Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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3 de set de 2013

BANGALAFUMENGAS & PLATIBANDAS OU: PIMENTA NO CÚ ALHEIO É HIPOGLOS.

Sim, sin salabin... Mal minha amada se despede eu volto meus olhos ao ofício algo triste de escumilhar os escritos d’outros a busca de conhecimento. Sim, esbarro n’algum vez  por outra. Mas, a maior parte não se dirige ao público cretino de todos os dias e todas as ruas e todas as horas. Ao público servente. Não, o código em que está cifrado um suposto e oco conhecimento é por si só invólucro e substância. Porque outro valor não possui. Nem outro teor dispõe. Só retórica e vazio. As teorias se multiplicam. Locupletam-se, se avolumam. Pautadas e esquematizadas em gráficos demo psicológicos das massas. Ahhh, essas massas, semolina, pesto ou qualquer espaguete com Giuliano Gema e seu indefectível ar bom moço. As teorias se alastram como fogo deitado em palha seca. Sobe na perna do passante essa centelha e queimando lhe os fundilhos instaura um desassossego, uma “cosca” na zona centro baixa de seu excretor. Eis: Literatos que nunca contaram nada de modo aprazível tergiversam. Coçam seus cavanhaques. Meditam neologismos aplicáveis ao “rendez-vous” jargão da categoria dos meditabundos da teoria, porque a teoria é o fulcro. Antes desse método investigativo a ciência não caminhou um passo e a humanidade, a grosso, não produziu nada. Nada a não ser talvez reduzir de uma passada em garranchos aramaicos essa cambada teórica ao que realmente é: Pó. Pois sim senhoras, senhores e amiguinhos fãs do Vila Sésamo. Um judeu esperto, ou se nem tanto judeu, um canaanita, ou se ainda nem canaanita um acadiano, um moabita, um egípcio esperto qualquer escreveu e assinou lá no antanho antes da história: “Tu és pó. E ao pó hás de voltar! Assinado: Deus” Pronto. Voilá! Todas as teorias e discussões centradas na retórica brumosa do pessoal fã do Liceu e da Academia. Toda a diacrítica histórica resumida numa frase com firma reconhecida tabajara. Todo saber pós qualquer coisa civilizada que não tenha sido um escrito de Lao Tsé ou de Imothep, vizir e arquiteto do faraó Djozer se desfaz em pó diante da máxima proto semita.  Porém, ai porém, nenhum filólogo estará satisfeito com uma explicação sintética. Pois, a máxima da teoria é confundir. Quando poderia só explicar. De modo simples... se permitiria mesmo, a usança dos dicionários a fim de poluir o tecido da língua pegajosa de Camões. ...mas, hoje não, hoje não permito nada. Quero minha princesa de volta e já. Vestida só com as luzes de Vésper. E tudo ao som de um blues. Um velho, belo e digno blues. Que não teorize a porra da vida porquanto ela já é chata e complicada.
O artigo tem como objetivo apresentar uma reflexão teórico-metodológica acerca de uma imagem do final do século XIX”.
... Pérolas como essa são encontradas à granel no discurso padronizado impreciso e vago do academismo. Uma dialética genérica, paraguaia, permeia essa produção acadêmica que se debruça sobre o abismo do nonsense com ares blasé. Haja paciência. Não bastava ao “totó” dizer que o objetivo do trabalho era analisar e discorrer sobre uma imagem? Claro que não. Ele precisa cacetear. Precisa encher a linguiça sem trema agora com um sem número de rebusques, muitos desses, invencionices de jargão. Um ramerrão da academia dignos do código Da Vinci, já que seus significados são pouco precisos. Como disse antes, são vagos. E inacessíveis aos zé manés. Os idiotas para os quais isso não é produzido. Pois toda a oferta de quer que seja ao zé mané é regulada por uma política rígida da “dose”. Dosa-se conta gotas a distribuir uns bigós de macaxeira mais umas doses de cachaça, e outras tantas doses de “soma” descrita por Aldous Hexley no seu Admirável mundo novo. E se dosa o acesso ao conhecimento regulando e limitando o domínio dos códigos que possibilitam o decifrar da geringonça. Putaria geral.

