Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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20 de out de 2009

DECREPITUDE GERAL


fonte: cousasecausos.com


Entre decrépitos, senis, pacóvios & altamirandos barnabés mal intencionados está posto um personagem em fase de mumificação. Didi Mocó Colesterol Novalgina Mufumbo, alter ego de Renato Aragão que se limitava a fazer escada para os reais e engraçados comediantes do grupo Os Trapalhões nas décadas de 70 e 80. Esses eram os talentosos Mussum e Zacarias... Desde a morte dos dois a coisa degringolou. Os Trapalhões perderam a graça, se dissolveram. Didi entrou em decadência, pondo em evidência episódios absolutamente nonsense de Renato Aragão durante as gravações de seu atual programete na globo. Situações ridículas onde ele força piada sem graça.Corre atrás dos atores com extintores de incêndio. Faz pequenas empulhas na tentativa de ser engraçado, e produz efeito patético... No camarim de um teatro eu, ano passado conversava com um amigo músico que havia estado no programa dele segundo esse meu amigo ele, Renato Aragão, é um cara engraçado. Eu o acho um cara forçado. Além do que não respeitaria, como cliente, a um advogado (e Renato Aragão é bacharel; leia-se por isso o sentido literal e o figurado) incapaz de se expressar correta e claramente no seu próprio idioma. A conversa do cara é truncda. Confusa. Quase hermética, já que o sujeito não concatena direito uma idéia na outra. Enfim, pra minha decepção, pois quando criança adorava os trapalhões e o Didi, Renato Aragão pifou. E Chico Anízio nunca mais terá um programa na globo. Esse sim gênio do humor, e cronista quase tão brilhante quanto omemorável Ruben Braga.

18 de out de 2009

FALA PERIFERIA, FALA



www.skycrapercity.com

Fala Maré, fala Madureira, Fala Inhaúma, Cordovil, Pilares... Canta Chico Buarque, voz melíflua, entoando a canção Subúrbio do cd Carioca. Eu, tava disposto a trabalhar na montagem do meu livro etnomusical & quase convertido ás ortodoxias científicas, mas legalismo não é comigo, não. Nem civil nem religioso. A brejeirada tem preferência. Mas, escrevi os nomes dos arrabaldes cariocas porque desde menino amo ouvi-los. Lembro que quando alguém num filme ou numa música falava em Cordovil, Engenho de Dentro, Madureira, Osvaldo Cruz eu ficava imaginando como seria. Pensava sempre que eram lugares de muito calor. Calor como eu jamais havia sentido. Não senti, morando abaixo do paralelo trinta. Na pampa descortinada onde em pleno outubro o termômetro não passa de 20° e a gente acha que faz calor. Mas, como dizia sempre gostei dos nomes desses lugares e sempre imaginei o Rio de Janeiro um lugar mágico que seria algo mais, muito mais além de praias. A floresta da Tijuca despertava-me um fascínio à toda prova. Saber que fora replantada por ordem de um Imperador gentil homem, não um fracote, ou maricota, um gentil homem sábio e ponderado.
Quando preciso foi à guerra sem hesitações. Eu o admirava. Por causa de Pedro II, em menino quase fui um monarquista. Pois, o Rio de Janeiro que continua lindo, e o jardim Botânico lugar preferiado por um Imperador e por um compositor de música popular brasileira (Tom Jobim "passarim"). Horto onde vicejam centenárias palmeiras imperiais, sediará dois importantes eventos internacionais em sequência. Primeio a copa do mundo ano que vem, depois as olimpíadas de 2016. E, no meu desejo infantil, na minha ingenuidade de criança que pulava o carnaval no clube do bairro ao som de "Cidade Maravilhosa/cheia de encantos mil..." eu espero com toda sinceridade que desistam da idéia de construir um muro de concreto para isolar a estrada que leva do aeroporto do Galeão ao centro. Impedindo aos turistas enxergarem a feiúra dos casebres marginais à rodovia... E que, pro bem do Rio de Janeiro e do Brasil, façam menção á Mangueira, á Rocinha, à Maré, ao Turano, ao Salgueiro, ao morro do Macaco. À todas as comunidades de gente tão trabalhadora e digna. Gente maravilhosamente humana que vive sob a pressão de um sistema dicotômico imbecil servente apenas a quem tem dinheiro e precisa manter em estado de sítio a periferia, caso contrário as estratégias de poder não poderão se cumprir. Porque o tráfico senhoras e senhores não pode ser representado por seus soldados pés de chinelo e sem instrução. Gente tão vítima quanto os usuários. O traficante varejista, o ponta de estoque da boca de fumo é só mais um Zé-Mané. Carne pro moedor do sistema. O sistema representado pelo capital. O capital que financia as plantações de papoula, coca, cannabis. O capital que financia o tráfico de armas, de mulheres, de crianças. O capital que enfeia e suja a beleza do Rio de Janeiro. E que destrói gratuitamente a poesia do mundo.

