Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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29 de mar de 2009

NARRAÇÃO MUSICAL

Hoje excepcionalmente eu não estou irritado com o fato de terem mudado a ortografia da língua apocopando acentos. Dos hífens não reclamo, mas os acentos ajudam a compreensão da palavra: por sem acento circunflexo é preposição, com acento circunflexo verbo. Todavia a partir de agora por, preposição, e por, verbo subentender-se-á atentando ao contexto frasal. E fodam-se todas as crianças que leem mal. Muito mal. Hoje excepcionalmente não me ocorre nenhuma gana de sair por aí espinafrando as tentativas ridículas de se levar à população uma educação menos rasteira. Tampouco o descaso para com as famílias nas periferias das grandes cidades. Sem estrutura de saneamento básico. Sem acesso á saúde. Sem um livro para ler. Um miserável livro para ler. Essa matéria substanciosa, esse maná para o espírito, essa dádiva mais necessária do que o pão. Hoje excepcionalmente não me arvoro tanto. Nem planejo uma fuga desse país de ladrões. Só assisto o jogo bobo da seleção nacional. Mas, silêncio no áudio da tevê, pois escuto a grandiosa Elza Soares interpretando Chico Buarque no impagável Do Cóccix Até o Pescoço. Para Elza, Chico Buarque, Jards Macalé, Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, para Paulinho da Viola, João Gilberto, São Cartola, São Pizindim, São Jobim e São Noel... SARAVÁ!

28 de mar de 2009

ABANDONAI TODA ESPERANÇA

Foto: G1 Portal de notícias da rede Globo/RJ.

Terceiro mundo. Pertencer a esse mundo, de terceira ordem, terceira categoria, terceira qualidade exprime exatamente qual significado objetivo? Talvez signifique ser a ponta de estoque, a linha de frente da boca de fumo. Mal trapilho, mal formado, disléxico, cretino e bem armado. Prestando serviço ao grande chefão incógnito. Esse ao contrário dos "bois de piranha" lá dos morros, varejistas muito desorganizados, vive à sombra dos "oitis" da fortuna. Não aparece jamais. Movimenta contas em paraísos fiscais, enquanto o outro movimento, movimenta-se via satélite trocando tiros com a polícia. Em pés de chinelo. Sem camisa. Brandindo boas pistolas e bons fuzis, mas, sem saber minimamente como utilizá-los. Sem conhecer táticas seguras para sobreviver à guerrilha urbana. A mortandade entre eles é enorme.




Terceiro mundo, terceira via, terceira vez, terceira tentativa. A qualquer momento em um país sério, de moral elevada, sem a picaretagem e a maracutaia, sem o relacionamento indecoroso & a proxenetagem estabelecidos entre as esferas do poder público e do setor privado, essa situação seria facilmente resolvida. Exterminada a figura do financista do tráfico o orgão público assumiria a comercialização de entorpecentes eliminando de vez a fraude na mistura das substâncias e a figura do meliante rés do chão. Não fosse a promiscuidade existente num país de leis frouxas manipuladas por políticos espertos, por ratazanas vorazes, haveria solução para todos os desmazelos.




Mas, a mentalidade terceiro mundista impede muitas coisas. Impede às mulheres vitimizadas por uma vida difícil e pobre, decidirem se querem ou não terem filhos, porque simplesmente é crime abortá-los. Impede aos homens usarem preservativos porque a fé católica reza o sacrossanto da função reprodutiva. Pouco lhe interessando se vão contrair ou disseminar a AIDS. A fé regula a vida do laico, como se fora a verdade máxima. Como se não fora a inutilidade estúpida e grosseira de um terceiro mundo acossado pela crendice supersticiosa. Crendices e parlendas, certamente não espalhadas pelo Cristo cuja mensagem única e distinta era: Amai-vos uns aos outros!




Terceiro mundo, terceira onda, terceira chance.

