imaginei o Rio de Janeiro um lugar mágico que seria algo mais, muito mais além de praias. A floresta da Tijuca despertava-me um fascínio à toda prova. Saber que fora replantada por ordem de um Imperador gentil homem, não um fracote, ou maricota, um gentil homem sábio e ponderado.
Quando preciso foi à guerra sem hesitações. Eu o admirava. Por causa de Pedro II, em menino quase fui um monarquista. Pois, o Rio de Janeiro que continua lindo, e o jardim Botânico lugar preferiado por um Imperador e por um compositor de música popular brasileira (Tom Jobim "passarim"). Horto onde vicejam centenárias palmeiras imperiais, sediará dois importantes eventos internacionais em sequência. Primeio a copa do mundo ano que vem, depois as olimpíadas de 2016. E, no meu desejo infantil, na minha ingenuidade de criança que pulava o carnaval no clube do bairro ao som de "Cidade Maravilhosa/cheia de encantos mil..." eu espero com toda sinceridade que desistam da idéia de construir um muro de concreto para isolar a estrada que leva do aeroporto do Galeão ao centro. Impedindo aos turistas enxergarem a feiúra dos casebres marginais à rodovia... E que, pro bem do Rio de Janeiro e do Brasil, façam menção á Mangueira, á Rocinha, à Maré, ao Turano, ao Salgueiro, ao morro do Macaco. À todas as comunidades de gente tão trabalhadora e digna. Gente maravilhosamente humana que vive sob a pressão de um sistema dicotômico imbecil servente apenas a quem tem dinheiro e precisa manter em estado de sítio a periferia, caso contrário as estratégias de poder não poderão se cumprir. Porque o tráfico senhoras e senhores não pode ser representado por seus soldados pés de chinelo e sem instrução. Gente tão vítima quanto os usuários. O traficante varejista, o ponta de estoque da boca de fumo é só mais um Zé-Mané. Carne pro moedor do sistema. O sistema representado pelo capital. O capital que financia as plantações de papoula, coca, cannabis. O capital que financia o tráfico de armas, de mulheres, de crianças. O capital que enfeia e suja a beleza do Rio de Janeiro. E que destrói gratuitamente a poesia do mundo.

14 de out de 2009

O MACACO TÁ CERTO



Olimpíadas em 2016, e, a piada da vez é: contas transparentes! KKKKKKKKK Lembro das sonoras gargalhadas do Zé Simão, inteligente e ferino colunista que recentemente digladiou-se com a pseudo atriz Juliane Paes. Que sob a chancela da todo poderosa globo, cujo fundador dizia-se marechal civil da revolução de 64, seja isso um homem conivente com desmandos da ditadura, conseguiu proibir ao sagaz macaco Simão de mencionar seu nome - aliás concordo em número gênero e grau com o que diz Simão a respeito dos famosos instantâneos - em sua coluna na Folha de São Paulo. E, por certo, noutros importantes veíclos para os quais nosso símio sapiens sapiens é e será sempre muito requisitado. Pois lembrei da gostosa e por que não debochada gragalhada do Simão ao imaginar uma conversa com nosso esperto macaco agitador.
Só posso me remeter às gargalhadas do Simão ao pensar que num país dividido entre finórios engravatados, ratoneiros de polainas & bacanas de oratória com mandatos e processos por estelionato vão deixar passar oportunidades d'oiro, d'oiro mesmo de superfaturar até a conta da farmácia de suas mães há muito falecidas para tirarem sua lasca dos bilhões que serão imoralmente investidos em obras para as olimpiadas, piadas de mau gosto num país carente de educação, infra estrutura básica, e, principalmente vergonha na cara.

9 de out de 2009







Algumas das coisas pelas quais tenho manifestado meu apreço devido a sua extrema utilidade são duas ferramentas eletrônicas. Dois softwares online disponibilizados gratuitamente pelo Google. O primeiro é o Google Docs. Uma planilha de edição de texto muito parecida com o word. Através do Google Docs qualquer pessoa tem a possibilidade de digitar textos, editá-los e armazená-los dentro do próprio Google. Pode ainda compartilhar os textos se assim desejar. Arquivá-los e trabalhar neles depois sem precisar importar para dentro do computador, coisa que é perfeitamete possível. A outra ferramenta disponibilizada pelo Google é a biblioteca virtual. Funciona da seguinte maneira: As pessoas que necessitam pesquisar livros raros e antigos, ou somente querem constituir uma biblioteca contendo os clássicos da literatura universal e não possuem recursos financeiros para adquirir fisicamente os livros, podem se valer do Google Books. Basta cadastrar-se, criar uma conta gratuita e procurar pelos títulos ou autores que lhe interessam, o Google se encarrega de encontrar e adicionar a sua biblioteca livros que foram digitalizados nas bibliotecas de universidades e fundações ao redor do mundo.



Na minha opinião essa iniciativa democrática do Google possibilitando acesso irrestrito e fácil aos livros se revela categoricamente uma ação favorável à cultura e educação. No Brasil sabe-se que bibliotecas como a da USP e da UNICAMP estão fazendo o mesmo. Digitalizando seus acervos a fim de disponibilizá-los na web. A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro também está em vias de digitalizar seu acervo, porém esbarra nos trocentos entraves da vida burocrática desse país de chefetes e "donos" de carimbo em repartições públicas. Afinal toda traça precisa de ao menos um dia de mando na vida. Onde seja mais do que um Barnabé empedernido. Mas, como dizia, a atitude sem par do Google demonstra uma consciência que, me corrijam se estiver errado, demanda algo mais além do lucro puro e simples. Coisa que esse gigante da web tem e de sobra.



Não esqueçam: Google Docs e Google Books; ferramentas indispensáveis para quem não tem grana, mas que possui sede de conhecimento.