14 de out de 2009

O MACACO TÁ CERTO



Olimpíadas em 2016, e, a piada da vez é: contas transparentes! KKKKKKKKK Lembro das sonoras gargalhadas do Zé Simão, inteligente e ferino colunista que recentemente digladiou-se com a pseudo atriz Juliane Paes. Que sob a chancela da todo poderosa globo, cujo fundador dizia-se marechal civil da revolução de 64, seja isso um homem conivente com desmandos da ditadura, conseguiu proibir ao sagaz macaco Simão de mencionar seu nome - aliás concordo em número gênero e grau com o que diz Simão a respeito dos famosos instantâneos - em sua coluna na Folha de São Paulo. E, por certo, noutros importantes veíclos para os quais nosso símio sapiens sapiens é e será sempre muito requisitado. Pois lembrei da gostosa e por que não debochada gragalhada do Simão ao imaginar uma conversa com nosso esperto macaco agitador.
Só posso me remeter às gargalhadas do Simão ao pensar que num país dividido entre finórios engravatados, ratoneiros de polainas & bacanas de oratória com mandatos e processos por estelionato vão deixar passar oportunidades d'oiro, d'oiro mesmo de superfaturar até a conta da farmácia de suas mães há muito falecidas para tirarem sua lasca dos bilhões que serão imoralmente investidos em obras para as olimpiadas, piadas de mau gosto num país carente de educação, infra estrutura básica, e, principalmente vergonha na cara.

9 de out de 2009







Algumas das coisas pelas quais tenho manifestado meu apreço devido a sua extrema utilidade são duas ferramentas eletrônicas. Dois softwares online disponibilizados gratuitamente pelo Google. O primeiro é o Google Docs. Uma planilha de edição de texto muito parecida com o word. Através do Google Docs qualquer pessoa tem a possibilidade de digitar textos, editá-los e armazená-los dentro do próprio Google. Pode ainda compartilhar os textos se assim desejar. Arquivá-los e trabalhar neles depois sem precisar importar para dentro do computador, coisa que é perfeitamete possível. A outra ferramenta disponibilizada pelo Google é a biblioteca virtual. Funciona da seguinte maneira: As pessoas que necessitam pesquisar livros raros e antigos, ou somente querem constituir uma biblioteca contendo os clássicos da literatura universal e não possuem recursos financeiros para adquirir fisicamente os livros, podem se valer do Google Books. Basta cadastrar-se, criar uma conta gratuita e procurar pelos títulos ou autores que lhe interessam, o Google se encarrega de encontrar e adicionar a sua biblioteca livros que foram digitalizados nas bibliotecas de universidades e fundações ao redor do mundo.



Na minha opinião essa iniciativa democrática do Google possibilitando acesso irrestrito e fácil aos livros se revela categoricamente uma ação favorável à cultura e educação. No Brasil sabe-se que bibliotecas como a da USP e da UNICAMP estão fazendo o mesmo. Digitalizando seus acervos a fim de disponibilizá-los na web. A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro também está em vias de digitalizar seu acervo, porém esbarra nos trocentos entraves da vida burocrática desse país de chefetes e "donos" de carimbo em repartições públicas. Afinal toda traça precisa de ao menos um dia de mando na vida. Onde seja mais do que um Barnabé empedernido. Mas, como dizia, a atitude sem par do Google demonstra uma consciência que, me corrijam se estiver errado, demanda algo mais além do lucro puro e simples. Coisa que esse gigante da web tem e de sobra.



