Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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24 de abr de 2010

PARLENDAS ET PIAÇABAS




Paroxismos & parangolés, ou o "rasga tanga" da academia, atacaram de vez as publicações poéticas, as coletânes, obras completas de Manuel Bandeira e tantos outros poetas maiores do orgulho "nacionar"! Diria o subversivo Mário de Andrade (um seu irmão), defensor de uma língua fonética sem ligar pra nenhuma convenção ortográfica, senão o som e o ritmo da fala. Pois, ora pois: na Antologia de Manuel Bandeira: "Libertinagem:Estrela da Manhã", contei, e pasmem senhores meus amigos e vizinhos, nada menos que 57 páginas tomadas por: Análises; "et profundis ira mea!" Índices variados. Notas filológicas... Quanto desperdício de papel. Quanta caceteação. Essa tolice. Esse ramo da "física de partículas" tentando esmiuçar a poesia de Manuel Bandeira! Pretendendo enfim "eviscerare" em biópsia a poesia de Manuel no intuito de, ao se mostrarem sagazes, ótimos parlapatões verborrágicos, terem o jacto de vangloriar-se, quiçá? - "Eureka! Eureka! Desvendamos o hermetismo da poesia. Explicamo-la aos idiotas plantonistas, eles todos, os idiotas leitores!" Ora pois, pois, pois senhoras e senhores doutores em sabenças absolutamente inúteis, poupai olhos e ouvidos deste mazombo inculto mas sentimental. Conforme lho coube a eugenia mestiça tupy, saxã, sefardita, celta e bantu. Sob a benção da mãe Pindorama, inda que seu "garrão" nada tenha de tropical. Poupai, senhoras e senhores essas vistas cansadas de tantas e tantas navegações & aferições pela nauta dos alfarrábios de diversa fala e procedência. Apelo, rogo-vos a clemência, como só os loucos e os idiotas sabem rogar. Sem intenções outras além daquilo que proferem apelando, clamando, pedindo! Abandonai senhoras e senhores esse costume hostil, descortês & "demodé". Encurtai o ramerrão. Não sejais tão prolixos em explicações despropositais ou vos darei tiros na testa!

22 de abr de 2010

MUDANÇA DE ESTAÇÃO

Inexoravelmente. Advérbio de modo. Advérbio - palavra acentuada até a reforma ortográfica e sua complexa norma, regendo a acentuação ou abolição do acento nos diversos casos de encontros vocálicos. Ignoro solenemente tal lei. Ignaro, zoilo de faz de conta. Néscio quase profissional, não chego às vias de bater-me em duelo pela língua. Não sou Houais, Tampouco Aurélio. Policarpo Quaresma muito menos. Nhengatu - morreu à míngua!
Todavia a estação desta quinta-feira estava sintonizada na Festipoa Literária. Na bancada de uma sala na sede do Sindicato dos Bancários o compositor Nei Lopes e o professor Jeferson Tenório. Não sei por que cargas d'água saí dali. Fui acompanhar meu amigo Lima Trindade e meu novo amigo João Gilberto Noll ao café. Lima teve de sair a certa altura. Mozart Dutra e sua amiga, a meiga Lívia se juntaram à nós... Feliz decisão a minha permanecer naquela mesa iluminada por esses seres encantadores. O papo rolou. Todos fruimos a conversa, a companhia, a agilidade vertiginosa e sinuosa de asuntos que se encaixavam ou remetiam à outras palavras. Afinal, não é de palavras que se constroem todo as as imagens literárias ou não? Os tupis e guaranis dizem que se um ser vivo, seja animal ou vegetal , e mesmo um lugar, ainda não foi nomeado ele não existe. Assim sendo a palavra é o tijolo da construção do que é real. Pois bem. Parlamos à fôrra! (Vos pergunto, humildemente, como diferençar fôrra: substantivo, de forra: verbo transitivo???) Passemos ao largo...  Como dizia antes de bruscamente interromper-me kkkkk... Foi um encontro raro e agradabilíssimo. Na companhia de mentes agudas e corações sinceros. A esses encontros faço brinde, para que se repitam.