8 de out de 2009

MUITO ALÉM DO JARDIM


Quem nunca viu deveria ver: Muito além do Jardim, EUA, 1979. Um filme com o impagável comediante inglês Peter Sellers. Nessa espécie de tragicomédia urbana Sellers interpreta um jardineiro portador de deficiência mental, que era quase um filho adotivo do dono da casa onde cuida do jardim, e, que se vê repentinamente órfão e desabrigado. Por uma série de coincidências ele vai parar na casa de um bilionário de Nova Iorque. Um velho rico que lhe abriga e o toma na conta de um amigo. Vira e mexe Sellers é assediado pela mulher do bilionário - Shirley MacLayne.

O único assunto que o pobre jardineiro domina é sobre seu ofício. Entretanto tudo o que ele fala, tanto ao bilionário quanto ao próprio presidente dos Estados Unidos lhes parece uma metáfora dotada de grande e profunda sabedoria. Enquanto Sellers divaga explicando o comezinho de seu ofício, como regar, podar e adubar as plantas, aqueles que estão a sua volta pensam ouvir desse homem (de quem ninguém sabe o passado) as mais altas lições para suas vidas. Vale a pena matar a saudade de Peter Sellers.

2 de out de 2009

A FICÇÃO CONTINUA - IMPÁVIDA.

Fonte: sacchiapadovano.wordpress.com
...Sexta-feira 14h55m o pomposo apresentador falando em nome do comitê olímpico internacional anuncia via satélite a decisão do comitê: O Rio de Janeiro sediará as olimpíadas de 2016. Regozijo nacional. A comitiva encabeçada por Lula, Sérgio Cabral, Pelé e Artur Nuzmann é pródiga em abraços, beijos, lágrimas de alegria. No Rio de Janeiro a população reunida nas areias de Copacabana explode em manifestações de alegria. O mesmo em Salvador no pelourinho. O grupo afro Olodum convocado a animar o pessoal na base do batuque falsificado (como de costume) puxa a comemoração...
Enquanto isso, no congresso nacional políticos e lobistas de plantão, ouvidos colados no rádio (via headphones) ou olhinhos arregalados frente às telas de computadores e tvs entram em êxtase cujo único momento similar de epifania é-nos noticiado a partir dos orgasmos religiosos de santa Tereza d'Ávila e se não for essa santa que se foda outra, afinal sou comunista e não pelego de papa hóstias. Seguindo... Os empreiteiros e políticos e políticos empreiteiros (categorias que se misturam e se embolam muita vez) regozijam ao som de várias vinhetas emitidas pela globo: Brasil sil sil sil sil sil... Interminável.
Será uma farra, não tenho dúvidas. Na propaganda institucional veiculada em vídeo no local de reunião do comitê olímpico a cidade do Rio de Janeiro omitiu a abundância dos glúteos que povoam as praias, mas também esqueceu das favelas. As câmeras simplismente ignoraram os trapiches dependurados em praticamente todos os morros que cercam a "cidade maravilhosa".
Afinal olimpíada não é coisa pra pobre, aliás, corrigindo: Pobre só entra como faxineiro, e olhe lá. Mas, o que mais me preocupa são as obras, as obras serão inflacionadas, superfaturadas, atrasadas. Haverá aproveitamento integral do momento político ocasionado pela olimpíada, o Brasil ao fim dos jogos se verá classificado no costumeiro 40º lugar com muito custo. Nenhuma obra necessária para a cidade babilônia do Rio de Janeiro como hospitais que funcionem e não mandem pacientes prestes a parir para outras instituições. Obras como o melhoramento das vias públicas. A construção de casas populares. Investimentos em redes de esgoto, educação de qualidade, transporte digno e segurança. Nada disso será cumprido, entretanto se ouvirão promessas eloquentes. Mas afinal pra quê tudo isso se teremos uma olimpíada? Afinal, caras como eu não passam de comunistazinhos pessimistas. E viva o carnaval!

30 de set de 2009

MINHA VIDA FICTÍCIA PARTE I

Quando contava meus dezessete anos, aficcionado por ficção científica - Ray Bradbury, Asimov e outros tais, ensaiava meus continhos. Aqui começo a reproduzir em capítulos um dos primeiros. A HOLOGÊNESE. Se alguém gostar comente, se não gostar comente também.
A HOLOGÊNESE

{Epílogo}...
Sob os rubores d’esplendor de um fim de tarde no verão, íntegro na nova carne, estranhou o tato; sensível em demasia n’algumas partes, noutras arrefecido. Estranhou a audição, na nova forma corpórea, limitada a captar vibrações de freqüência intermediária veiculadas no meio atmosférico onde se propagam lentamente. Sentiu falta da superfície membranosa da antiga pele, repleta de cerdas e filamentos ultra-sensíveis às vibrações.
Arqueado, ainda não se acostumara ao peso dos músculos rijos, maciços; aptos a esforços inimagináveis. Assustado, constatou haverem-se superado todas as expectativas...
Flexionando as pernas agachou-se. Abaixou-se até o solo e distendendo bruscamente o conjunto de músculos dos membros inferiores saltou. Projetou-se para o alto, testando a potência formidável das pernas. Entusiasmado passou a examinar com atenção todos os sentidos e capacidades físicas do próprio corpo. A visão, agora possível somente num ângulo limitado, se prestaria ao especialíssimo exercício da predação. Com a visão frontal ele perceberia imediatamente a profundidade. Estimaria a distância com precisão, calcularia a velocidade do seu alvo provável, prevendo com razoável exatidão a cadência e a direção dos seus movimentos. Em seu critério, enxergar a faixa estreita do espectro luminoso visível ao antropóide, trazia desvantagens, porém, na condição presente tinha lá suas compensações.
Curioso a respeito das capacidades da nova morfologia movimentou seus apêndices articulados. Braços, pernas, dedos dos pés e das mãos. Conjunto harmônico de sensíveis ferramentas... Divagando, descobrindo-se, tateava-se com extremo cuidado e vagar. Demorou-se mais bolinando os genitais bem conformados, deliciando-se com a auto manipulação... Ele se julgava pronto. Experimentando o ineditismo de um aparelho fonador, encheu os pulmões com o ar tão necessário, e erguendo os braços para os céus bradou uma prece desconexa composta de urros incoerentes e grunhidos sem significado. Uma prece de agradecimento dirigida a um Deus inominado.
Era o começo. Articularia sons, fonemas, linguagem lógica. Seguindo passo a passo as técnicas desenvolvidas por ele próprio, engendraria outros iguais a si naquela forma. Milhares de outros semelhantes, dotados da mesma perfeição em corpo e mente. Viveria feliz entre seus congêneres; e os amaria, e os instruiria. E seria amado, e se sentiria seguro entre eles, sem importar-se com quanto tempo lhe houvesse destinado a natureza – lei magna dos vivos; para gozar a nova existência.

