Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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3 de mai. de 2009

FOSSA SÉPTICA

Antes se dizia: Estou na fossa! E, algumas tantas doses de uísque depois surgiam algumas canções. Como se por mágica, geração espontânea, apareciam do nada aquelas canções... Não sou desse tempo. A "fossa" não me vitimou. Sou filho da época das neuroses, depressões, distúrbios e síndromes do comportamento obsessivo compulsivo. Mas, quando estou triste me torno melancólico. Vez ou outra até recorro, não a uísque, que além de caro não é grande coisa, mas àquela cachaça de cabeça cá da terra... (Maísa foi a rainha da fossa na década de 60). Entretanto nunca compus sob efeito de álcool ou qualquer substância entorpecente. Atribuo isso ao fato de nunca ter estado na tal "fossa" de que falavam lá pelos idos de 1975... Quase na pré história! Claro que passei meus apertos, engasgos & pegas para capar. Todavia, confesso não ter mínima noção do que seria, proporcionalmente falando, a tal fossa em comparação com as afecções quase "esterilizadas" cientificamente de hoje em dia. Mas, se o efeito desse tão "decantado" estado de espírito, estilo, também chamado de dor de cotovelo, incorporado às canções de autores como Dolores Duran e Lupcínio Rodrigues for compor músicas com a mesma qualidade que eles compunham não custava nada experimentar!

2 de mai. de 2009

MUSAS REBELDES

Imagem: anaisagaleria.blogspot.com
Das sete artes relacionadas, a música figura na décima terceira posição: Zebra. Todos adoram Euterpe, musa da música. Porém, poucos a levam a sério. Vai na base do: Toca uma musiquinha aí ô! E o pianista ataca Chopin. Contra o que alguém diz: - Mas toca aquela do pagodaço! E o pianista controlando sua ira, demove-se aos poucos da idéia que lhe ocorre. Promover a jihad, a guerra santa. Ir até a mesa do infiel munido d'um alfange e lhe decepar a cabeça! O pianista se concentra em pensar nas contas vencendo no próximo dia primeiro do mês...

Entre nós brasileiros a música poderia se chamar plágio & corporation - não é mole a quantidade de imitação. Muitos medalhões, astros inatingíveis dentro da música popular usaram o expediente do "copydesk"; e, esses bois tem nome, mas não digo. Construíram sólidas carreiras copiando descaradamente o trabalho de compositores estrangeiros, ou realizando manobras sutis. Pequenas arrumações: uma nota estica & puxa aqui, outro acorde suprime ou acrescenta uma nota e outra ali. E músicas de Henry Mancini, Gershwin, Cole Porter entre tantos medalhões legítimos da música internacional ganham contornos irreconhecíveis, em arranjos fabulosos quanto a demonstração da capacidade criativa do brasileiro que nasce com vocação para o improviso e para bandidagem.

Certa vez assistindo um filme com os saudosos Steve McQueen e Natalie Wood, "O preço de um prazer", de 1963, comecei a prestar atenção na belíssima trilha sonora. A trilha original para o filme apresentava como compositor Elmer Bernstein (só muito depois me interessei em saber disso), todavia, eu conhecia aquelas músicas de outro lugar. Ou pelo menos, o som daquelas belas harmonias e melodias me remetiam a peças conhecidas. Durante o filme, ainda sem saber a autoria da música, num estalo relacionei a obra a um conhecido compositor brasileiro. Entretanto, depois de saber a data do filme achei improvável, porque na data do lançamento da película, 1963; esse compositor que eu cogitei como autor das canções não havia feito sucesso no Brasil entre as camadas mais baixas da população - termômetro infalível da consagração de um artista. Por exemplo: Roberto Carlos, em que pese sua decadência como autor, chegou a compor e gravar pérolas como: "Como dois e dois", "Detalhes" e tantas mais em parceria com Erasmo ou sózinho. Roberto jamais abandonou a popularidade, visto sua consagração entre as camadas mais baixas da população brasileira, o que demandou a perpetuação do sucesso. Então, como dizia, o tal autor misterioso não havia feito a fama entre o pessoal menos culto e menos endinheirado do país. Mas, depois pensei que meu raciocínio não tinha a menor lógica. Que apesar de não ser conhecido ainda lá fora na data da filmagem ele era bem relacionado e poderia ter feito a trilha. Pensei isso até descobrir que a trilha em questão pertence ao compositor Elmer Bernstein. Aí, deixei a história toda de lado. Afinal plágio é coisa pra gênios (antigamente classificados "djins" e tidos na conta de mau caráter) e não pra otários como nós reles mortais.