Não esqueçam: Google Docs e Google Books; ferramentas indispensáveis para quem não tem grana, mas que possui sede de conhecimento.

8 de out de 2009

MUITO ALÉM DO JARDIM


Quem nunca viu deveria ver: Muito além do Jardim, EUA, 1979. Um filme com o impagável comediante inglês Peter Sellers. Nessa espécie de tragicomédia urbana Sellers interpreta um jardineiro portador de deficiência mental, que era quase um filho adotivo do dono da casa onde cuida do jardim, e, que se vê repentinamente órfão e desabrigado. Por uma série de coincidências ele vai parar na casa de um bilionário de Nova Iorque. Um velho rico que lhe abriga e o toma na conta de um amigo. Vira e mexe Sellers é assediado pela mulher do bilionário - Shirley MacLayne.

O único assunto que o pobre jardineiro domina é sobre seu ofício. Entretanto tudo o que ele fala, tanto ao bilionário quanto ao próprio presidente dos Estados Unidos lhes parece uma metáfora dotada de grande e profunda sabedoria. Enquanto Sellers divaga explicando o comezinho de seu ofício, como regar, podar e adubar as plantas, aqueles que estão a sua volta pensam ouvir desse homem (de quem ninguém sabe o passado) as mais altas lições para suas vidas. Vale a pena matar a saudade de Peter Sellers.

2 de out de 2009

A FICÇÃO CONTINUA - IMPÁVIDA.

Fonte: sacchiapadovano.wordpress.com
...Sexta-feira 14h55m o pomposo apresentador falando em nome do comitê olímpico internacional anuncia via satélite a decisão do comitê: O Rio de Janeiro sediará as olimpíadas de 2016. Regozijo nacional. A comitiva encabeçada por Lula, Sérgio Cabral, Pelé e Artur Nuzmann é pródiga em abraços, beijos, lágrimas de alegria. No Rio de Janeiro a população reunida nas areias de Copacabana explode em manifestações de alegria. O mesmo em Salvador no pelourinho. O grupo afro Olodum convocado a animar o pessoal na base do batuque falsificado (como de costume) puxa a comemoração...
Enquanto isso, no congresso nacional políticos e lobistas de plantão, ouvidos colados no rádio (via headphones) ou olhinhos arregalados frente às telas de computadores e tvs entram em êxtase cujo único momento similar de epifania é-nos noticiado a partir dos orgasmos religiosos de santa Tereza d'Ávila e se não for essa santa que se foda outra, afinal sou comunista e não pelego de papa hóstias. Seguindo... Os empreiteiros e políticos e políticos empreiteiros (categorias que se misturam e se embolam muita vez) regozijam ao som de várias vinhetas emitidas pela globo: Brasil sil sil sil sil sil... Interminável.
Será uma farra, não tenho dúvidas. Na propaganda institucional veiculada em vídeo no local de reunião do comitê olímpico a cidade do Rio de Janeiro omitiu a abundância dos glúteos que povoam as praias, mas também esqueceu das favelas. As câmeras simplismente ignoraram os trapiches dependurados em praticamente todos os morros que cercam a "cidade maravilhosa".
Afinal olimpíada não é coisa pra pobre, aliás, corrigindo: Pobre só entra como faxineiro, e olhe lá. Mas, o que mais me preocupa são as obras, as obras serão inflacionadas, superfaturadas, atrasadas. Haverá aproveitamento integral do momento político ocasionado pela olimpíada, o Brasil ao fim dos jogos se verá classificado no costumeiro 40º lugar com muito custo. Nenhuma obra necessária para a cidade babilônia do Rio de Janeiro como hospitais que funcionem e não mandem pacientes prestes a parir para outras instituições. Obras como o melhoramento das vias públicas. A construção de casas populares. Investimentos em redes de esgoto, educação de qualidade, transporte digno e segurança. Nada disso será cumprido, entretanto se ouvirão promessas eloquentes. Mas afinal pra quê tudo isso se teremos uma olimpíada? Afinal, caras como eu não passam de comunistazinhos pessimistas. E viva o carnaval!