27 de set de 2009

NADA DE NOVO SOB O SOL




"Muitos frios estiveram entre nós os festejos em honra e reverência ao velho e popular deus Momo. Apenas um grupo do clássico e galhofeiro Zé-Pereira percorreu as ruas da cidade distribuindo ao público apreciáveis produtos da acreditada fábrica de fumos do Sr. Soares Neto. O jogo do entrudo nestes últimos dias esteve bastante animado na Rua Sete, não chegando ainda assim ao delírio das épocas passadas [sic.]".
O Commercio 20/04/1901. Jornal que circulou em Cachoeira do Sul/ Rs de 1900 até 1970.

O Zé-Pereira ou o jogo do Entrudo citados não se tratavam em Cachoeira de folias democráticas a exemplo do ocorrido no Rio de Janeiro de onde esses costumes foram importados. Os foliões carnavalescos do início do século em Cachoeira constituíam bandos de mascarados trajando fantasias bizarras, integrados somente por indivíduos do sexo masculino pertencentes à classe média alta. Munidos de bumbos e caixas formavam fanfarras a fim de desfilar pelas ruas centrais promovendo algazarras a caminho dos salões e dos clubes sociais, ou das residências particulares de notáveis que promoviam e convidavam para seus chiques bailes de carnaval. O público citado na nota de jornal era a assistência, o contingente que acorria dos bairros às ruas do centro para olhar a passagem dos foliões sem tomar parte.
Quanto ao Entrudo, brincadeira de mau gosto, muito comum no carnaval cachoeirense, tratava-se de uma fuzarca diurna. Por estas bandas o entrudo era instrumento dos fortes e poderosos para afirmação da sua posição social e autoridade. Um exemplo dessa situação nos chega pela voz do colunista do jornal cachoeirense O Commercio, GustavoPeixoto. Ele publicou em sua coluna Cachoeira Antiga no dia 16 de maio de 1945 a seguinte narrativa de um episódio alusivo ao entrudo do qual teria participado quando menino por volta de 1910:

"(...) Mas, o gozo em um banho fosse com limões ou esguichos, o modernismo não pode reproduzir! E ainda mais, aquele pagode, ou por melhor dizer, aquela satisfação em jogar nas negrinhas um pouco de farinha de trigo e em seguida atirar-lhes alguns limõeLimões de Cheiro.Pelotas de cera cheias de líquido perfumado, na melhora das hipóteses.Os esguichos mencionados eram seringas de latão contendo água de rosas e outras substâncias líquidas de odor pouco agradável. s fazendo com que em suas faces negras formasse uma massa branca e grudenta, nunca mais teremos.Como elas, as pacatas e serviçais negrinhas, as morenas de hoje, tinham medo do carnaval com seus guris atrevidos e malcreados [sic.]"
Publicado na coluna Cachoeira Antiga de Gustavo Peixoto do jornal O Commercio de Cachoeira no dia 16 de maiode 1945.
Escrevendo meu livro sobre as tradições afro-riograndenses na rgião central do RS, mais especificamente as sobrevivências do ciclo das Congadas relacionadas com o folclore Bantu que aqui surgiu por volta do século XVIII, e, posteriormente, tendo acompanhado o documentarista Rafael Bavaresco em algumas entrevistas com pessoas negras da comunidade cachoeirense, constato que nada mudou realmente. O preconceito e segregação impostos às classes menos favorecidas pelas elites da cidade continua em vigor. De maneira velada agora mal entrados no século XXI, tão decantada era de aquário, utopias & mumunhas sem compromisso com a práxis cotidiana. De forma sutil podemos sentir a atuação do preconceito no viés dos olhares, no comportamento, nas atitudes estranhas. Por exemplo: agora mesmo atendo no balcão da locadora de meu amigo Sérgio. Ainda há pouco quatro rapazes de origem nordestina que trabalham numa companhia de energia elétrica estavam escolhendo alguns dvds, nisso entra na locadora uma menina de classe média. Sem motivo algum ela dá mostras de estar constrangida, e, não se passa nem cinco minutos seu pai que estava aguardando no carro vem para perto dela, a abraça e olha com estranheza para os rapazes que a essa altura já haviam escolhido os filmes e se iam embora.

24 de set de 2009

A FRASE DE DE GAULLE

Todos estão discutindo muitas questões a respeito da sucessão presidencial no Brasil. O congresso brasileiro, infectado por uma verdadeira malta de políticos corruptos e corporativistas defende de um tudo, menos os interesses mais urgentes da população. O balcão de negócios para decidir quem apoia quem está aberto faz tempo enquanto os processos de reforma do sistema judiciário, político e administrativo continuam inertes. Ninguém ousa alterar códigos de lei arcaicos que dão privilégios áqueles "experts" em se movimentarem pelas brechas da lei.
Todos se voltam a assuntos iminentemente casuístas, em que pese a pressão da sociedade ou da mídia, tais casos não se resolvem. Tampouco serão rsolvidos. O único ponto em que todos parecem concordar é que: O Brasil continua não sendo um país sério!

