Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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18 de nov de 2011

CITAÇÕES À GRANEL & A ARTE DE ENCHER LINGUIÇA (SEM TREMA)

O academismo científico é algo maravilhoso e imaginoso. Algo de sarapantar diria o mais sábio pesquisador e folclorista (lixando-se para o academismo) das Américas Mário Raul de Morais Andrade. Pois é de sarapantar mesmo... Convencido de que um dia, hei de encontrar afirmações produzidas de maneira inedita por pesquisadores e estudiosos contemporâneos acerca de muitos assuntos. Percorro incansavelmente a "selva" escura onde o obscurantismo acadêmico lança suas sementes e mudas. O resultado é pífio. Decepção. Valendo-se de citações e mais citações os candidatos ao ilustre status de conhecedores rondam assuntos que eles próprios não entendem completamente. Valendo-se de um arsenal de chavões e frases prontas de alto gabarito cientificista esses "jabaculês de almanaque" borram páginas e páginas com informações de fancaria. Com redondilhas copidescadas das falas de outrem. Não produzindo eles próprios uma mísera linha de conhecimento próprio, inedito, ousado, arriscado quiçá. Por falta de preparo, por absoluta carência de meios como o domínio de técnica e conhecimento esses acadêmicos circundam os temas a que se propoem esmiuçar sem lhes penetrar o âmago. Única maneira de explicar em detalhe tal e qual faziam os honrosos pesquisadores que os precederam, cujo pendor era preservar a cultura e não ser incensado ou galgar o respeito de seus pares de academia. Enfim, trabalhos científicos, teses universitárias, artigos em revistas e jornais, livros e matérias produzidas para as mídias de rádio, tv e eletrônicas custam dinheiro. E funcionam como papel pega moscas para otários como eu. Não convencidos de que a maioria dos mequetrefes que os produzem, sob a égide oficial de um diploma que credencia a "curiosidade" não fazem nada mais além do que encher linguiça. Sem trema nem tempero que o valha.

14 de nov de 2011

CIRCENSES







O circo, representação do mundo. No picadeiro desfilam maravilhas. Exótico, o circo representa o mundo... Pode o mundo oferecer espetáculo inofensivo? Não. Também isso não pode cumprir o circo. Pois a crueldade permeia o homem, impedindo-o divisar com clareza a fronteira convencionada entre realidade e fantasia, magia e efeito cênico, generosidade e perfídia. Dentre as atrações circenses estão os palhaços.
Homens apresentados com a cara pintada. Roupas bufas, modos truanescos, alegam evocar alegria. Confundem-nos. O histriônico da demência parece aflorar daquele riso tirado á força. Os palhaços: saltimbancos, bufões. Como de resto todos os atuadores sob a gigantesca lona. Grotescos seres dionisíacos que buscam no ridículo, no inusitado, provocar gargalhadas.
O circo é o mundo. Tal e qual no mundo as gargalhadas são breves. Igual aos homens sisudos & taciturnos, chega um dia quando os alegres palhaços se cansam de sorrir.

11 de nov de 2011

BOBO CANSADO

...eis que, não sou cabal, nada em mim é perene, nada é pronto, nada é exato, nada é perfeito. Não posso corresponder às expectativas de outrem, nem às minhas expectativas, senão às expectativas do tempo. A essas correspondo involuntário. Morrerei, serei esquecido, dissolvido no caudal autófago do tempo que há de consumir a si mesmo até não restar nada desse cosmo em expansão onde o calor fatalmente deixará de existir tornando a vida orgânica inviável.
Eis que, redundante e contraditório não hei de moldar-me ao gosto de outrem para satisfazer sua necessidade por uma criatura diferente de modos e hábitos melhores, e, se por um momento só, seguindo a máxima confuciana "há de ceder para alcançar sabedoria" aquiesci, cedi, contemporizei... ora, diante da insistência das solicitações de uma plateia mui exigente, potencialmente reformadora do texto apresentado em minha peça "vitae", vou ao proscênio, dispo a juba, a máscara, os costumes bufos. Esfrego o rosto removendo a maquilagem, e, despido de todo adereço declaro: eis-me. Se vos agradar era meu intento, possa eu dizer a vós: não sou um egoísta conforme jurastes. Não sou um covarde como testemunhastes. Não sou um patife novelesco, ou herói de fancaria. Sou um homem comum. igual a todos os demais em vícios e virtudes, e, não ousai vós trazer à discussão o disparate de comparar-me aos santarrões ou aos velhacos. Poupai-me de vosso orgulho. Poupai minha paciência de vossa presunção consumidora, capaz de declarar-se defensora ilibada da verdade absoluta. Quando a verdade é toda fábula rendida na palavra que sai de vossa boca como uma sentença justa. Tão real quanto vossa imaginação permite. Não imputai a mim culpa exclusiva. Sabeis vós que a medida com que me medis não a uso para vos medir por não ser vosso adversário mas, que cansei da farsa, e dessa comédia de erros onde apenas eu visto os trajes bufos do truão e realizo piruetas enquanto vós, da plateia, não vos inclinais a aplaudir.