Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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31 de dez de 2009

RASTROS & TRALHAS



Estamos todos "amorosamente" comovidos após o natal. Estamos embevecidos e contentes com o sem número de bugigangas recebidas à guisa de presente natalino. Só isso. Mais nada. Porque o capitalismo, a desmedida sanha e obstinação ilógica do lucro sobre o lucro numa crescente exponencial ao infinito, não costuma refletir sobre os motivos, ou, indo mais adiante, sobre as reais necessidades de se consumir ou não determinados artigos. Supérfluos na sua maioria... Sendo assim, estimulados pelo consumo desenfreado e sem nenhuma espécie de regra normativa de forma a preservar recursos naturais e meio ambiente, vamos "carunchando" o planeta. E pouco se nos importa a consequência disso.

29 de dez de 2009

IMPRENSA MARRON GLACÊ!

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A imprensa cachoeirense no início do século XX, tal como hoje, agia de maneira sensacionalista e covarde. Sempre ao lado dos poderosos no intuito de auferir algum lucro ou se beneficiar da posição de seus patronos. Ao povo, raia miúda, tratava de espinafrar apontando-lhe o ridículo da vidinha turra. Nada além do que a busca constante e sem sucesso por parte do povo em galgar classe, status, melhorar de vida, frequentar a alta sociedade. Tal ambição só fazia com que os populares se tornassem ridículos aos olhos da classe média, embrionária no município nos idos de 1900. Voltando à imprensa local, nada mudou na realidade. Era vituperina, parcial, amadora & sensacionalista. Vivia do escândalo, do chiste e da anedota. Caricatura social que realizava sempre em desfavor daqueles menos aquinhoados.

Quando aludia à personagens ou episódios envolvendo gente preta, tratava de conferir ás notas e notícias um caráter picaresco. Ao mesmo tempo se esforçava em aplicar ao texto certo tom apaziguador emprestando muita vez á narrativa um notável sentimento paternal.
Dirigindo-se aos leitores, os colunistas tingiam com cores brandas o negror do preto tirando-o do contexto social no qual realmente estava inserido. Deslocando-o de sua realidade fosse para bem ou para mal, a tônica era o exagero. Fazendo com que o elemento negro ou mestiço parecesse, sob qualquer circunstância, à sua feição, um tipo ideal boçal e caricato. Porém, a verdade espelhada pela comunidade cachoeirense, vez ou outra era transcrita crua nas notas da seção policial. Onde elementos de cor, fossem pretos, índios ou mestiços (bugres e pardos), invariavelmente figuravam no papel de desocupados, arruaceiros, prostitutas, pichelingues. Desordeiros para com os quais a sociedade branca cachoeirense não demonstrava nenhuma tolerância nem reservava lugar. Outrossim, essa sociedade se divertia à custa dos acontecidos: bulhas, arruaças e estrepolias perpetrados por aquelas criaturas sem direito à classe social.
No tocante ao tratamento paradoxal deferido aos elementos de baixa classe, fossem pretos ou não. Tudo dependia da serventia que esse ou aquele grupo de pessoas de baixa extração social tivesse, e, sobretudo, quanta humildade demonstrasse no acatamento dos mandos de seus superiores. Assim sendo, os "beneméritos" que empregavam lavadeiras como Tia Comba louvavam suas qualidades pelo simples fato dela mostrar-se cordata, e receber em paga de seus préstimos a quantia que os patrões achassem adequada, sem reclamar. Exaltavam suas virtudes para que seu comportamento servisse de exemplo a outros negros, na sua grande maioria desajustados não subservientes aos patrões.
De outra sorte os jornalistas eram ávidos por alarido. Percorriam as ruas diuturnamente esperançosos de que os pretos e mestiços, de natureza inquieta, buliçosa, promovessem seus "banzés" e arruaças. Fatos que rendiam notícia e posterior comentário ensejando a resenha pública, o que garantia manter "quente" o assunto por alguns dias e assim vender mais jornal. Essa espécie de seriado noticioso atiçava a curiosidade a respeito das figuras de modos tão díspares que habitavam longe nas periferias do entorno da cidade.
Porém o costume de apadrinhamento exercido pelos "dignitários da cidade" para a sorte de alguns negros e mulatos, acabou por gerar cisão entre entre as camadas mais pobres da população. Pois, aqueles afortunados sob tutela das famílias ricas ou remediadas passaram a arrogar-se diferentes dos demais pobres. Acontecia, muitas vezes, de que o filho de uma empregada fosse tutelado e feito educar formalmente em bons colégios. Esses patrões investidos na figura de verdadeiros mecenas liberais tudo faziam a fim de demonstrar sua prodigiosa bondade para com os menos favorecidos. Todavia, os limites para essa benemerência eram estreitos. Bastava uma pequena falta, um leve aborrecimento provocando desgosto em alguém da família e o sonho do preto bem tratado desmoronava. A liberalidade de fachada da elite cachoeirense, no exercício pernóstico da sua hipocrisia velada, admitia lançar suas benesses só até onde a conveniência alcançasse.