13 de set de 2009

UM SÁBIO CORDIAL

Nelson Hoffmann - Foto: Blog Telescópio
Dentre a diversificada fauna das artes humanas há variada espécie de "escribas". Descendentes, mais ou menos tortos do sumeriano (atávico) Dudu - 5.000 anos antes de Cristo; não o comedor de hambúrguer amigo do Popeye, mas o Dudu escrvinhador das cortes sumerianas. Dentre esses todos descendentes daquele primaz longínquo, alguns apenas me chamam atenção. Tipos sanguíneos como Rimbaud, mordazes igual Laclos, ferinos tal Maquiavel, cultos a la Erasmo (de Roterdã), Melville, Flaubert e Machado de Assis...
Por conta do generoso prodígio cósmico a espécie dos escribas prosperou e diversificou-se embora o talento para exercer seu mister tenha em muito apoucado.
Tendo como primeiro suporte à escrita simples tabletes de argila, e somente depois valendo-se de pergaminho, papiro e papel, sucessivamente. Os escribas, a passo lento, todavia ainda não de todo, ganharam direito á liberdade de expressão...
Conheço muitos tipos e sub-tipos de escritores que se destacam da grei pela sensibilidade e talento com que ordenam as palavras, emprestando às composições um caráter emotivo - não sentimental, tampouco piegas, sentimentalóide. Mas emotivo e gracioso. Fazendo com que além de clareza e fluência das idéias seus escritos possam de forma misteriosa impregnar-nos com essas emoções. Emoção para além da objetividade de um texto, essa é a função derradeira de um escritor, evocar e causar emoção - em que pese ser a informação a meta comum de qualquer linguagem.
Não raro, no truncado, embarafustado cyberpunk modernoso universo das garatujas hodiernas a informação propriamente dita seja "cousa" rara. Improvável feito "língua de mosquito".
Pois, de algum tempo para cá conheci, por indicação do amigo Marco Aurélio München, a obra de Nelson Hoffmann, professor e escritor natural de Roque Gonzalez, cidade natal de Marco Aurélio. Acolhendo a ordem inversa das coisas, característica peculiar de minha pessoa "malacara uma barbaridade", o primeiro livro de Hoffmann que li foi seu romance O Homem e o Bar. Depois, seguindo a ordem cronológica contrária a das publicações li A Bofetada, esse um romance mais antigo. Dizer que gostei de ambos, que me prenderam a atenção, que me fizeram esperar ansioso o desvendar dos mistérios que suscitavam, deixando entrever indícios apenas, indeléveis fios de suspeita ao melhor estilo do mistério - embora a problemática de ambos vá muito mais fundo do que isso, seria uma afirmaçao vedadeira mas simplista. Dizer que a literatura de Nelson Hoffmann se apresenta honesta, bem feita e dotada da dose certa de objetividade sem desprezar o elemento subjetivo é incorrer outra vez no lugar comum. Entretanto, quando terminei de ler o despretencioso livro de Nelson Hoffmann "A Arte de Nascer das Palavras" (crônicas/ EDIURI - 2009) me dei por conta ter encontrado uma qualidade presente apenas nos grandes escribas, que por nobreza são naturalmente despretenciosos e nem um pouco afetados. A virtude da gentileza. Gentileza essa que não significa apelo à pieguice ou inclinação às apologias indiscriminadas. Nelson Hoffmann me mostrou ser perfeitamente possível aliar a técnica e talento a essa qualidade rara entre os "espadachins" da pena: A gentileza. A Arte de Nascer das Palavras trata disso. Do encontro cordial entre pessoas que buscam dar de si pelo bem comum. Pessoas que se doam em prol de um bem muito maior do que o reducionista culto ao ego tão em voga nesse tempo. A egolatria, um campo tão árido onde nenhuma semente lançada é capaz de germinar.
A Arte de Nascer das Palavras depõe a favor das coincidências felizes que levam aos escritores confabularem ente si, senão de viva voz, através da comunhão de idéias e princípios. De leitura fácil e agradável, A Arte de Nascer das Palavras nos dá a conhecer um pouco dos trâmites e vieses pelos quais passam os olhos e os caminhos de um literato.
Pela bela obra eu saúdo Nelson Hoffmann, um talentoso escritor e um homem cordial!

10 de set de 2009

BANGALAFUMENGA, OU TRANQUEIRA POUCA É BOBAGEM

mfda.wordpress.com
O negócio começa quente. De cara um plágio: Confesso. Copio meu amigo e parceiro de composição - musiquei uma penca de seus Contos Negreiros, e alguns vão pro próximo trabalho. Mas, como dizia, de cara plagiei Marcelino Freire. Bangalafumenga não é invencionice desse cabra bom, filho de Xangô, na tradição catimbozeira de seu Pernambuco. É bangalafumenga mesmo. Troço bacana. Nem sei se essa tal bangalafumenga é bacana, mas gosto do som. Sou compositor popular me ligo em síncopa, sacou? Batuque é comigo mesmo. Não prometi uma ciranda pro conto O Futuro Que Me Espera, de teu último livro, Rasif? Pois então lá vai. Devagarinho mas vai... Bueno, por outras veredas aí vem a tranqueira. A tranqueira chegou em casa nas mãos de meu amigo, irmão, co-produtor, dileto jurado da estética feminil & cachaceiro aposentado Fernando Ramos. Trata-se dum tal modem a dita bangalafumenga. Isso. A coisa. Que segundo Millor Fernandes era teratológica... Bueno. Necessitados de um acesso à internet na sucursal, digamos mais "periférica" desse que é um resistente veículo da cultura neste país: Jornal Cultural VAIA; Fernando seu editor chega lampeiro com a engenhoca eletrônica, o tal modem, a bangalafumenga em questão. Bueno! Tudo conectado, e daí? Cadê a internet? Aperta aqui. Clica acolá. Fuça! Ronca! Três pulinhos numa perna só, invocações a São Longuinho. Alguém corre pensamos em apelar pra barra pesada: um livro de necromancia do bruxo Aleister Crowley. AS tiradas infalíveis do Costinha e do Zé Trindade. Um chute no saco do computador é cogitado, mas o dito é capado!
Quando a macumba e os préstitos semi-tecnicistas em direção às publicações tipo "faça você mesmo" esgotam as possibilidades de um desfecho feliz, eis que este um sujeito curioso, e, razoavelmente paciente que vos fala tem uma idéia sui generis: LER O MANUAL.
Santa BANGALAFUMENGA seu Marcelino, que plagio sem remorso! Em cinco minutos tudo resolvido, e eu pude postar esta quase croniqueta graciosa!