21 de abr de 2010

COISA DE PORCO




impolutos.wordpress.com


Coisa de porco: porcaria. Literatura brasileira contemporânea: fancaria. Música pop de garagem realizada por grupos jovens com pouca ou nenhuma informação musical: coisa de porco; isto é: porcaria. Comum, Chinfreiro, amiúde como sal no mar... Sou agressivo. Todo sobrevivente é. Vivemos em prontidão, dizia Noel com propriedade. Expresso minha opinião. Como Voltaire, acredito no meu direito a expressá-la e no direito dos outros em contestá-la. Sem problema. Todavia, não delego a ninguém sob a face ou debaixo da crosta deste planeta o direito de dizer o que eu posso ou não posso fazer, ou expressar. Isso é problema meu. O ônus disso é uma conta particular e intransferível. Ontem, sei lá porque cargas d'água manifestei minha opinião sobre a porcaria de som que ouvi num bar. Era uma banda pop formada por moços. Não os conheço. Nada tenho contra ou a favor deles pessoalmente. Todavia, como músicos aos meus ouvidos soaram péssimos. Repito: porcaria. Podemos enumerar as causas, algumas, dessa impressão: desafinação, instrumental e vocal: pra quem trabalha com música a afinação e o respeito ao andamento são fundamentais para a boa harmonia do conjunto. Semitonação. Composições primárias, sem nenhum elemento que chame a atenção. Tudo muito mais ou menos. Em suma porcaria. Mas, o "X" da questão é eu ter sido censurado. Uma pessoa presente no bar, provavelmente amigo dos rapazes me saiu com essa: "- Tu não podes detonar as pessoas assim!" Houve um equívoco aí meu amigo. Em nenhum momento eu quis ou fiz por criticar as pessoas. Sequer as conheço. Fiz criticar com certa agressividade, confesso, o trabalho que apresentaram. Contudo o artista que expõe seu trabalho levando-o à público. Oferecendo-o á crítica pública. Isso fiz. Todavia, entendo como natural uma crítica construtiva ou destrutiva como no caso foi minha manifestação desde que o trabalho seja qual for esteja disposto á apreciação do público. Um amigo literato me disse certa vez que no Brasil se havia instituído a política do "compadre" em matéria de arte. Ninguém criticava o trabalho (friso: o trabalho) de ninguém porque era amigo, ou amigo do amigo do fulano artista. Ele tem razão. Particularmente incluo no rol da porcaria a literatura do abaixo citado autor. Quanto a sua pessoa, Paulo Coelho: não conheço. Nada posso expressar a respeito dele criatura. Todavia, tenho o direito de dizer que seus livros, os dele  e tantos outros, são porcaria. Por quê? Por eu ser crítico de arte? Não. Simplesmente por, em não conhecendo sua literatura ter comprado alguns de seus livros. E, acima disso, pelo direito que tenho de expressar minha opinião.


17 de abr de 2010

"VOX POPULI, VOX DEI"