20 de dez de 2009

BANGALAFUMENGA DE NATAL!

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Joshua, shalom! No ocidente dizem chegar a data de teu aniversário, a propósito, foi Gregório XIII quem decidiu isso; há tanto tempo. Todavia, poucos falam em ti amorosos, amistosamente. Em teu lugar figura um velho gordo de barbas e cabelos longos, brancos, metido em traje vermelho, luvas brancas, botas pretas e barrete encarnado. Esse é ansiosamente esperado. Para tua tristeza Joshua os vendilhões não se contentam em mercanciar a fé e a desgraça fora das paredes do templo, eles os invadiram. Aliás, tais vendilhões edificam seus próprios templos e falam em teu nome Joshua. Enquanto cá no ocidente, no dia de natal, todas as crianças aguardam ansiosas os presentes trazidos pelo velho metido em vestidos vermelhos chamado papai noel.

Joshua! Joshua Ben Yousef - filho do carpinteiro. Em comum contigo tenho pouco: Um quarto do antigo sangue castiço semita/negróide da casa de David, a pobreza material, o gosto pelo vinho e o amor pelos amigos... Hoje Joshua, ao olhar num retrato a suposta reprodução da tua face, fui tomado por estranheza. Vi naquela imagem (apesar do réprobo de teu pai) uma estampa diferente da dos homens de nosso povo amorenado pelo sol e pela mescla com os do deserto a sudoeste de tua Galiléia. No retrato me deparei com um jovem de longos cabelos loiros reticulados, olhos azuis, tez pálida e feições muito distintas das nossas. Não pude mesmo crer fosse fiel a tua imagem...

Joshua, meu amigo, às vezes me indago o motivo para tantos doutores em teologia negarem à tua mãe - esposa de teu pai Yousef, o carpinteiro, o direito à simples maternidade. Como se o ato de parir lha degradasse. Como se não pudesse ser esposa e mãe igual a tantas outras mulheres. Não compreendo Joshua omitirem a existência de teus irmãos, ou de tê-los convertido espertamente em "primos". Transformando teu pai num asceta, tua mãe em virgem, teus irmãos em "primos", tua esposa em "silêncio" ou em prostituta. Joshua! No dia do teu aniversário um homenzinho celibatário dito teu representante, coberto em púrpura e ouro, cuja cabeça ostenta a mitra do deus persa, ajoelha-se ante um altar suntuoso. Para, segundo ele próprio: orar pela humanidade, principalmente pelos mais necessitados no intuito de lhes confortar o espírito. Como poderia ser isso Joshua? Como esse homúnculo investido de poderes seculares falando desordenadamente em teu nome poderia levar alívio e conforto aos desvalidos sem seguir os teus passos, sem aproxirmar-se deles, sem tocá-los, sem amá-los sem compadecer-se a ponto de se entregar? Como poderia esse falso profeta seguir os teus passos se o fardo às suas costas é de ouro e prata pesados? Seria capaz esse homúnculo ridículo de seguir o teu conselho ao homem rico quando esse veio diante de ti, e, respondendo a sua pergunta disseste: "- Volta, vende tudo que tens e dá aos pobres, e haverás de ter um tesouro no céu!"