29 de ago de 2009

NÃO À MERDA SONORA

Enquanto trabalho na locadora vizinha à casa de minha mãe em Cachoeira ouço música. A música que escolho, claro, é brasileira ou afro-americana. De modo geral sempre opto por esses estilos... Numa comparação simplista, rasa mesmo, sobre quaisquer outros gêneros musicais em voga nesse feudo Brasil, de longe a mpb é superior a tudo mais. Supera em criatividade rítmica & melódica, nos arranjos e harmonizações - em que pese a tal modernidade "drum and bass" que enche o saco de todo mundo, quaisquer musiquetas ruins. E classifico de ruim esses pagodes com aqueles grupelhos cantando refrões espichados, enorrrrmmmmeeeesss. Sambas abastardados, clonados setecentas vezes de standards rítmicos explorados à exaustão. A poética recorrente a um amor banal, insosso, infantil ou só conotativamente sexual de forma chula. E isso aplica-se as demais canções, sejam "sertanojas" que não votam mínima qualidade ao cancioneiro caipira de verdade, quase desaparecido. Bem como o supremo horror do "axé music". Lixo made in Bahia... Escutando cá minha nêga linda Elza Soares cantando demais, fico pensando: Será que as pessoas de um modo geral se desinformaram a ponto de aceitar o lixo como luxo, e, não têm mais paladar nem ouvido aguçado para o que é bom?

22 de ago de 2009

SUPER MÁRIO BROS

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A crise, situação permanente verificada quanto a classe política brasileira, ganha ares de infecção. Epidemia de longe mais perigosa e contagiosa do que qualquer gripe suína ou influenza jamais registrada neste país. Revivemos os tempos do cólera. Dejetos sólidos despejados em fontes d'água contaminando os seres vivos. Diarréia ininterrupta. O esgoto finalmente tomando para si o status de prima via, a céu aberto. Tubulações tronco partindo de Brasília, mas encontrando ramificações correspondentes em cada recanto deste Brasil sil sil sil sil, agora com muio mais eco, pelos ecanamentos vivinais - estaduais e municipais. Sujeira de toda ordem vazando sore nossas cabeças. Caganeira generalizada. A banda podre da politicalha "nacionar" cagando literalmente sobre nós, e não há guarda chuvas nem capacete que salvaguarde nossas pobres cabeças. Nossa última esperança seria a convocação da heróica dupla de encanadores: MÁRIO BROS & CIA. Só eles pra regularizarem os encanamentos clandestinos vazando bosta diuturnamente sobre os milhões de brasileiros contentinhos que assitem a tudo pela globo. Com um mal disfarçado risinho masoquista na cara. PLIM! PLIM!

3 de ago de 2009

LIMITES

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Não posso ser classificado como "seriômano", neologismo horrível que inventei agorinha pra definir aquele ou aquela afixionado por seriados televisivos. Todavia algumas produções vão de encontro a meu agrado. Por exemplo esse novo programa global comandado pelo atrapalhado Zeca Camargo, No Limite, é uma chance de ver e ouvir como pessoas da mais variada procedência social se comportam e principalmente reagem sob pressão. O que me causou certo espanto domingo passado foi ver a comoção generalizada que tomou conta do grupo azul pelo simples fato de serem obrigados a matar uma galinha pra comer. Nunca havia visto marmanjo chorando por isso, e me surpreendi. Entendo que as pessoas ali não estão acostumadas aos ambientes naturais. São indivíduos urbanos, e justamente isso torna os desafios (provas) muito mais interessantes. Contudo eu esperava - na qualidade de detentor do controle remoto & consumidor do produto, maior serenidade dos participantes ao se depararem com as condições reais de sobrevivência. Entendo que as pressões de toda ordem, a estranheza do ambiente rude sem conforto, a falta das facilidades e, a incipiente coesão de um grupo que se estará unido apenas no intuito de ultrapassar etapas na medida do desenrolar da competição exerce um efeito psicológico devastador em quem não foi condicionado para isso. Mas, ainda me surpreende as pessoas entrarem num jogo desse naipe e não terem uma noção mais realista do que seja conseguir comida num lugar ao desabrigo. Próximo está o mar, fonte de proteína: peixes, crustáceos. Há pequenos córregos de água limpa que fornecem peixes além de água potável. Observei uma variedade grande de cactos e plantas de pequeno porte. Existem coqueirais, embora seja prudente tomar cuidado com a água de côco, pois ela hidrata mas também tem efeito laxativo. Existem reptilianos: iguanas. E ofídios, cobras. Ambos perfeitamente comestíveis... Mas, parece mesmo que a pauta diária dos grupos será reclamar de fome e cansaço ao longo do programa ao invés de procurar comida.

