Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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23 de out. de 2010

O RIO DE JANEIRO CONTINUA


 


Lindo? Esta definição é somente um lugar comum. Nem isso “lugar”, mas lugarejo. Um lugarejo comum é uma expressão, ainda que inadequada, a mais próxima de minha parca erudição e capacidade pseudo intelecto emocional... O Rio de Janeiro é lindo por vocação e por necessidade de meus olhos que nem bem chegaram atrevem-se observá-lo no seu momento de “toalete”, nesse ritual provocante e delicado de uma cidade que se despe aos poucos para os olhos afoitos do “voyeur” estabanado... Sim o Rio de Janeiro continua lindo em cada curva sinuosa de seu traçado mágico, encantador. Na estampa bela das garotas de Ipanema, transfixando a orla atlântica e sustentando argumentos de maravilha do Aterro ao Meyer, de Copacabana ao Engenho de Dentro dessa formosa flor enrodilhada em minha retina. Visão tão basta e turva e pobre, antes acostumada à lhanura simples e rude e fria de uma pampa

Enamorada. Algo invejosa da graça tropical descortinada em suavidade a ponto de tomá-la.

Pois meus olhos se arregalaram, e, meu coração afeito às paixões miúdas d’um lugarejo escuro e frio se desatou na arritmia de paixão fulminante provocada pelo esplendor da gente e da paisagem. Incondicional ele se rendeu ante a constatação de um bem querer que principiou em Botafogo e se estendeu à Cascadura, que vadeou a Lagoa e subiu num fôlego só a beleza humana das favelas. Uma paixão devota e larga como a baía que abraça e acalenta a esperança viva, a chama calorosa de um povo amoroso que compreende o amor provado no Sambas que inventou e oferece. Simplesmente como quem sorri contente com uma brevidade.

Sim o poeta continua a ter razão sem mínimo exagero: O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO. É lindo pela natureza exuberante. Tanto por isso quanto pelo velho charme aristocrata e um tanto decadente (o que lhe torna mais belo) dos nomes e brasões povoando sua história de cidade. Catalisadora das idéias de um país, acrisolado na metrópole, entrincheirado no arrimo das alturas de fortalezas íngremes onde a lei custa a identificar-se: se do homem, se do cão. Sim, o Rio de Janeiro da Praça Onze, da Lapa, de Copacabana, do Leme, do Leblon. O mesmo Rio de Janeiro da Tijuca, de Oswaldo Cruz, da Mangueira e Madureira. Contendo em si a mistura de sotaques de um Brasil saudoso. Saudoso da Urca, do Cassino onde Grande Otelo encenava números cômicos. Saudoso de seus cafés, de Tom e de Vinícius, de Cartola e de Noel... Saudoso de mim mesmo, na presunção de quem almeja conhecê-lo sendo só mais um estrangeiro para o qual o Rio de Janeiro se descortina da orla as serranias sempre, sempre belo e generoso.

5 de set. de 2010

TRAGICOMÉDIA MUNDANA

Todas as figuras de palhaços: clowns, bufões, bobos da corte, jokers, o imortal vagabundo Carlitos personificado por Chaplin, o maquiavélico Coringa inimigo do Batman, todas essas figiras sem exceção tem um que de melancolia. Mas não posso evocar nenhuma delas quando desejo expressar meu sentimento em relação a como percebo minha auto-imagem frente às mentiras cotidianas em favor deste modelo ordinário e estúpido chamado capitalismo neo-liberal.
Se os ratos realmente disputassem corridas literais, fora da figura de linguagem "corrida de ratos", sob o regime capitalista seriam bólidos velocíssimos muito mais rápidos que qualquer fórmula um. Armados de toda sorte de artefatos nucleares ratos ratos e ratos homens explodiriam-se mutuamente por meras migalhas, porque a competição sugere a aniquilação do adversário e vitória a qualquer preço. Quando vejo e ouço pessoas falando um sem número de tolices sobre os males do socialismo, o fracasso comunista (experiência que desconheço haja visto nunca ter havido no mundo tal regime de fato)etc. me tomo de uma gana de lhes apresentar à realidade. De lhes tornar em pedintes aos cinco anos de idade. De porta em porta das lancherias e padarias e bares pedindo um pão, um bolinho, algo pra comer. Porque não interessa se tem pais que são isso ou aquilo, interessa que tenham cinco ou seis ou dez anos de idade e sentem fome, e andam descalços, e são trapilhos e não tem alento de nenhuma espécie. Sofrem enxovalhos e passa foras de gente que crê no capitalismo neo-liberal e tem a barriga cheia mas a consciência vazia. Gente boa. Gente "cristã" que vai ao culto, à missa, à puta que os pariu. Vai e não volta. Não volta porque não retorna em nada ao mundo daquilo que finge acatar nos sermões piedosos tão inspiradores á caridade. Gente dessa espécie que se comove com as campanhas televisivas do Didi mas que não se digna estender um pedaço de pão pro necessitado real diante de si. Eu, eu estou mesmo louco em não achar graça nos palhaços nem lógica nesse absurdo.