Não compreendo Joshua como tal homenzinho intitulado teu representante, metido em vestidos luxuosos não segue o preceito de seu mestre. Desconheço quais motivos levam a ele e seu colegiado principesco a justificarem a posse de tanta riqueza afirmando ser necessária a fim de poderem praticar a caridade. Não deveriam esses homens congregar o povo a fim de ajudarem-se mutuamente vivendo e trabalhando em comunhão? Do teu ensinamento não deveriam simplesmente dizer: "- Amai-vos!" (?)

Jamais ouvi da boca desse homenzinho e de seus predecessores palavras claras em favor do povo. Tão somente exortações ao dever, à obediência às leis da igreja (cânone), ameaças, prescrições aos casais sobre títulos absurdos como se ainda vigisse o tempo da inquisição quando podiam esses homens mandar ao fogo quem quisessem.

Perdoa-me amigo! Não pretendo amuar-te no teu aniversário. Quem sabe? Algum dia a maioria dos homens, mesmo os descrentes como eu (e seja vergonha para os crentes um ateu dizer tais coisas) se recordem de comemorar contigo ao invés de esperarem a vinda do papai noel!

17 de dez de 2009

A MÁFIA DO INTELECTO & A POLÍTICA ARRUINADA

salvaterrademagos.oxl.pt


Os bacaninhas das letras & canções "chanson d'amour! Nest pas?" nem se abalam, ninguém chia. Os caras lá farreando. Fodendo: a paciência, a saúde, a educação - passinho à frente faz favor! Grana dentro da cueca. A oração do bom ladrão: "Senhor agradecemos a propina nossa de cada dia!" E nós nem berramos. Se berramos é baixinho. Bons cabritos não berram nem na iminência de um último suspiro quando se nos dependuram de cabeça para baixo e a lâmina afiada abre talho rubro em nosso pescoço. Mas a intelectualidade, senhoras e senhores meus vizinhos, a intelectualidade mui esperta e oportunista neste país de coronéis e rancheiros com panca de liberais, a "intelectalidade" teima nesse pós revolução cultural a distanciar-se do povão. Nada de protesto, nada de esclarecimento, nada de condenação usando a verve justa e regular dos prosódicos metidos em sabenças várias contra desmandos e desgovernos da elite que os apadrinha. Contra o escandaloso FORO PRIVILEGIADO que defende da justiça comum os LADRÕES GRAÚDOS, os larápios encastanhados em mandatos comprados. Senhoras e senhores a intelectualidade brasileira é cafetina do povo. Pornográfica. Nojenta e pouco, pouquíssimo confiável...

13 de dez de 2009

EU FIZ UM DROPS DE HORTELÃ...