26 de jul de 2009

APICULTOR DE MAMANGABA

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Dentre a fauna da região sul do Brasil figura um gênero de abelha geralmente não social chamada mamangava ou mamangaba (xylocopa frontalis), que, no entanto, produz mel. Já as abelhas do gênero melipona produzem mel e possuem uma característica mui atraente: não têm ferrão. Cá no Rio Grande do Sul há algumas espécies nativas de melipona: alichiguanas, mirins, irapuás e tubunas. Nenhuma delas possui o temido aguilhão...
Desde tenra idade fui iniciado por meu pai no mister de localizar e rtirar o mel das colméias de abelhas nativas. O trabalho é bem simples: à beira de um arroio de água limpa se espreita os insetos que veem tirar água. Seguindo essas operárias até a colméia, e, posteriormente com cuidado para não destruir inteiramente casulos e alvéolos retira-se não mais da metade da quantidade de mel e cêra existentes.
(...) Aos oito para nove anos de idade eu me julgava expert no assunto de colheita de mel silvestre. Havia inclusive experimentado a perigosa empreitada de "melar" camoatim. Abelha nativa do Rio Grande agressiva, e cuja ferroada é muito dolorosa. Confiando nessa capacidade "técnica" adquirida, certa vez, numa de tantas incursões solitárias pelos campos próximos à minha casa deparei-me com a seguinte cena: um "bolo" de mamangabas, enormes abelhas pretas listradas de amarelo (aqui chamadas: mamangaba picaça), reunidas entorno de uma toca no chão no que parecia ser o prelúdio de uma revoada. Ao que eu sabia elas formavam pares. Viviam e nidificavam no chão ou em ôcos de árvores. Exultante, e surpreso com o achado, logo concluí que naquele lugar havia um grande ninho repleto de favos de mel expesso, verdolengo, e muito doce que elas fabricam exclusivamente do polén das flores do maracujá - as mamangabas são os únicos insetos aparelhados pela natureza para realizar a polinização do maracujá.
Diante de tudo isso não tive dúvidas. Munido de uma taquara comprida desferi uma tremenda bordoada no lado daquele monturo de insetos. As mamangabas, reagiram como as demais espécies de abelha costumam reagir a barulho e vibrações de alta frequência: atacaram. Zumbindo alto tal qual os possantes motores dos velhos caças da segunda guerra partiram atrás do alvo, no caso eu, a essa altura engrenando desabalada carreira em direção á minha casa.
Das duas dezenas de abelhões em meu encalço somente duas ou três (turbinadas) lograram me alcançar. Todavia, como as nada gentis mamangabas têm a péssima característica de não deixarem o ferrão quando aguilham, as três que me alcançaram fizeram um estrago e tanto. Levantaram-se em minhas costas (estava sem camisa) uns seis ou sete calombos fruto do inchaço provocado pela peçonha das ferroadas. Feridas dolorosas que levaram uma semana para sarar. Enquanto isso passei a dormir de lado. E assim encerrou-se minha promissora carreira de apicultor de mamangabas.

18 de jul de 2009

ESTE É UM PAÍS QUE VAI PRA FRENTE

Nos anos setenta a ditadura militar de direita no Brasil tinha muitos lemas: Este é um país que vai pra frente; ladeira abaixo, eu completaria com justa pertinência. Depois era: Brasil, ame-o ou deixe-o! O mais depressa possível, seria indicado para aqueles que confessavam desacordo com o regime...
Dom e Ravel, uma das duplas não sertanejas mais escrotas que já existiram cantavam: "As praias do Brasil ensolaradas/lá láialá..." Enquanto os milicos mandavam prender e torturar mulheres, jovens, homens de esquerda, pessoal da imprensa e qualquer um que tivesse em seu poder livros considerados subversivos... Mas tudo passou. Não há mais motivação para protestos. Nesta "democracia" maravilhosa, mortos de fome, extasiados em frente aos televisores assistem Xuxa e Angélica. A última loira desfila em cenários paradisíacos, enquanto o povão carente de todas as mínimas condições para uma vida mais digna se delicia imaginando quando será a sua vez de vencer um concurso da TV e ir passear em Bariloche, que não sabe onde fica, mas não importa, saiu na TV.
Meu amigo Osvaldo Sargentelli, o homem da voz de trovão, que saudade do "VOX POPULI" da TV Cultura. Claro, não é do meu tempo, mas vi em tape. Saudade da qualidade de um "Ensaio" sob o comando de Fernando Faro. Pra redimir a atual brejeirada televisiva ainda bem que temos um Roda Viva, um Canal Livre e o nosso subversivo na linha de frente, Antonio Abujamra, que resiste entrincheirado no seu Provocações. O momento que mais gosto?? Os poemas que ele diz no programa.
Só alguns atores seriam dignos de representar a democracia dizendo poemas. Entre eles Antonio Abujamra, Valmor Chagas, Osmar Prado, Paulo Autran (saudoso) e Paulo José. Pra citar alguns. E, a dignidade dos poemas, a dignidade dos poetas, seres utópicos, humanistas, iluministas, apaixonados pela humanidade não condiz em nada com o ranço burguês, a mediocridade insossa hoje servida na TV aberta do Brasil sil sil - este país que vai pra frente sem sair do lugar.

