Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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5 de set de 2010

TRAGICOMÉDIA MUNDANA

Todas as figuras de palhaços: clowns, bufões, bobos da corte, jokers, o imortal vagabundo Carlitos personificado por Chaplin, o maquiavélico Coringa inimigo do Batman, todas essas figiras sem exceção tem um que de melancolia. Mas não posso evocar nenhuma delas quando desejo expressar meu sentimento em relação a como percebo minha auto-imagem frente às mentiras cotidianas em favor deste modelo ordinário e estúpido chamado capitalismo neo-liberal.
Se os ratos realmente disputassem corridas literais, fora da figura de linguagem "corrida de ratos", sob o regime capitalista seriam bólidos velocíssimos muito mais rápidos que qualquer fórmula um. Armados de toda sorte de artefatos nucleares ratos ratos e ratos homens explodiriam-se mutuamente por meras migalhas, porque a competição sugere a aniquilação do adversário e vitória a qualquer preço. Quando vejo e ouço pessoas falando um sem número de tolices sobre os males do socialismo, o fracasso comunista (experiência que desconheço haja visto nunca ter havido no mundo tal regime de fato)etc. me tomo de uma gana de lhes apresentar à realidade. De lhes tornar em pedintes aos cinco anos de idade. De porta em porta das lancherias e padarias e bares pedindo um pão, um bolinho, algo pra comer. Porque não interessa se tem pais que são isso ou aquilo, interessa que tenham cinco ou seis ou dez anos de idade e sentem fome, e andam descalços, e são trapilhos e não tem alento de nenhuma espécie. Sofrem enxovalhos e passa foras de gente que crê no capitalismo neo-liberal e tem a barriga cheia mas a consciência vazia. Gente boa. Gente "cristã" que vai ao culto, à missa, à puta que os pariu. Vai e não volta. Não volta porque não retorna em nada ao mundo daquilo que finge acatar nos sermões piedosos tão inspiradores á caridade. Gente dessa espécie que se comove com as campanhas televisivas do Didi mas que não se digna estender um pedaço de pão pro necessitado real diante de si. Eu, eu estou mesmo louco em não achar graça nos palhaços nem lógica nesse absurdo.