Impressionante é a ocupação desses agentes do “mequetrefismo” procurando sempre mais chifres em cabeça de cavalo. Procurando unicórnios, por conseguinte. Que bosta... ao depararem-se com a foro de um velho armazém eles tem a pachorra de indagarem “qual seria a intenção da fotografia?” e, pasmem, afirmam que é possível depreender da imagem o status de cada um dos que aparecem a partir da posição dentro do quadro da foto. Putz grilla, como é possível tal afirmação? ...To fora.

15 de jul de 2013

CLOWN

TIVE OLHOS NEGROS
DE RETRÓS,
O TEMPO ESCAFEDEU.
FRANJAS AZUIS
DE BARBANTE,
O VENTO PUIU.
GRAVATA GIGANTE,
TAMPAS DE REFRIGERANTE
MEU OLHAR DESCOLORIU...
TIVE CARECA POSTIÇA
NARIZ DE BOLOTA VERMELHA
NÃO ESSA PALIDEZ MORTIÇA
PATÉTICA E BOTELHA,
TIVE CALÇAS ENORMES
IMENSOS SUSPENSÓRIOS
SAPATOS IMENSOS DISFORMES
OUTROS ACESSÓRIOS,
ABRI ESSA BOCA
COMO QUEM SORRI,
DE CASACA E TOUCA
EU ADORMECI.
TUDO PASSA À LEMBRANÇA,
TUDO TORNA A VOLTAR
PERDI TODA ESPERANÇA

JÁ NÃO SEI MAIS BRINCAR.
O FANTASMA DE ANTONINHO




[...] a velha beata Candoca (dona Enedina Pureza Rodrigues) dava dinheiro, às escondidas do marido, ao filho Antoninho. Antoninho era um andrajo. Esmolambado, batido, surrado... Curvado sob um peso invisível aquela criatura fora escorraçada pelo pai Antônio, o Catimbau. Dono de armazém, padrinho de minha mãe.
Vez ou outra, Antoninho, aquela figura melíflua vinha de Porto Alegre. Amarfanhado, encolhido, as mãos trêmulas, soturno, medrado. Rastejante na sua condição de homem humilhado pela ignorância gnóstica cristã contra o homossexual. Assim se apresentava Antoninho, vergado sob seu fardo, a fronte voltada para o chão.
Eram os anos setenta. Tenho lembrança da figura alta, ossuda, de cabelos e olhos claros e ralo cavanhaque. Recordo seus trajes um ou dois números maiores, desconjunto, e seus tiques neurastênicos: A voz hesitante num fio, cacofônica. O olhar irrequieto e miúdo. Temeroso como o de um cão enjeitado e faminto. Suportando quase indiferente já um passa fora atrás do outro. Um famélico cão cujo orgulho dissipou-se no éter porque entre os sem eira nem beira não há nenhuma esperança. Nem sobeja a menor das alegrias a não ser a cachaça.  Vivem de restos. Do despejo alheio. Das sobras, de remendos, de memórias que pertencem a outros, alheios a partilhar qualquer coisa consigo...

Na dureza altiva e límpida dos meus sete anos pouco se me importava à sorte de Antoninho. Seus dissabores. Nos meus heroicos sete anos queria saber das goiabas, bergamotas, nêsperas e maçãs do grande pomar na casa do Catimbau... Porém, hoje, nesta manhã chovediça e fria, devoto um pensamento a esse fantasma que o tempo consumiu. Sem, no entanto, fazer com que eu o esquecesse. E, pelo cristalino dos olhos de uma criança, de um menino de sete anos, o tímido Antoninho vem espiar mais uma vez este mundo. Talvez agora esteja ele menos assustado; quem sabe? Talvez agora finalmente esteja em paz!