15 de jul de 2009

Malagueta, Perús & Bacanaço ¹


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Malagueta, Perús & Bacanaço :Tomar nota sobre autoria desse livro. Época em que foi escrito, etc. Traçar um paralelo entre os perfis dos personagens que nomeiam o livro, constantes do título do artigo, e os atuais “cabeças” da malandragem que hoje é representada por líderes do tráfico nas favelas cariocas. Escrever artigo comparando aquela malandragem, quase folclórica com essa em voga atualmente, ou de trinta anos pra cá. Apontar suas similaridades, causas, objetivos, modos de operação e principalmente, as diferenças acentuadas entre aquela e essa hoje apresentada. Buscar uma opinião sobre como resolver a longo prazo os problemas causados pela criminalidade, identificando origem e conseqüência. Apontar as verdadeiras mentes, lideranças econômicas que propiciam o financiamento do crime no país. Essa foi minha ambição, e diga-se, pretensão tempos atrás. Depois desisti da empreitada...
Uma das vertentes diz que o crime organizado no Brasil teve origem no contato que se deu entre os presos comuns do sistema carcerário no presídio da Ilha Grande no litoral Fluminense, na década de sessenta, com presos políticos lá encarcerados por ordem do regime militar... Houve um documentário exibido na TVE domingo 02/04/2006 abordando o tema: "Malandragem". Uma enquete realizada entre os moradores da favela extraiu deles opiniões que pudessem traçar comparação entre malandros & bandidos. Basicamente, o que os compositores e partideiros dentre os quais figurava o saudoso Bezerra da Silva disseram sobre o tema, traçando uma comparação entre a malandragem & a bandidagem foi o seguinte:
Malandros usam de artimanha: sedução, enrolação, marginais ameaçam, utilizam violência e coação.
A malandragem é uma tradição, vem do antanho, é uma arte de sobrevivência, o malandro é uma figura simpática, folclórica, bem quisto, não raras vezes por aqueles a quem denomina "otários" e num passado recente teve a habilidade de enrolar no baralho, na sinuca, no bilhar.
A bandidagem recorre a métodos diretos sempre violentos para obter o que quer.
Os golpes que o malandro pratica visam pessoas de posse, mas não ambicionam grandes montantes, senão o suficiente para as suas necessidades e dos seus.
Malandros são elegantes, bem vestidos, traquejados. Não recorrem às armas senão em caso mui particular, urgência extrema, onde correm risco de morrer.
Bandidos utilizam a violência gratuita. Não respeitam a nenhum código de honra realmente fundamentado.
Mas esse romantismo todo pelo qual tenho atração, essa mítica entorno da vida & “obra” de malandros famosos como Madame Satã, entre outros, é coisa do passado distante. O que agora impera é a vagabundagem, e esse tipo de marginalidade nada tem de folclórica ou pitoresca, é a simples lei do cão.


¹ Título do livro escrito por João do Rio

13 de jul de 2009

CAMPO MINADO

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A sensação é bem essa: andar sobre um campo minado, tal a sorte de armadilhas a espera dos incautos caminhantes... Os caminhantes somos nós, a massa que constitui o organismo coletivo chamado povo. Segundo a definição muito apropriada de meu amigo - talentoso escritor, Lima Trindade: o povo é como "um ser anamorfo". E passivo, conquanto haja vale bóia, vale gás, vale tudo! Anamorfos, exatamente assim devemos nos sentir após a série de explosões que converteu nossos ossos, músculos, tendões e sangue numa pasta, quiçá num patê comestível a ser degustado pela plenipotente classe social deste país que pode ,e, como diria a sábia boneca Emília personagem de Monteiro Lobato, despode como bem quiser. A serviço desta elite rapineira de falsa origem aristocrata, que flana ao som de músicas ridículas nas festas e recepções registradas pelas lentes (opacas) de Amaur Jr. e outros tais; a serviço dessa corja, estão os pequenos e ativos mandaletes, os políticos nacionais. Constituindo uma sub-categoria em escala, os pequenos burgueses da política nacional constituem classe à parte da aristocracia - o baixo clero. Flertam e ambicionam o glamour daqueles de pedigree a quem servem e aos quais procuram imitar inclusive no "allegretto" das contas na Suíça, Caimans e outros hotéis pra dinheiro sujo espalhados por esse mundo mal conformado.
A sensação é viver amarrado com um grilhão no pé sob a ameaça do relho dos patrões. A sensação é a de um idiota, impotente frente aos desmandos, escândalos, absurdos e abusos perpetrados por essa camarilha que realiza atos secretos. Que paga salários milionários à ascensoristas, parentes, encarregados de garagem, motoristas e outros pequenos nababos do congresso nacional. Sem falar nos diretores e sub-diretores principescos sobre alguns dos quais pensam em "desovar" a culpa dessa farra com a res pública, a coisa pública, que afinal, se é pública, se conforma como uma meretriz... Mas, cá comigo penso que a mais baixa das meretrizes talvez se recusasse a atender os desejos de gente tão aplicada em lesar a Pátria.

9 de jul de 2009

MALAS & MALETAS S.A

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A saúde política do país, por mais incrível que pareça, pôde ser demonstrada nesses últimos meses através dos escândalos do senado. Explico: em outro tempo não muito distante tais maracutaias e desmandos ficariam fora das vistas do povo. Não haveria o menor indício das falcatruas, ninguém seria apontado como autor ou cúmplice dessas barbaridades.
O lado positivo da democracia consolidada é esse. Confusões e safadezas postas ás claras para que o povo, eleitor de tantos e tantos políticos sem categoria nem vergonha na cara os possa avaliar e não repita o erro de ceder-lhes mandato em seu nome.
Ainda que eu discorde do regime capitalista e sua teimosia absurda em elencar classes sociais. Ainda que eu abomine as práticas vendilhonas, a interferência cada vez mais imoral dos interesses privados nos assuntos públicos. Ainda que eu não concorde com nada da situação estabelecida, de completa desconfiança no legislativo brasileiro infecto por indivíduos ratoneiros e oportunistas em todos os níveis e camadas. Ainda assim eu não posso, como democrata, desejar a extinção do legislativo. Nem pensar.

