Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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29 de mar. de 2009

NARRAÇÃO MUSICAL

Hoje excepcionalmente eu não estou irritado com o fato de terem mudado a ortografia da língua apocopando acentos. Dos hífens não reclamo, mas os acentos ajudam a compreensão da palavra: por sem acento circunflexo é preposição, com acento circunflexo verbo. Todavia a partir de agora por, preposição, e por, verbo subentender-se-á atentando ao contexto frasal. E fodam-se todas as crianças que leem mal. Muito mal. Hoje excepcionalmente não me ocorre nenhuma gana de sair por aí espinafrando as tentativas ridículas de se levar à população uma educação menos rasteira. Tampouco o descaso para com as famílias nas periferias das grandes cidades. Sem estrutura de saneamento básico. Sem acesso á saúde. Sem um livro para ler. Um miserável livro para ler. Essa matéria substanciosa, esse maná para o espírito, essa dádiva mais necessária do que o pão. Hoje excepcionalmente não me arvoro tanto. Nem planejo uma fuga desse país de ladrões. Só assisto o jogo bobo da seleção nacional. Mas, silêncio no áudio da tevê, pois escuto a grandiosa Elza Soares interpretando Chico Buarque no impagável Do Cóccix Até o Pescoço. Para Elza, Chico Buarque, Jards Macalé, Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, para Paulinho da Viola, João Gilberto, São Cartola, São Pizindim, São Jobim e São Noel... SARAVÁ!

28 de mar. de 2009

ABANDONAI TODA ESPERANÇA

Foto: G1 Portal de notícias da rede Globo/RJ.

Terceiro mundo. Pertencer a esse mundo, de terceira ordem, terceira categoria, terceira qualidade exprime exatamente qual significado objetivo? Talvez signifique ser a ponta de estoque, a linha de frente da boca de fumo. Mal trapilho, mal formado, disléxico, cretino e bem armado. Prestando serviço ao grande chefão incógnito. Esse ao contrário dos "bois de piranha" lá dos morros, varejistas muito desorganizados, vive à sombra dos "oitis" da fortuna. Não aparece jamais. Movimenta contas em paraísos fiscais, enquanto o outro movimento, movimenta-se via satélite trocando tiros com a polícia. Em pés de chinelo. Sem camisa. Brandindo boas pistolas e bons fuzis, mas, sem saber minimamente como utilizá-los. Sem conhecer táticas seguras para sobreviver à guerrilha urbana. A mortandade entre eles é enorme.




Terceiro mundo, terceira via, terceira vez, terceira tentativa. A qualquer momento em um país sério, de moral elevada, sem a picaretagem e a maracutaia, sem o relacionamento indecoroso & a proxenetagem estabelecidos entre as esferas do poder público e do setor privado, essa situação seria facilmente resolvida. Exterminada a figura do financista do tráfico o orgão público assumiria a comercialização de entorpecentes eliminando de vez a fraude na mistura das substâncias e a figura do meliante rés do chão. Não fosse a promiscuidade existente num país de leis frouxas manipuladas por políticos espertos, por ratazanas vorazes, haveria solução para todos os desmazelos.




Mas, a mentalidade terceiro mundista impede muitas coisas. Impede às mulheres vitimizadas por uma vida difícil e pobre, decidirem se querem ou não terem filhos, porque simplesmente é crime abortá-los. Impede aos homens usarem preservativos porque a fé católica reza o sacrossanto da função reprodutiva. Pouco lhe interessando se vão contrair ou disseminar a AIDS. A fé regula a vida do laico, como se fora a verdade máxima. Como se não fora a inutilidade estúpida e grosseira de um terceiro mundo acossado pela crendice supersticiosa. Crendices e parlendas, certamente não espalhadas pelo Cristo cuja mensagem única e distinta era: Amai-vos uns aos outros!




Terceiro mundo, terceira onda, terceira chance.