22 de mar de 2009

MEUS DOIS POETAS ASSINALADOS












(...) madrugada fria já, mal e mal outono. Se levanta do chão um vapor, névoa espessa fazendo cintilar ainda mais os raios de sol incidindo oblíquos sobre todo lugar.
Os galos cantam para acordar o sol, e eu me recordo do poema de Ferreira Gullar: Galo Galo.
Galo galo/ de alarmante crista, guerreiro,/ medieval/ de córneo bico e/ esporões, armado/ contra a morte,/ passeia//
A madruga teima avançar dia adentro como um rio avança milhas e milhas na salina do mar. A madrugada insiste prosseguir fulgindo, em desacordo com minha preguiça, e essa também avançará.
Durante o dia, minha pachorra tão engenhosa vai imaginar desculpas pouco convincentes para tentar me fazer adiar tarefas cotidianas. Deveres comezinhos como lavar o rosto, tomar banho, escovar os dentes. Rotinas prosaicas, maçantes. Rotinas responsáveis pelo tédio & renitência, a birra do poeta Fernando Pessoa pelo hábito de as cumprir sem pensar. E, finalmente a confissão de sua rebeldia contra elas, fazendo-o deixar de lado o banho e outras rotinas da higiene pessoal. Eu não sou Fernando Pessoa, embora haja dele um pouco naquilo sentido por toda humanidade, e, bastasse para isso comprovar ser o poeta antes de tudo o meticuloso ser urdindo a verdade de tudo a sua volta. Encampando a realidade. Malhando as víceras da música na forja fria das palavras. O poeta é cirandeiro, griot, contador de causos, cordel, repente, o poeta não compra nem vende, o poeta entrega, dá de seu sustento sem preocupar-se com o amanhã a lhe encontrar anêmico, tísico - hemoptise verbal & substantivada, concreta.
O galo tal e qual o poeta se arma contra a morte... Eu não sou Ferreira Gullar, não sou Fernando Pessoa. Meu nariz não cheira a mistura olorosa das quitandas e armazéns nos bairros de São Luís. Minha visão da janela não se abre a uma tabacaria, nunca fugi para fora da possibilidade de um soco. O mundo - mesmo em face da morte, não parece lugar tão ameaçador a ponto d'eu me tornar neurótico e daí genial.
Arrasto minha preguiça de domingo bocejando, sabedor: Não haverá pregão nem feira. Os armazéns permanecerão abertos só até o meio dia, e, o da esquina vende frango assado.
Definitivamente não sou Fernando Pessoa. Tampouco uma encarnação sua abastardada num mazombo tez oliva, em cujas artérias corre um sexto ou mais de sangue cafre. De sangue hamita, baralhado ao comum da terra, desse gentio a quem tomaram alegrias, bosques, rios, vales, serranias, altivez, esperanças e saudades. Certamente não guardo menor parentesco para com Fernando Pessoa, por mais improvável e tortuoso traçado genealógico pudesse ter havido desde a cepa original do poeta até algum meu contraparente. O mesmo não digo de José Ribamar Ferreira.
Ferreira Gullar e eu comungamos sob esse sol ora inclinado, a pachorra cálida ameraba e a expedição da mouraria.
Porém há diferenças entre ele e eu; sou homem bruto para as sutilezas. Meus olhos demasiadamente claros, límpidos não se prestam a mistérios ou lirismos desbragados. Não distinguem dentre tons de cinza as várias nuanças, requintes, texturas: esfuminho, sombra e opacidade.
E há semelhanças também: Somos homens simples tal o nascer do dia, singelo efeito da mecãnica celeste. Ousamos sonhar a liberdade. E essa candeia dependurada agora sobre o mundo onde adormeço será sempre nossa certeza de honesta claridade.

21 de mar de 2009

A BIGORRILHA & A PANTALHA


Cá nessas plagas incultas da pampa, onde já ameaça outono, mal e mal, costuma-se usar a corruptela: "bigorrilho" ao invés da forma correta bigorrilha, para designar um sujeito sem serventia.Um vagabundo.Um canalha, ou tal qual dizemos: um "alcaide".

Alcaide, título de um cargo equivalente a prefeito entre os mouros da península ibérica antes da reconquista cristã pelos idos de mil quatrocentos e la vai fumaça... Seria mesmo um vaticínio os rio grandenses denominarem "alcaide" qualquer sujeito tramposo, vil e ratoneiro, vivente a custa do povo?