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PORRA ME LEMBREI DA MÚSICA DO OSWALDO MONTENEGRO - CARA CHATO PRA CACETE, COM MUSIQUINHAS TEATRAIS CHATAS - EXPLICO: TODA MÚSICA SEM FORÇA, SEM IMPACTO, SEM PRESENÇA DE "ESPÍRITO" É MUITO CHATA. MAS A TAL MÚSICA FALAVA NO DROPS DE HORTELÃ QUE ELE HAVIA FEITO PRA: "ATIRAR NO PORÉM" DA FRASE QUE NUNCA FEZ, SEJA LÁ QUE MERDA ISSO QUEIRA DIZER. PROVAVELMENTE NADA PORQUE ESSA GENTE QUE SE SUPERESTIMA NÃO TEM PORRA NEHUMA PRA DIZER DE INTERESSANTE OU NOVO...
MAS SEGUINDO COM OS "DROPS", DURANTE UMA DISCUSSÃO UM CASAL SE MUNE DO SEGUINTE ARGUMENTO PARA ATACAR UM AO OUTRO: - TU ÉS IMATURO(A). A PIADA RESIDE NO SEGUINTE FATO: POR TRATAR-SE DE UM CASAL APAIXONADO MATURIDADE NÃO É EXATAMENTE O FORTE DE NEHUM DELES. NÃO INTERESSA SE TEM 15, 20 OU 80 ANOS. A PAIXÃO É UMA ONDA TSUNAMI NEUROQUÍMICA QUE AVASSALA QUALQUER POSSIBILIDADE DE ALGUÉM VIR A ESBOÇAR, EM MOMENTOS DE EXALTAÇÃO, ALGUM SINAL, MÍNIMO QUE SEJA DE MADUREZA, TEMPERANÇA E AUTOCONTROLE. ENDORFINA, ADRENALINA, TESTOSTERONA, EPINEFRINA - UM COQUETEL BEM REFORÇADO DESSAS E MAIS ALGUMAS SUBSTÂNCIAS DÃO CABO DA RAZOABILIDADE DOS BICHOS HUMANOS EM POUCOS SEGUNDOS E AÍ MEUS AMIGUINHOS É ÁGUA MORRO ABAIXO E FOGO MORRO ACIMA!
QUEREM UMA COISA MAIS PERIGOSA QUE PAIXÃO DESENFREADA? FÁCIL: O FORO PRIVILEGIADO. POLÍTICOS LADRÕES DO PARAÍSO CHAMADO BRASIL ALIVIAM TODOS OS ANOS OS COFRES PÚBLICOS EM "ZILHÕES" DE REAIS E ATÉ HOJE NÃO SEI DE NENHUM PUNIDO POR ROUBAR A PÁTRIA, AO POVO, AOS OTÁRIOS PLANTONISTAS & CORDEIRINHOS PAGADORES DE IMPOSTOS ESCORCHANTES. QUEM É QUE PODE MUDAR ESSA HISTÓRIA ANTIGA? NÓS - E AFIRMO, HÁ VÁRIOS MEIOS. ALGUNS BEM DIVERTIDOS. FUI.

9 de dez de 2009

TUDO É RELATIVO; OU NÃO??

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Já rezava a lei do sábio Albert Einstein: Tudo é relativo... Pois sim. Contrária á razoabilidade muitas vezes as populações de áreas isoladas se comportam contra o que pode ser considerado inteligente e ponderado. Temos dois exemplos dessa falta de bom senso: Em São Paulo, como havia acontecido em Santa Catarina pesoas constroem suas casas em barrancos e encostas sem vegetação, que, com o advento de chuvas deslizam, desbarrancam levando por diante muros e construções, causando a perda de vidas humanas. Por que constroem em locais assim? Por não haver alternativa? Sempre há alternativa. Constroem em locais assim por teimosia, por não atentarem para os detalhes. Por não se importarem em nada com a condição do local, ou a natureza que devastam para erguer suas casas. Que se danem. Não tenho nenhuma compaixão por gente ratoneira e imbecil. Moro num lugar onde há comunidades pobres. Nunca se anotou um único desmoronamento de um barraco por conta de deslizamento de encostas. Sabem por que? Porque as pessoas atentam para os detalhes. Constroem suas casinhas sobre solo firme, rochoso. Ou mesmo sobre outro tipo de solo, argiloso mas estável. Justamente pela propriedade desse tipo de terreno de ser quase livre de deslizamentos. Outro exemplo onde seria passível aplicar-se a justiça do grande Salomão, filho de Davi é o seguinte: Na Amazõnia a polícia Federal apreendeu oito caminhões de madeireiros ilegais transportando toras de mogno extraídas ilegalmente. A reação dos populares de comunidades próximas foi colocar fogo nos peneus dos carros da polícia. A retaliação justa proposta por mim seria a seguinte: Liberar os caminhões de madeira. Trazer gente com máquinas para derrubar todas a floresta em volta das comunidades que desejam a permanência das madeirreiras ilegais. Cercar essas comunidades impedindo aos moradores se deslocarem dali depois da terra se encontrar esgotada, e obrigá-los a sobreviver no terreno devastado - o que provavelmente não conseguiriam vindo morrer à mingua. Às vezes penso seriamente se todas as pessoas que nascem sobre este mundo tem direito a desrutar da natureza sem a menor responsabilidade?

