Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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26 de ago de 2016


A MENTIRA NEOLIBERAL  


Em 2008 o mundo entrou – e ainda não saiu, da maior crise econômica desde a instauração global de uma economia baseada no assim chamado LIVRE MERCADO. Que de livre não tem absolutamente nada, já que os países compradores e vendedores, mantem uma interdependência total. Ou seja: o que afeta um reflete nos demais. Basta que se derrube a primeira peça do dominó e o efeito cascata é global. Assim posto, em 2008, esquecendo uma antiga e sábia regra em vigor nos EUA desde sua declaração de independência em 1776; ignorando os conselhos de Thomas Jeferson, George Washington e Benjamim Franklin o congresso dos EUA (maior mercado comprador do mundo) autorizou aos bancos que emprestassem seu excedente de reservas com largos prazos de carência juros baixos e igualmente longo período para quitação dos empréstimos. Destinados principalmente ao setor imobiliário. Assim, um cidadão estadunidense médio assalariado, teria acesso a um imóvel cuja hipoteca demandaria o pagamento em 30 anos. E só começaria a ser paga dentro de 5 anos. Uma pechincha. Tudo isso sob a promessa de que os juros se manteriam baixos. Porém, ai porém, o que ocorreu a partir da autorização de empréstimos e financiamentos desregrados foi uma balbúrdia desenfreada. Os pequenos e médios bancos sedentos por liquidez, isto é dinheiro vivo em caixa, começaram a renegociar essas hipotecas – promessas de dívida, entre si. E a ciranda não se ateve apenas aos pequenos. Todo sistema financeiro dos EUA entrou nessa jogada. Então meus amigos, ao fim dos tais cinco anos de carência as peças do dominó começaram a ruir. Endividados pela suba dos juros – acarretada pela crescente valorização dos papéis negociados e renegociados “por fora” entre os bancos. Os mutuários não conseguiam honrar as prestações e simplesmente desistiam da compra. Direito assistido pela lei dos EUA. Resultado: 16 TRILHÕES DE DÓLARES DE ROMBO! Quem cobriu? Quem impediu que o sistema FINACEIRO DOS EUA FALISSE levando consigo toda a economia mundial e o dinheiro suado dos pequenos poupadores??? O TIO SAM. Isso mesmo. O governo do Estados Unidos na base do canetaço se endividou e quitou a dívida para que a coisa toda não se transformasse em um evento pior do que o armagedon. A Chrysler foi estatizada. Muitos bancos de porte como Chase Manhattan, etc. pertencem em grande parte hoje ao governo do TIO SAM. A Europa que vive crise semelhante não pode se safar. Afinal o Euro não tem a mesma fluidez do dólar. Não é moeda de troca corrente internacional. O Brasil de Lula na época safou-se bonito da crise porque aqueceu a economia interna. Reduziu juros, fomentou o crédito. A China (o maior exportador do planeta) que crescia assombrosas taxas de 12 por cento ao ano se planejou rapidamente: passou a crescer 6,5 por cento. O que para nossos padrões ora negativos é uma Babilônia... Mas, a pergunta é cadê o papo furado do livre mercado. Da iniciativa privada. Do não socorro estatal ao capital privado. Do estado enxuto, menor, neoliberal??? PAPO FURADO!

12 de dez de 2014







 




AD LIBITUM

- Ave César! Saudou o escriba ao adentrar o scriptorium do palácio, de pronto tomando assento. Em mãos o belo tríptico de marfim cuja face encerada estava pronta para, ao toque do stilus, registrar as palavras do imperador. Adriano estava distraído na leitura de um pergaminho grego, soergueu os olhos de sobre o pergaminho, largou-o sobre a mesa. Coçou a cabeça raspada à moda dos gladiadores. Sorriu gentilmente para o jovem Timeu seu mordomo e secretário.
- Gostaria de rever a Ibéria! Disse o imperador.
- Ah, sim a Ibéria! Repetiu o jovem... César, a pax romana foi instaurada na Germânia. São Boas novas. Proferiu o jovem escriba com certo entusiasmo.
- Os campos ondulados da Ibéria... Nasci na Galícia, próximo à fronteira da Lusitânia. Divagava Adriano.
- César! Agora a Germânia se põe a serviço do império.
- Sim meu caro Timeu. Não estamos todos a serviço do império? Antes de Roma a Gália, Ibéria, Lusitânia, Líria, Trácia, Dalmácia, Germânia... Não eram além de territórios bárbaros. Povos hostis, ameaças potenciais a Roma. Agora são parte do império. Que proveitos tiram disso?
- Bem, acredito termos levado civilização a eles.
- Civilização? Civilização... Ora, a Grécia era civilizada e culta enquanto os latinos viviam de comer as sobras da antiga Etrúria. O Egito floresceu no tempo em que deuses viviam entre os mortais. Babilônios, Assírios e Hebreus contam mais tempo em sua história que todos os estados sob domínio romano e mesmo o próprio Egito... Civilização. Repetia Adriano. Uma palavra cara meu amigo e de significado ambíguo. Olha a teu redor. Vê todos esses trastes, adornos de nossa vaidade. Isso traduz a civilização? Moeda sonante, poder, influência. Resultantes da civilização. Quando Roma instaurou a pax romana entre os bárbaros seu intuito foi à salvaguarda de suas fronteiras. Em troca da submissão levamos aos bárbaros um pouco de luz: escrita, filosofia, arte e um sem número de práticas execráveis. Em troca lhes exigimos ouro, trigo, braços para o trabalho. Homens para as fileiras das coortes e legiões. Sacrifícios em troca de frivolidades; exigimos-lhes essas pagas. Tudo porque Roma, viciosa, decadente, não pode prescindir ao luxo. ...Um homem pode sobreviver sendo um completo imbecil. Não é necessário que saiba escrever, tampouco compor música. Todavia nenhum homem sobrevive sem pão.