Pois senhoras e senhores meus vizinhos leitores desta quase encíclica apostólica (Aproveitando o encejo:Lisiane não esqueci minha dívida aí na lancheria, não te preocupa! ), mas como dizia antes do mea culpa, meus vizinhos, se nossos antepassados já atentavam para o advento do "alcaide", bigorrilha ou intriguista, como queiram; como devemos nos portar frente a sangrias venais mais perigosas? Vejam vocês: O glorioso senado da República (velha senhora traída por uns e outros) tem um orçamento anual montando a três bilhões de reais ano. Repito: são três bilhões de reais por ano. É um PIB superior ao de muitos países adeptos dos genéricos - traduzindo: Contrabando.

Pois aquela casa símbolo da democracia (riso desbragado) consome (suga vorazmente) essa quantia derramada dos bolsos nacionais. E eu pergunto a vocês meus amigos, vizinhos & credores condescendentes: Até quando deixaremos espichar a pantalha para esconder os defeitos do abat-jour?
Senhoras e senhores, meus caros confrades e coleguinhas cidadãos votantes nos enfezados parlamentares elementares - my dear Watson! Há 181 diretores dentro do senado federal; é diretoria pra dar com pau! Haja pau! Diretorias inventadas ao melhor estilo enredo de carnaval. E tudo isso me faz lembrar o mestre Joãozinho Trinta e sua frase lapidar: "Quem gosta de pobreza é intelectual. Povo gosta é de luxo!" Acrescentaria á irretocável expressão: Não somente o povo aprecia o luxo. Safardanas & mequetrefes ascendendo socialmente graças às manobras eleitoreiras de carrapitos mechados - elencados às excelsas paragens a esguelha do "senatu" (câmara a qual os romanos se referiam como assembléia dos velhos) apreciam o fausto. Certamente a corte senatorial também, haja visto o número generoso de cargos e vantagens distribuídos a essa plebe serviçal. Cargos com nomenclatura pomposa para o regozijo dos subalternos quando declaram-se em voz alta: - Cicrano de Tal, diretor da subsecretaria de autógrafos e redação oficial. Fulano, coordenador da atividade policial.
Isso mesmo senhoras e senhores há uma polícia senatorial, certamente o uniforme dessa instituição é ao melhor estilo dos guardinhas pimpões dos tempos do cinema mudo. Mas as cacetadas desferidas por eles ardem mesmo no nosso lombo, e doem no bolso de cada cidadão desse imenso circo com lona armada de pantalha colorida.

15 de mar de 2009

INSIGNIFICÂNCIA DOCUMENTAL

Rembrandt - São Mateus e o Anjo
Ana Maria Braga, em uma de muitas entradas ao vivo no big bosta brother brazilzilzilzil, (agora com échio) com letra minúscula e com "z" de zorro e de "zoiúdo" com assento, disparou seu torpedo intelectual cuja carga bacteriológica é uma arma secreta de destruição em massa que pode contaminar milhões de mentes em fração de segundo: -Qual é a sensação de ter uma pessoa a menos na casa?
A inquirição da nossa professora se refere ao defenestrar de mais um desinfeliz daquele barraco chique onde não fazer nada e fofocar o tempo todo vale um milhão de reais. Além de fama isntantânea pelos quarenta e cinco minutos seguintes. Contudo, a pergunta de nossa querida apresentadora não faz sentido.

Senão vejamos:
a) todos os participantes não tem laços familiares; tampouco houveram ligações afetivas pré internação na casa. Relacionamentos estabelecidos ao acordo de cada indivíduo dizem respeito a sua necessidade psicológica de pertencer a um grupo (uma característica primata), por isso cada um deles vai buscar o reforço das alianças para uso de estratégias de permanência dentro da casa, e, por conseguinte, sobreviver às eliminações da competição.
b) Para todos os efeitos o reality show se trata de uma competição, de um jogo de habilidades comportamentais, para o qual pré disposiçao a chantagem, a manipulação da verdade, e outros tantos aspectos (habilidades) pouco recomendáveis do caráter humano contam pontos a favor. Tratadando-se de um jogo é natural haver uma eliminação progressiva entre os participantes.

A pergunta piegas da néscia apresentadora, temerária por se dar ao risco do improviso, não tem lógica ou cabimento. Aliás, em nenhum momento suspeitei a presença de um pingo da velha lógica cartesiana habitando o córtex do cabeção oxigenado & teratológico.