5 de jul de 2009

BULLYING - SÓ PARA MASOQUISTAS

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Nas películas estadunidenses o tema é recorrente - o Bullying, a opressão e violência praticada por um indivíduo ou grupo contra outros, supostamente fracos ou indefesos. Explorado de modo obsessivo esse assunto assume proporções endêmicas nos filmes yanques. Embora tal tema me pareça esgotado como enredo cinematográfico, e sim um caso para psiquiatria e justiça comum, os filmes norte americanos continuam insistindo em apresentar o assunto.
A última produção que assisti, trata-se de um filme da década de noventa, Rick Moranis, o baixinho beiçudo, de óculos grandes, tremelique, que protagonizou um contador no filme Os Caça Fantasmas 2, fazia as vezes de um professor de escola secundária, perseguido por outro professor da mesma escola.
De modo covarde o pequeno Moranis evita a todo custo encarar seu opositor ou revidar as agressões. Humilhado continuamente por seu antagonista doentio, o fisica e psiquicamente frágil Moranis, (que representa sempre a si mesmo) um adulto amedrontado, com baixa auto estima e deprimido, está à mercê de seu algoz. Sujeito violento, sádico com pouca capacidade intelectual. Tipo estereotipado de norte americano brutamontes...
Lembro de ter me irritado com a abordagem do filme. Não me recordo de qualquer ocasião em que o cinema latino americano ou latino europeu tenha aludido a esse tema. Talvez porque na cultura latina não haja uma relação pré-estabelecida entre fortões opressores e fracotes oprimidos. Sem dúvida existem os dois tipos, porém as fronteiras entre eles na cultura latina são menos visíveis.
Enquanto assistia Rick Moranis resfolegando, fugindo na costumeira tropelia histérica dos bobões metidos a engraçados (???) do cinema idiotizante yanque, pensava:
- Há pelo menos dez mil anos o conteúdo da caixa craniana de um homo sapiens sapiens o habilita a sobreviver em detrimento de sua pouca força frente às feras. Tão fácil resolver uma parada dessas. Se acha que não dá pra encarar na mão, por falta de habilidade, etc. Apela pra estratégia: Pega um bom pedaço de pau e tocaia o mané fortão, de preferência num local ermo à noite, sem testemunhas. Primeiro fratura um dos joelhos do cara. Bate forte! Se com a dor ele não perder a consciência (coisa improvável), quebra o outro. Espera ele dizer alguma bobagem, eles sempre dizem alguma bobagem, até fazem ameaças. Aí calmamente diz a ele o que vai suceder. Que sua última visão deste mundo será uma mancha, um borrão escuro, enquanto ouve a própria caixa craniana se partindo.
Afinal nós, descendentes de Dom Diogo "Caramuru" e Paraguassu (da tribo Tupinambá) temos por tradição descer o tacape nos folgados sem nenhum problema quanto a remorso ou consternação.

21 de jun de 2009

MUITO ALÉM DO ORKUT

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Toda vez quando surge uma pequena chance de democratização da educação e da cultura, rapidamente os "velhos coveiros do carnaval", como bem os classifica Aldir Blanc começam a urdir seus planos em segredos. Com atos secretos & decretos que esbofeteiam a cara do "polvo": esse um ser tentacular, anamorfo, quase subjetivo. Atualmente entre um escândalo do senado, outro da câmara dos deputados e, de quebra algum sururu estadual - que ninguém quer perder essa "carreira" (risada prazerosa em off); a bola da vez é creditar ao Google e ao Orkut a responsabilidade por todas as perversões do mundo. Seguindo um raciocínio "patrulhar" yanque, querem por ato ou medida provisória aplicar cerceamento à liberdade do Orkut e fiscalizar o Google. Práticas essas comuns no Irã e na China, só para citar dois exemplos.

Coisa é que sem o advento miraculoso do Google Books eu, modesto pesquisador, escritor, estudante, não teria acesso às raras publicações nacionais e internacionais que contam mais de setenta anos, e, por força de lei teriam (na prática selvática de um governo inerte quanto a educação não é assim) de ser disponibilizadas gratuitamente à todos os interessados. Explico: os direitos à propriedade intelectual contemplam o autor ou detentor do chamado "copyright" a recolher dividendos por exatamente 70 anos a contar da publicação ou gravação da obra. Após esse período torna-se domínio público.

Mas no Brasil sil sil das mulheres fruta (cabeças de porongo) celebridades instantâneas não é assim. Primeiro a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro - que promete mas não cumpre, não disponibiliza online nada que valha a pena para um pesquisador inscrito. Segundo, os livros solicitados aparecem como disponíveis em lojas e livrarias. Marcados e etiquetados com preço bem à vista. Porém amigos, há a maravilhosa ferramenta do Google Books. Basta cadastrar-se: Voilá! O Google disponibiliza online livros e mais livros raros e raríssimos para serem copiados, gravados ou só armazenados na sua biblioteca virtual.

Curioso sobre a procedência dessas obras fui investigar quem as tinha digitalizado e posto a circular de forma absolutamente democrática na web: pois bem senhores e senhoras meus vizinhos que lêem esse "anedotário"; tratando seriamente a educação e o ensino os responsáveis por essa iniciativa realmente venerável são as universidades de Harvard, UCLA, Sorbonne e outras tantas instituições sérias dos Estados Unidos, Canadá e Europa preocupadas e interessadas para com a cultura e a educação. Quanto às universidades do Brasil, até tentam fazer o mesmo. A USP e a UNICAMP de São Paulo iniciaram um tímido projeto de digitalização de seu acervo. A bibliteca Nacional, como já disse, põe tantos impecilhos para um download, tanta buracracia e formalidade, que o sujeito desiste logo.

A canalhice demanda muita falta de vergonha. Sem nunca terem mencionado em entrevistas o lado absolutamente democrático do Orkut e do Google os políticos malandros, salafrários deste feudo de bananas d'onde infelizmente não saí quando era tempo, vão no "vai da valsa" enrolando e procurando chifre em cabeça de cavalo. Que vão cuidar da roubalheira generalizada e tentar botar na cadeia a camarilha sem freio sanguessuga do povo deste país, e deixem em paz a única ferramenta realmente democrática que temos e da qual nos valemos para fins de ilustração e educação. Tem lá suas mazelas esse Google e esse Orkut? Tem. Mas democracia é exatamente isso: discordar do ponto de vista do outro, defendendo o direito dele a expressar esse ponto de vista até a morte! (E esta lição democrática aprendi com o grande mestre Voltaire!)