7 de dez de 2009

O HOMEM E A MONTANHA


Fisicamente é impossível ao homem equiparar-se à montanha. Por si mesma a montanha é impávida, e essa qualidade da montanha a distingue do homem. Embora os agentes naturais desgastem, no correr dos milênios, sua carne pedregosa, e, vento, chuva, neve e granizo vão aos poucos desbastando a rocha, a montanha permanece inabalável. Entretanto, numa única coisa o homem, de frágil constituição corpórea supera em muito a poderosa montanha.

Neste ponto todos se voltam para o escoadouro óbvio onde este pequeno exercício desemboca naturalmente. Previsível, a conclusão, o desfecho deste texto seria, caso o produzisse um zoilo, quiçá auto intitulado mago, versado no banal lugar comum, o estrume que dá dinheiro. Depois do intróito, do "nariz de cêra" enorme - maior que a carranca do palhaço! Vem o desfecho. Entretanto, fugindo às obviedades mecânicas & ramerrões repetidos ad infinitum por eruditos de almanaque, digo a vocês: Não é o ato de pensar a qualidade diferencial entre o homem e a montanha, tampouco o fato de estar vivo torna o homem superior ao acidente geográfico inanimado: "Je pense, donc je sui!" (René Descartes). Nada disso. De certa forma poderíamos elocubrar pensando na montanha como abrigo de seres viventes e como tal em parte viva. Fosse ela consciente quiçá experimentasse, sob os milhões de toneladas de seu corpo "cataclísmico" um proceso metabólico e de pensar tão lento. Chegando mesmo a não notar nossa existência, e a perceber o passar do tempo alheia às fases da lua ou ao correr da Terra ao redor do Sol. Mas essa ainda não seria a desigualdade crucial entre a montanha e o homem. Tampouco a potência latente no homem para inventar a transcendência, e assim fingir para si mesmo ser possível alcançar vitória e sublimação ante o horror da morte. A morte tampouco o torna diferente da passiva montanha. O que os torna díspares é tão somente a capacidade humana para escolher como e quando será seu próprio fim, bem como decidir como se dará o fim a montanha.

6 de dez de 2009

OS PEIDOS DE MAO TSE-TUNG!


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[...] assisto televisão, tal e qual a juventude analfabeta funcional (digital) deste Brasil varonil lê (?) oss livros indicados pelos seus professores de literatura. Isto é:pulo canais intertemitentemente como eles pulam capítulos. Todavia há uma diferença básica para com o modo pelo qual assisto tevê: eu não espero nem desejo fixar nenhuma informação. Não tenho necessidade dessa fonte para nada. Já nossos caros (nem tão caros) educandos, que recebem do poder público baixíssima oferta de ensino no quesito qualidade. Não desejam absorver nenhuma informação. Pertencem à geração hig tech que nasce esperta, sabe tudo, se chapa & curte, e morre de modo violento - e eu não ligo a mínima pra esses tais. Porém me importo com os que, dentre essa malta pensam e agem diferente. Para os quais os mesmos professores inábeis querem muita vez impor uma literatura chinfrim com a qual eles não tenham nenhuma possibilidade de identificação. Juntando isso à falta de costume, o iletramento dos pais, não exatamente significando analfabetismo, mas um desinteresse generalizado e incapacidade de compreensão de textos de natureza literária temos em perspectiva uma hecatombe. [...] assisto televisão peidando em intervalos de três ou quatro minutos: Peido comercial. Constatando que o ruído e a duração de cada flatulência é diferente. Todavia o cheiro desagradável é sempre omesmo. Do mesmo modo procede a televisão aberta no Brasil. Peido após peido. Com sons: alturas e timbres diferentes, mas de cheiro igual. Prafrasenado o grotesco e iletrado Mao Tse-Tung num discurso ao politburo soviético: "Se vocês precisam peidar, peidem! Vocês se sentirão muito melhor depois disso!" O velho Mao certemente entendia muito de peidos e cagalhões. Na China camponesa, até hoje adubam campos com excremento humano. Contudo, mais insuportável do que os peidos do honorável Mao é constatar a bandalheira da maioria dos veículos de comunicação brasileiros. Cujo propósito, firmado na constituição são:

* Informar;

*Educar;

*Prestar serviços de ordem pública.