Todas as peripécias "assombrosas" flagradas ao vivo por um sem número de otários que pagam para ver o big brother, e pior ainda, telefonam atendendo aos apelos da emissora apara votarem nos candidatos à eliminação, vão do mixuruca ao sem propósito - sem preâmbulos nem comiseração. No vale tudo por dinheiro ninguém é poupado. Trouxas que assistem a maioria absoluta de idiotas murmurando asneiras diuturnamente dentro de uma casa, se dão ao trabalho de pagar caro pelo voto que dão, pios, caritativos de ajudarem a quem simpatizam no jogo, ou por outro lado convencidos de que seu voto é um ato de justiça. Pondo para fora do jogo o participante com quem não podem compactuar.

Cada votação representa um lucro astronômico para a emissora. Mas, os otários de fora e os otários de dentro assinaram uma espécie de contrato de exclusividade. Os de dentro, de fato estão sob força de promessa, da palavra empenhada, os de fora se encontram magnetizados frente as telas de computadores e teves espiando a vida no aquário porque suas próprias vidas não tem nehuma graça.

11 de mar de 2009

TUDO A VER... A EDUCAÇÃO E NÓS, OTÁRIOS PLANTONISTAS






É sabido que, por lei regulamentar, uma obra musical ou literária, com setenta anos ou mais se torna domínio público, certo? Aí "vareia" é a alternativa correta... Enfronhado em mil pesquisas de ordem musical & folclórica, fui, alegre e pimpão da vida recorrer ao "goole books" para baixar uns livrinhos de folcloristas como Mário de Andrade, Melo Morais Filho, Luciano Gallet, Câmara Cascudo e pasmem: Alfredo de Sarmento - pesquisador do século XIX; todos os livros pretendidos com setenta anos ou mais.
Resultado: A "filhadaputice" indiscriminada no Brasil permite a empresas como livraria Saraiva, Submarino, etc. Comercializarem na internet obras didáticas que deveriam ser de domínio público há tempo. Impedindo o download gratuito.

Mas nem tudo está perdido; e viva o Tio Sam. Bibliotecas como a da Universidade de Chicago, a UCLA de Los Angeles, Harvard etc. não só tem essas obras como as disponibilizam para download na internet. Basta para isso conhecer um pouquinho de inglês e cadastrar-se.

Envergonhado por ter de recorrer a um país estrangeiro para baixar obras de autores brasileiros e portugueses que deveriam estar disponíveis conforme reza a lei, tive de me conformar. Afinal precisava dos livros. Enquanto, certamente, aqui no Brasil alguém está levando uma boa grana com tudo isso.
Esse tipo de canalhice institucional de um sistema que não faz porra nenhuma pelo povo justifica a merda e a corrupção na qual este país sempre esteve chafurdado.

4 de mar de 2009

QUEM DÁ MAIS?





O Rio de Janeiro continua lindo. Verso de Gilberto Gil na canção Aquele Abraço, felizmente ainda se confirma a opinião do baiano ex ministro da cultura, pela qual, pouco, nada fez. O Rio de Janeiro continua lindo.
O Rio de Janeiro decantado paraíso do tráfico: Com estardalhaço e efeitos cinematográficos as câmeras da mídia nacional e internacional acompanham unidades da polícia no confronto contra traficantes. Estouram-se bocas de fumo. Intensa fuzilaria. Troca de tiros. Balas perdidas, achadas por cabeças civis "raspando catulê" à força. Bolando pro santo pra nunca mais... A miséria se confronta com a remediada farda á beira da miséria para trocarem projetéis de variado calibre. A pequena praça de guerra morro acima transforma em caos a vida da comunidade. Essa comunidade acostumada viver à margem.Uma vida dedicada á pirataria. Fazendo "gatos" em redes de água, telefonia, tv a cabo, internet e energia elétrica - e tem mais de fazer mesmo...
Porém, nessa arena cotidiana onde defrontam-se meliantes & paladinos da justiça somente uns poucos saem vencedores. São os arquitetos dessa balbúrdia desorganizada. Os colarinhos brancos os quais, neste país, chamam-se de "doutores", mesmo não havendo os gajos passado perto de uma faculdade de medicina (bobagem, qualquer um pode se doutorar em muitas especialidades).
Figurões da política que desviam grana pública fazem maior dano à sociedade do que os "pontas de estoque" das bocas de fumo. Tem prerrogativas e imunidades parlamentares, alimentares & corpo fechado nas macumbeiras classe "AA". Não vão pra cadeia mesmo comprovadas suas fraudes, falcatruas e bandalheiras em geral. São os profissionais do ganho nas casas parlamentares federais, estaduais, municipais. Nada os pode parar.Usam de slogans oficiosos do tipo: Rouba mas faz!
E essa ciranda (infelizmente não pertencente à querida Lia de Itamaracá) continua sua gira neste país de faz de contas. Quem se importa? O país está há venda, pessoas estão à venda, a dignidade se compra relativamente barato. Quem dá mais?