9 de mai de 2013


NOVIDADES FILHADAPUTENSES

O país dos Filhos da Puta se trata de uma República Federativa. À semelhança da nossa Pátria Mãe, foi esse país filhadaputense, a cousa de uma centena de anos passados, uma monarquia. Porém, alguns senhores barbudos e de costeletas que dominavam a farra na arena da futrica política Filha da Puta se reuniram. Entre “coronéis & patrões” decidiram que era hora de dar um basta à monarquia filhadaputense. Pois, o rei tinha as maiores costeletas de todos os filhos da puta e tal característica causava inveja geral.
No país dos Filhos da Puta agradar, contentar, amamentar aliados políticos e barnabés é mister fundamental do governo. Não devota o poder executivo maiores e melhores atenções às necessidades mundanas do zé povinho. Da plebe rude sempre pedinchando isso e aquilo. Pobreza maçante, desagradável aos olhos aristocratas: filhos a tiracolo nas filas intermináveis de postos de saúde mal aparelhados e aos pedaços. Chinelinhos de tira sob o rigor úmido das intempéries, e desesperança. Grita geral por isso e aquilo. Mãozinhas pardavascas estendidas à forra. Badernas perturbando ao metro quadrado mais chique da capital cultural filhadaputense, em cujas faldas se amontoam casebres tal e qual cabras nas escarpas dos montes.
Mas, com uma provisão de ajustes miraculosos o governo filhodaputense – centralizador & ortodoxo, vai aos meios de comunicação alardear sucessos e avanços na área social. Sim, avanços. Avanços de grileiros filhos da puta sobre terras dos poucos indígenas e afro descendentes livres viventes naquela nação. Avanço da criminalidade: escândalos envolvendo políticos filhosdaputenses. Escândalos cujas dimensões impedem ao executivo utilizar-se da prática comum: o tapete. O velho e surrado tapete para debaixo de que se varrem as enxovias e maracutaias de pequena e média monta. Não, soube-se impossível dessa vez, os bandalhos exageraram no saque deixando as vergonhas à vista dos cidadãos filhadaputenses. O butim fez-se demasiado volumoso emprenhando o tapete, que inflou como pança de Momo. Embora a esse não se impute fama de ladrão.
Esses filhos da puta são, todavia, industriosos. Tramita em seu parlamento uma lei para amarrar de tal forma o judiciário a ponto de lhe tolher o ofício. Privado do direito à livre investigação ver-se-ão os guardiões da lei filhadaputenses inertes frente à criminalidade. Ficarão à mercê da burocracia filhadaputense que assim, ensejará ao delito e ao crime. Facilitando sobremaneira a segunda maior vocação do país Filho da Puta: o carteiraço. O carteiraço desembaraça qualquer situação. Munido de um pistolão, um padrinho em muito similar ao Dom Corleone cinematográfico, o arguto pichelingue invoca a autoridade do padrinho bucaneiro para auferir cargos, mandos e fundos. Ou para escusar-se de prestar contas dos desvios que faz. O carteiraço graça na República Federativa dos Filhos da Puta desde priscas eras quando se amarrava cachorros com “vales refeição”. Tamanha é a vigarice estamental Filha da Puta a ponto de, da noite para o dia se criar cargos de fancaria no intuito simples de apaziguar descontentes e granjear aliados. Para nada servem tais autarquias. Tão somente criar rombos no “acrobático” e minguado orçamento Filho da Puta. Que é uma carcaça repartida desigualmente entre um milhar de chacais.

11 de abr de 2013

FANTASMAGORIA BOSCHIANA



[...] a estória assemelha-se ao labirinto sob o palácio minoico. Cabe ao narrador percorre-lo. Mas, palavras nem sempre são garantia de retorno seguro ou sucesso na empreitada. As palavras são diáfanas. Desmancham-se no ar sem deixar pista. Não são como o fio de Ariadne.
Resta, entretanto, escolher a personagem que melhor possa representar o narrador. Será Teseu ou Minotauro? Quiçá nenhum dos dois, quem sabe? Seja o narrador também uma de tantas vítimas do labirinto onde meteu-se à busca de fama e galardão.

[...] todos os meus fantasmas tomam de empréstimo minha voz...