Só pra citar três obrigações dos veículos de comunicação beneficiados pela concessão pública, coisa descumprida pela maioria dos canais, excetuando-se as tevês públicas sem fim comercial e a Bandeirantes que destina cerca de 25% da sua programação a programas informativos e formadores de opinião. O restante das redes de tevê brasileiras com sinal aberto simplesmente não cumprem as exigências do órgão regulador do ministério sei lá o que, que não faz cumprir porra nenhuma.

3 de dez de 2009

BREJEIRADA INTELECTUAL


Outro dia um amigo, ótimo escritor falou-me de uma coisa preocupante em relação aos escritores nacionais: "- Os prosadores, contistas, cronistas, romancistas, com raras exceções não sabem mais como narrar de forma escorreita e saborosa suas estórias. A moda agora, de uns anos pra cá, é buscar a originalidade, não pela forma, mas pelo efeito. Essa gente nem pode mais ser chamada de escritor, são quase "pintores", a meta deles é o efeito impressionista". Pois essa verdade inconteste campeia nos textos de centenas de escrivinhadores brasileiros. Perderam a mão - lembrem de Rubem Braga. Perderam o tino, o jeito - lembrem Jorge Amado. Perderam a vergonha - recordem de Autram Dourado, Mário de Andrade, Simões Lopes Neto e Érico Veríssimo. Sem falar em Machado de Assis - não quero humilhar ninguém. Mas é isso. Salvo raros poetas e prosadores de talento dentre os quais destaco Marcelino Freire, Lima Trindade, Sandro Ornellas, Cláudio Portella, Leandro Dóro, Carpinejar, Miguel Sanches Neto, Ronaldo Cagiano... A selva literária brasileira está vazia de feras. Há só um Bem Te Vi aqui outro acolá. Porque a cambada que se dedica às letras despereza ao leitor, em verdade sua missão é agradar a crítica. Crítica essa composta, em grande parte, por "achistas" & "rola-bostas" para quem literatura, para ser original necessita da surpresa e do ineditismo sempre. É a famosa fase da literatura "kinder-ovo", vem sempre com uma surpresa, na maior parte das vezes desagradável.

Vou sugerir a meu amigo Fernando Ramos editor do Jornal VAIA, que organiza para breve o segundo festival de Literatura de Porto Alegre levar aos escritores convidados esse tema. A perda da narrativa em prol do efeito. O desprezo da forma e do conteúdo pelo experimentalismo franco atirador. Que não diz nada. Por quê simplismente esgotaram-se as possibilidades de novidade? Penso que não. Pode-se contar e recontar uma história infinitamente e de modo diferente a cada vez. Os temas, as peixões e desventuras humanas sempre serão as mesmas. Todavia o talento de cada escritor nem sempre está a altura de uma boa estória.

Um exemplo de narrativa saborosa é o livro de Mika Waltari cuja foto ilustra este texto. Tive o prazer de "viajar nele" para o Egito antigo aos 14 anos de idade. Como bem canta Paulinho da Viola: "Tinha eu 14 anos de idade...//".

1 de dez de 2009

DE SOB A ETERNIDADE

Não há nada de novo sob o sol que não vejo há semanas. Não há rumor de revolução, nem anúncio de grande catástrofe. Quiçá a hecatombe tão esperada não venha. Quiçá estejam, essa Hécate tenebrosa e sua malta esfaimada adormecidos, chapados com monóxido de carbono e outros vapores assemelhados na fórmula. Não há nada de novo debaixo dos céus ou do chão encharcado. E eu ainda torno meus olhos pro mundo como se o tivesse visto por primeira vez.