2 de mar de 2009

NADA DE NOVO SOB O SOL

Fonte:www.fotolog.com/johnbraga


A vanguarda desapareceu do cenário da música pop nacional mais afastada das raízes do samba e da bossa nova. Mutantes, Casa das Máquinas, O terço, Almôndegas e Zé Rodrix- com toda ótima qualidade que possuem, infelizmentne continuarão a ser "velhas novidades" para as gerações que vierem lhes dar ouvidos. Todavia em matéria de um som pop bem tirado ninguém conseguiu sequer uma beira, ou seja, ninguém se aproximou - não ousou, chegar perto da sonoridade de um Tim Maia, de Jorge Benjor, de Jards Macalé, Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Luiz Melodia e Karnac.
[...] Numa cena musical revisitada periodicamente por insossas letras & melodias paupérrimas, em sentido literal: desonestas! Havendo a tão desejada originalidade fraudada pelo uso abusivo de padrões melódicos, harmônicos e rítmicos explorados à exaustão. Tendo, esses padrões, caído no domínio público pela impossibilidade de identificar-se com precisão a autoria. Há trinta anos ou mais, sofremos ataques da repetição desmesurada. A produção em série de músicas ruins e ao gosto de uma alcatéia faminta por carniça, sem prestar muita atenção na sonoridade, letra, condução, afinação... O negócio - parodiando meu ídolo Zé Trindade, é rosetar.
Entretanto, "entretantos" cagalhões sonoros despejados diuturnamente nos emissários "merdalhosos" dos ouvidos preparados ou não vez ou outra oxigenamos o sangue venoso com alguma réstia de Belchior, Zé Ramalho e aquelas antigas do Vitor Ramil e do Nei Lisboa; as que não são chatas. Porque no teatro de devastção; no cenário de terra arrasada do pop canção brasileiro com "échio" ouve-se muito raramente vozes como as de Ednardo, Elomar, Vital Farias. Vozes que dificilmente tornarão nos deleitar. O motivo? Efeito colateral da cultura de massa; Sumiço do que é bom. Rompimento da frágil linha divisória entre educação e padronização - formação de autômatos, repetidores, copiadores, clonadores de idéias alheias pela incapacidade crítica de obterem por si mesmos opinião original.
O banimento da formação de cidadãos com consciência crítica pode ser bem vantajoso para os mandatários do poder oficial. Afinal, povo descontente vota diferente. Vejam só. Consciência Crítica, uma qualidade valorizada, encejada, perseguida eu diria, por aqueles antigos mestres estudiosos da filosofia na Grécia dos pré socráticos, na China Confucionista, e demais nações onde a razão nunca era confundida com razia.
Por falar em razia, foram os belicosos romanos os reponsáveis por chegarem até nós fragmentos desses conhecimentos. A burguesia romana, acusada de fútil e vaidosa - opulenta classe de gente frequentadora de bacanais e termas, tinha lá seu lado letrado.
Chegou a nossos dias o relato do escritor, orador, jurista, político administrador da Bitínia, Caio Plínio Cecílio Segundo, ou simplesmente Plínio, o moço. De acordo com ele, os ricos romanos afeitos à leitura chegavam dispender fortunas na construção e embelezamento de seu próprio "auditorium". Burgueses patrocinadores das letras, acalentavam por sua vez o sonho de se tornarem escritores afamados. Para isso promoviam encontros de leitura em suas residências. As leituras de peças e livros ali podiam se estender por dias, e, esperava-se de uma platéia educada, além da permanência até o fim da leitura, reações e intervençõs apropriadas ao passar do texto como: gargalhadas e chistes para partes engraçadas . Comoção quando o texto se deparava com drama. Apupos, palmas de encorajamento, exclamações; ovação consagradora. Tudo durante o transcorrer da leitura.O silêncio era considerado sinal de desaprovação, quando não desrespeito ao autor leitor ali presente. Dorminhocos eram julgados grosseiros.
Mas, que raios a veleidade e os costumes da aristocracia pretensiosa da Roma antiga tem a ver com a degeneração da música pop ocidental?
Tudo. Sem o hábito da leitura não há fonte de argumento, ou mesmo vocabulário razoável. Artistas do cenário pop mundial como Bjork tornam-se excessões. A massificação cultural substituiu a leitura pela diversão televisiva computador e video games. Todos os estudiosos rançosos ou não, mais ou menos previam a decadência da arte em geral através da inovação boçal ofertada pelas novas mídias. Ninguém se ocupou de minimizar o problema. A epidemia foi deflagrada. E deste caminho não há volta.