Literalmente. A voz do povo é a voz de deus. O povo inventou deus. Deuses. Deusas. Dogmas. Rituais sangrentos, nauseabundos. Uma nojeira porca sem fim. O homem recém saído da caverna ancestral. Mal enveredado em direção à luz na entrada desse couto onde a luminosidade não esteve presente desde priscas eras... Todavia a mentira mais perigosa inventada pelo homem - ser pouco razoável, portador de uma série infindável de perturbações de ordem psicológica, não foi deus ou os deuses: foi sim a religião. A política dos deuses ou de deus (em se tratando das crenças monoteístas) em relação aos homens. Essa sujidade indigna, que me diverte confesso. Porém, que enfurecia Voltaire e Rabelais; esses, ainda que anti clericais, crentes temerosos em deus.
Os líderes religiosos mantêm sobre a população fiel o que Frederick Burrus Skinner chamou de "condicionamento operante". Sob ameaças, censuras e reprovações de toda espécie eles tentam, nem sempre com total sucesso, controlar e dirigir a caminhadado rebanho em direção ao inefável, que eles, clérigos mistificadores, há séculos mentem conhecer.
Quando idéias absurdas como pecado, culpa, céu e inferno darão lugar à jsutiça, á razão simplesmente? Quando todo discurso abjeto e adversativo de santarrões e beatos cederá lugar ao exercício útil da razão e da lógica capazes de impulsionar a humanidade ao encontro de entendimento? Creio que demore muito tempo. A ignorância trevosa e antiga. A serpente atávica do gênero humano ainda está longe de dar por saciado seu imenso apetite. Porém, recordemo-nos de Nietzsch: "Eu sou Zaratustra o sem-deus, quem dentre vós é mais sem-deus do que eu para que eu possa me regozijar com o que tendes a ensinar?"

10 de abr de 2010

ÁGUA QUE SE ESCONDE


NITERÓI:DO TUPI "ÁGUA QUE SE ESCONDE"; TRADUZINDO MAIS OU MENOS: TERRENO POROSO, ALUVIÃO, TERRA SOLTA ONDE INFILTRA-SE A ÁGUA DA CHUVA, BANHADO, CHARCO... SOME-SE A ISSO UM MALFADADO MORRO DO "BUMBA", ATERRO SANITÁRIO, LIXÃO, ACÚMULO PROGRESSIVO DE METANO E CHORUME PROVENIENTES DO LIXO ATERRADO. ONDE UM IRRESPONSÁVEL ADMINISTRADOR PERMITIU A OCUPAÇÃO IRREGULAR, E, FORNECEDORAS DE ENERGIA E ÁGUA DEPRESSA ESTENDERAM REDES A FIM DE "ABISCOITAR" UNS COBRES.MESMO QUE, POR LEI TENHAM DE COBRAR TARIFAS REDUZIDAS DEVIDO À BAIXA RENDA DAS FAMÍLIAS. A GANÂNCIA PREVALECE. TUDO CONTRIBUI PRA TRAGÉDIA. ANUNCIADA. RECORDO QUE ALGUNS ANOS ATRÁS EU COMENTAVA COM UM AMIGO QUE MORA NORIO: "O DIA QUE ACONTECER NO RIO DE JANEIRO UM DESSES TEMPORAIS E TORNADOS FURIOSOS TÃO COMUNS NA NOSSA REGIÃO (CENTRO DO RS) AQUELES MORROS VÊM ABAIXO!" PUTZ! JURO QUE EU NÃO QUIS SER PROFETA DO CAOS. MAS... A VERDADE É QUE AS GENTES VÃO PERDENNDO OS SABERES LEGADOS A ELAS POR ANTIGAS GERAÇÕES. ESSA ACULTURAÇÃO PROGRESSIVA IMPLICA NA RUPTURA COM PRECEITOS E TABUS QUE IMPLICAVAM NA MELHOR GESTÃO DA VIDA COLETIVA, COMO POR EXEMPLO: COMO E ONDE CONSTRUIR SEU BARRACO DE FORMA SEGURA, ETC. A CULPA DESSA ACULTURAÇÃO PROGRESSIVA MAS, FELIZMENTE REMEDIÁVEL, NÃO É DE NINGUÉM MAIS A NÃO SER DO SISTEMA PREDATÓRIO DE UMA SOCIEDADE LÍBERO INDUSTRIAL DE CONSUMO QUE NÃO LEVA EM CONSIDERAÇÃO AS CARACTERÍSTICAS IDENTITÁRIAS DAS COMUNIDADES E GRUPOS QUE PRETENSAMENTE ATENDE EM TODAS AS NECESSIDADES. ISSO É UMA PREMISSA FALSA, LOGICAMENTE. POIS TAL ASSISTÊNCIA É MERO "FISIOLOGISMO". RETÓRICA POLÍTICA. DISCURSO VAZIO. CONQUANTO OS DETENTORES DO PODER NESTA SOCIEDADE VISEM ÚNICA E DEFINITIVAMENTE MANTER SEU MONOPÓLIO E DESFRUTAR AS BENESSES DO CONTROLE ABSOLUTO - INCLUSIVE CULTURAL (TALVEZ PRINCIPALMENTE); EXERCIDO SOBRE A GRANDE MAIORIA DOS GRUPOS QUE COMPOEM A SOCIEDADE.
SENDO ASSIM NADA TEMOS A ESPERAR QUE NÃO DESASTRES. TRAGÉDIAS. SOFRIMENTOS E DEGENERAÇÃO QUE AFETARÃO SEMPRE AS SOCIEDADES VULNERÁVEIS, E SÓ A ELAS. UM CONSELHO MEU PARA ESSAS COMUNIDADES: ORGANIZEM-SE POLITICO CULTURALMENTE. BUSQUEM SEUS DIREITOS MAS, PRINCIPALMENTE RECUPEREM SEUS VALORES E SABERES TRADICIONAIS.