A entropia é um princípio, uma lei descoberta por alguém sem nada pra fazer nesse determinado dia. Se ela é real, não importa. Talvez seja mais uma invenção inútil & filosófica do intelecto para expressar uma falsa ideia de entendimento sobre coisas fugidias à compreensão humana. Fenômenos causadores de perplexidade. Se os elétrons bailam em derredor do núcleo atômico a distancia razoável. Que matéria ou substância pode ser considerada sólida?
Todas as coisas, criaturas, pensamentos, se compõem de vácuo. Por isso são instáveis, voláteis, efêmeras, etéreas. Todas as coisas viventes ou não: as estrelas, os mundos, as nebulosas, os quasares, as flores, as gotas de chuva e as sensações. Talvez, só mesmo a metafísica possa querer explicar o amor. Seu movimento cíclico; onda, ora rebentando furiosa nos rochedos das encostas, ora morrendo mansa n’areia. Lambendo os pés de quem caminha na beira dessa praia.
[...] todos os meus fantasmas tomam de empréstimo minha compaixão...

13 de jan de 2013

O PROFETA DO CAOS


Foto de George Orwell tirada em 1933 para a confecção de seu crachá de jornalista.



Quando o jornalista e escritor britânico George Orwell realizou sua obra 1984 certamente não vislumbrara em que se tornaria o mundo algumas décadas depois da data que intitulou seu livro. Não adivinhava a sucessão de acontecimentos que levariam a sociedade a buscar todos os meios tecnológicos à disposição a fim de manter vigilância permanente sobre os cidadãos. Não concebeu a verdadeira paranoia que se abateria sobre o mundo na virada do século XXI em tempos de Sadan Hussein, Osama Bin Laden, Alcaida, Talibãs & as contínuas rusgas no oriente médio... Contudo aí está essa série de fatos. Revoltas na Líbia, no Egito, na Síria. Os EUA tentando ainda depor Hugo Chávez. Que de forma surpreendente tem beneficiado ao povo da Venezuela... Quando George Orwell escreveu 1984 não cogitou que seu livro fosse termo de comparação com um programa ao vivo - sem pé nem cabeça - que se dispõe a mostrar a convivência de pessoas trancafiadas dentro de uma casa. Mas George Orwell não escreveu apenas 1984. O britânico Eric Arthur Blair (seu pseudônimo era George Orwell), nascido em Motihari, na Índia colonial britânica em 1903 e falecido em Londres em 1950 - precocemente vítima da tuberculose, escreveu ao todo seis romances.
Autor com forte inclinação ideológica socialista, a maioria dos livros de George Orwell marcaram pela criatividade e quase "profetização" de um futuro próximo... 1984 é um grande e atualíssimo tema de discussão. Porém, há um outro livro desse escritor que me chamou muito a atenção, se trata de A REVOLUÇÃO DOS BICHOS. No livro Orwell traça uma analogia (utilizando-se de realismo fantástico) em que os animais de uma fazenda liderados por três porcos tomam o poder. Todavia, o poder acaba por corrompê-los e suas intenções inicialmente socialistas e libertárias se transformam em despotismo, tirania e violência. De um modo geral o que se assiste na cultura popular mundial neste momento da história - em minha opinião, representa a curva negativa da dinâmica histórica em termos de criatividade e avanço (progresso) artístico e intelectual. O abastardamento do ensino. A péssima qualidade da produção cultural nas artes. Tudo sinaliza uma espécie de maré do lixo, um tsunami, que varre do mapa as conquistas da revolução cultural iniciada nos tempos do flower & power nos anos 60. A triste realidade brasileira denota ainda as mazelas de um sistema sócio político feudal. Clientelista e aristocrático. No qual um punhado detém em suas mãos o poder de oferta e de escolha sobre o que o povo deve ver, ouvir, ler. De como deve se comportar e o que deve consumir... É triste. Deprimente. Feio. Acima de tudo é pavoroso. Assistir via tv as produções paupérrimas de dramaturgia que não faz jus aos saudosos Dias Gomes, Janete Clair, Oduvaldo Vianna Filho, Nelson Rodrigues... Ouvir os desastrosos músicos sertanojos & pseudo forrozeiros abarcando espaços que pertenceram a Pena Branca e Xavantinho, Renato Teixeira, Almir Sater, Tom Jobim, Vinícius, Cartola, Elis, Gonzagão, Clara Nunes, Clementina e uma plêiade de excelentes criadores da arte popular. A verdadeira arte brasileira. Mas, que cada um escolha o seu caminho.