1 de mar de 2009

COMÉDIA EM TEMPOS DE ESTIO

Foto: www.fanpop.com



Jerry Lewis era um cara engraçado. Comediante clássico na linha do pastelão, durante os anos cinquenta fez dupla com o cantor Dean Martin. A dupla se desfez em 1956 e Jerry Lewis seguiu carreira solo.
Sem dúvida a inspiração de Jery Lewis eram os comediantes do tempo do cinema mudo: Buster Keaton com sua fórmula universalmente copiada: as "gags". Técnica antiquíssima para fazer rir (remetendo aos bobos das cortes medievais e às troupes de saltimbancos) baseada em saltos, quedas, tropeços etc.
Também Charles Chaplin, na mesma linha (e dizem imitador de Buster Keaton) influenciou o tipo atrapalhado e simplório composto pelo ótimo Jerry Lewis. Além desses, Oliver Hardy e Stanley Laurel - a dupla o Gordo e o Magro; os impagáveis reis do pastelão, os três patetas: Moe, Shemp e Larry. Todos filhos diretos do popular "vaudeville", em voga até os anos trinta aproximadamente, e, o próprio "vaudeville" (teatro de variedades pai da comédia moderna); foram elementos essenciais na composição artística e maneira de atuar do comediante Jerry Lewis.
O rapaz ingênuo, tímido, desastrado e de bom coração inventado por Lewis fez escola no gênero da comédia. Atores como o inglês Doodley Moore (além de ator bom pianista de jazz) em filmes como Arthur, O milionário sedutor, ao lado de Liza Minelli, interpretaram um tipo muito semelhante ao humilde, tímido e atabalhoado personagem Jerome em O rei do circo de 1954.
Tenho saudades daqueles tantos filmes de Lewis interpretando tipos engraçados, introvertidos, trapalhões, mas sempre bem intencionados.
Atualmente talvez somente Adam Sandler e Rowan Atkinson, o popularíssimo Mr. Bean, tenham o poder de me fazer sorrir. Eu disse sorrir, não dar gargalhadas.
Por outro lado, comediantes como Jim Carrey me desanimam. O próprio Jim Carrey é um ator muito fraco, quase sempre interpretando personagens "polichinelos", dependendo exclusivamente da "gag", da estrepulia; dos trejeitos bizarros e escatologias para levar adiante a piada. Rowan Atkinson, ou melhor, seu alter ego Mr. Bean, também faz uso dos gestos em detrimento das palavras. Porém, seu tipo neurastênico, teimoso, ranzinza e mau caráter em um nível infantil, é absolutamente encantador. Não há tempo ruim para Mr. Bean, ele encara todas com sua tremenda vocação para a engenhosidade numa escala próxima ao bizarro. Por exemplo: Quando Mr. Bean decidiu pintar o pequeno apartamento de dois cômodos achou uma solução rápida para levar a cabo a empreitada: Pôs dois ou três fogos de artifício dentro de uma lata de tinta branca e acendeu o pavio. Resultado? Uma pintura perfeita, não fosse a silhueta impressa na parede de alguém que entrou por engano no seu apartamento justo no momento da explosão. O excêntrico (para dizer o mínimo) Mr. Bean com seu inseparável, encardido e feio ursinho de pelúcia Teddy, se comporta às vezes com extrema mesquinharia. Todavia, igual uma criança, a crueldade demonstrada pelo cândido Mr. Bean nunca tange a perversidade. Se parece mais com uma peça, como os chistes e pequenos embustes pregados pelos querubins.