Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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25 de fev de 2011

O TREM NOTURNO DE CHOPIN











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Sim havia uma linha férrea. No começo da história, bem como em princípio de estórias há quase sempre uma linha férrea. Leva a algum lugar. A alguma circunstância. Á Passárgada onde Manoel & Mário moram às custas de um rei. Á Polônia de Frederic Chopin para onde seguiam trens abarrotados de judeus até Aushwitz, Dachau, Treblinka... Sim. Havia uma linha férrea que atrapalhava o trãnsito de automóveis passando no meio da cidade nanica. Pudesse eu tomaria o trem como fiz nalgumas vezes pela mão de minha mãe e minha avó em direção á Santa Maria. Pudesse tomaria o trem à Passárgada beber um trago com Manoel Bandeira & Mário de Andrade... Não é possível. O trem passou. Se lhe arrancaram os trilhos e os velhos dormentes de eucalipto viraram mourões, lenha, cinza... Tudo se transforma nisso. Cinza - pó. Há somente a linha férrea memorável. Uma lembrança saudosa e não menos útil por ser lembrança tomada de cargas de pieguice e outras "chanchadas" emocionais que acometem os humanos. Dá-lhe carvão! Dá-lhe! Havia esse comboio o qual não vi passar. Dormia? Sonhava? Acho que sim. Embalado aos "Noturnos" de Chopin, dormia à larga. Bem podia ter pego o trem, fosse ou não para Dachau, Treblinka ou Aushwitz. "- Vejam! Não tenho o narigão adunco tão marcante na face de meus primos, de meus tios! Vejam! Não sou circuncidado! Isso tudo é um engano!" Eu bradaria entre soluços e risos de histeria enquanto me arrastassem ao crematório. Tudo ao som de Frederic Chopin, sampleado sutilmente aos barulhos de um trem que não passa mais por aqui.
Não. Não haveria consolação. Nunca houve. Nuca pedi consolação. Duvido mesmo que implorasse por minha vida. Duvido muito. Muitíssimo. Provável que investido da cultura local donde nasci me arrojasse sobre qualquer incauto guarda, sem nenhuma esperança vã de escapar, somente no intuito de à morte seguir como me ensinaram: "Topete alto. Terciando ferro com o inimigo. Não morrer solito e entregue como a rês, como o cordeiro. Morrer como o leão: matando. Altivo, sem autopiedade". Se a melancolia me chega às vezes por essa ferrovia invisível não traz consigo o embaraço de esmorecer-me, afrouxar-me, fazer-me uma trouxa à mercê dos chutes dos moleques filhos das lavadeiras. Se a ferrovia onírica me presenteia vez ou outra com os Noturnos de Chopin e faz-me sentir nostalgia do que não vivi não me desespero. Nem temo a morte. Soergo o velho escudo amassado. Apanho o elmo gasto do chão, as grevas, a espada. Pronto novamente. Outra carga, outra luta. Vitória? Derrota? Importa? Isso importa? Sigo a marcha batida. Nos ouvidos de faz de conta ressonam os Noturnos de Chopin. Nos olhos de "aragem" passa uma vista como se  fora eu passageiro do velho trem, e, menino me encantasse a paisagem a correr lá fora... Será sempre assim, sem que nunca alguém possa vir me oferecer descanso. Todavia, posso sonhar que fosse diferente. Contudo, para que fosse eu teria de ser cordato com o destino. Prestar-me à ele em libação. Ser imolado pacificamente. Os olhinhos mansos. O semblante resignado e calmo. Não é possível, essa redenção não me alcançará, ou talvez quem sabe, quando for a hora e eu me sentir mui fatigado, somente me alcance pela minha própria mão.