1 de abr de 2010

VAREJEIRAS DE PLANTÃO


Terminou a grande olimpíada. Os "heróis" do big bosta brother deixaram a malfadada casa global. No último programa a votação atingiu a marca impressionante de 150 milhões de votos. Muito dinheiro. Dinheiro para a rede globo realizar mais e mais programas do tipo "pega moscas". Somos todos moscões. Esta é a síntese da hipótese lógica proposta pela razão simples. Somos moscões varejando ao redor do bolo fecal depositado no canto de uma sala vazia por um "criminoso diarréico anônimo".

Os "brothers" internos naquele manicômio, tendo como supremo alienista Pedro Bial, não são culpados por nenhuma chicana ou conspiração no intuito de tornar as noites da tv brasileira piores do que são. Estão ali, pura e simplesmente almejando uma boa grana, e, quem sabe? um contrato temporário com a rede de televisão mais poderosa e endinheirada da América do Sul. Cento e cinquenta milhões de votos me fazem entristecer cento e cinquenta milhões de vezes porque me tornam pobre. Um lunático desacoroçoado! Todavia, mesmo sem ânimo ainda me comporto como uma ovelha negra que se recusa a balir no coro uníssono dos contentes: béééééééé! bééééééé! Porque sei que a lâmina não demora. O pescoço sangra e o carneiro vai á mesa numa travessa, assado, guisado, frito. Ao gosto dos fregueses que desempenham nessa tragicomédia o papel duplo de espectadores passivos e vítimas abobalhadas. O big bosta brother não é exatamente o problema mor de uma rede de tevê do Brasil sil sil sil com "échio". Não. A mudança de rumos, o abastardamento, a "chinelagem" dos últimos tempos - 20 anos para cá na programação decadente, refletem o ambiente pernóstico de maracutaias & trambiques que graça no país pseudo democrático. Um país de rapineiros liberais. De laranjas que compram grades extensões de terras para o capital estrangeiro e agem como seus testas de ferro. Um país de lesa Pátrias. O big bosta e tantas outras bostas oferecidas por um modelo educacional segregacionista e opressivo reflete qinhentos anos de apropriação indébita, de grilagem de terras. De massacres contra povos indígenas, seringueiros, pequenos agricultores de subsistência. Reproduz os discursos facistas de quem não sabe o que fazer para conter a violência. Para sanar o sistema corrupto. Para devolver a medida justa em benefícios com contrapartida pela fabulosa carga tributária. O big bosta espelha aquilo que cada indivíduo mediano deste país deseja se tornar: uma personalidade famosa. Custe o que custar. Mas advirto: as pessoas que participam do "jogo" anacrônico estão ali por causa da necessidade. E isso torna os métodos e os propósitos do reality show ainda mais desarrazoados.