19 de fev de 2011

Re: FX2: Proposta Gripen NG-BR - 2


                                                                jgbonin.blogspot.com

Quanto a escolha para o novo caça  da FAB (arenga bastante demorada - há 5 anos), a questão é bastante complexa, e, creio que seu desenlace dependa exclusivamente dos tramites políticos. Em detrimento das necessidades práticas de uma nação gigantesca e rica em recursos naturais como nosso amado Brasil... Se não temos ainda hoje forças armadas bem equipadas e prontas a intervir em situações críticas na defesa de nossa soberania e interesses, isso se deve a um fato conhecido: sem a chancela de Washington os países aliados dos Estados Unidos não teem liberdade de implantar políticas importantes, principalmente na área da defesa. Ah mas, para muitos de nós esse quesito de ordem "hierárquica" não passa de lenda urbana. Pois bem, assim sendo poderíamos ter, quem sabe? buscado articulação com a Rússia no sentido de participar de seu programa avançado para um caça de 5ª geração  o PAK 50. Que, ao menos no nome estaria de acordo com plano desenvolvimentista de crescimento. Um de tantos planos responsáveis pela manutenção do governo do PT. Ou ainda teriam saído do papel nossos acordos com a Ucrânia visando utilizar sua tecnologia de foguetes lançadores de satélites, e, nossa bem situada (cobiçada & sabotada) base de Alcântara estaria operando. Mais que isso, estaria gerando receita, pois a posição geográfica favorece muito o lançamento... Meus caros, a questão do programa FX 2 é, infelizmente, um  embrulho gigantesco de interesses internacionais que suplantam em muito nossa capacidade de gerenciamento da soberania... Como "não disse" o general De Gaulle: "Esse (o Brasil) não é um país sério". Se fosse não teria estado à beira de uma guerra com a França em 1961 (a contenda se arrastoo  até 1963) por conta da captura ilegal de lagostas no mar territorial do Brasil. Não teria estado à beira do conflito simplesmente por possuir na época um marinha forte e bem equipada e não velhos navios norte americanos, refugo da segunda guerra. Que, conforme alguns especialistas, por se tratar de material arrendado, não poderia enfrentar as forças francesas num conflito. Afinal a França é um país aliado dos Estados Unidos, arrendatário da "sucata", à época desse ridículo contencioso.

5 de fev de 2011

NOS TEMPOS DO PAU BRASIL













Ingênuos e ingênuas pacifistas - esse país, esta república bananeira, antes canavieira & açucareira, nos tempos de colônia portuguesa não podia fabricar armas. Tampouco editar livros. Jornais, não os tinha. E Só passou a te-los com a vinda da corte em fuga para a terra d'além mar onde os gajos e raparigas airados dançavam a Fofa e o Lundú à porta das bodegas. Ao som da viola e do caxambu... Pois muito bem. Ainda hoje esta colônia estadunidense, reserva da biodiversidade de suas possessões mais ao sul se vê impedida de fabricar o armamento bélico com o qual equiparia suas forças "desarmadas", ora desarmadas... Pensemos: se no tempo dos escravizados, algum senhor de escravos permitiria aos seus cativos a posse de ferramentas de trabalho tais como enxadas, alavancas, foices, machados e facões. Pois claro que não. Tais ferramentas, ainda que fossem de muito aquém em eficiência às armas de fogo, poderiam causar dano sério à propriedade e às pessoas em caso de revolta. O mesmo se dá com a equipagem das forças armadas. A construção de embarcações de guerra modernos: Navios, submarinos nucleares e porta aviões, é vista como uma veleidade, um desperdício afinal somos pacíficos. Somos? Pacíficos? O que é a paz senão a possibilidade de ter paz por saber-se forte e em prontidão? Programas de aparelhamento da marinha como o submarino nuclear e as fragatas, da aeronáutica como o arrastado e suspeito fx 2 que recusou a oferta dos ótimos caças russos Sukhoy 35, capazes em tecnologia de fazer frente aos estadunidenses F-22, ou, se não tanto tecnologicamente falando em aviônica, ao menos na manobrabilidade e com um pacote de mísseis de última geração capazes de contrabalançar as limitações eletrônicas do caça russo frente ao norte americano. Também a necessidade imperiosa de equipar o exército com helicópteros modernos e um sistema de defesa anti aérea que aposente os canhões obsoletos de uma ridícula artilharia anti aérea de tubo que é um desperdício de dinheiro. Inútil e ineficaz... Se acham desperdício de dinheiro reequipar as forças brazucas desarmadas, bueno! Os Estados Unidos e a Europa também acham. Afinal é o dinheiro deles que está em jogo. Ou não é? Investiram muito tempo e energia na republiqueta de bananas pra vir alguém e melar seus negócios por aqui. Que história é essa de militarizar o Brasil, que idéia idiota é essa? Militarizar pra quê? Pra dificultar a entrada de drogas pelos nossos tantos milhares de quilômetros de fronteiras secas e marítimas? Pra impedir os saques de nossos recursos naturais nas nossas florestas, verdadeiros supermercados de fármacos e minérios raros à céu aberto? Pra demover nossos poderosos vizinhos do norte a incursionarem qualquer dia em nosso território á busca de um sem número de riquezas? Qual nada. Nós precisamos é de um Brasil desarmado e mal educado. De uma cultura falida, de uma educação indigente. De uma política internacional que atenda o interesse estrangeiro e diga: sim senhor obrigado! Levando tudo como nos tempos do pau Brasil.