Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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5 de jan. de 2009

Herói Nacional parte II


"Le grand inconvénient de la vie réelle et qui la rend insupportable à l'homme supérieur..." Ernest Renan*




Este é o início da epígrafe do livro pré-modernista escrito pelo amanuense Afonso Henriques de Lima Barreto. Livro esse intitulado: Triste Fim de Policarpo Quaresma.

Onde outrora vicejava o pau Brasil, hoje outra natureza abunda. Justo elas ou eles os glúteos, popularmente bundas, num generoso plural. As avantajadas proeminências traseiras de aclamadas musas isnpiradoras brasileiras autodenominadas mulheres frutas. Bem ao gosto do herói do qual trato desta vez, comprovadamente apreciador do gênero feminino.

Meu elencado herói trata-sede nacionalista exacerbado.Ferrenho defensor dos costumes, das tradições e riquezas nacionais. Concebido na primeira década do século XX. Filho de um mulato talentoso embora inconformado com sua origem e tisnado da pele, seu nome de batismo foi Policarpo Quaresma.

Ao contrário de Macunaíma ou Zé Trindade nosso herói não fazia o tipo pernóstico espertalhão. Ao contrário. Otimista a toda prova o major Policarpo Quaresma demonstra um patriotismo de almanaque. Quase um janota de carreira ele se bate pela precedência de tudo quanto represente ao menos vagamente um emblema da nacionalidade.

Purista exaltado, defende a adoção do tupi-guarani como língua oficial do Brasil. Aconselha e pratica uma dieta baseada nos tantos frutos nativos da boa terra nacional. Não versa costumes estrangeiros. Chegando por causa da disseminação deles entre a sociedade brasileira noinício do século XX às raias da xenofobia.

Quaresma personifica o idealismo ingênuo, infatigável. Seus ideais são realizáveis apenas no campo daimaginação não tendo valor prático. Porém, mesmo sem colher nenhum fruto de suas idéias Quaresma não as abandona, nem deixa de nutrir esperança. Trata-se de um herói nacional muitoboa praça.
...A foto - cromo do filme Policarpo Quaresma,Herói do Brasil dirigido por Paulo Thiago, mostra o ator Paulo José encarnando o major Policarpo Quaresma numa discussão acalorada com o então presidente Floriano Peixoto, interpretado pelo ator Othon Bastos.





(*"O grande inconveniente da vida real e que a torna insuportável para o homem superior..." Ernest Renan)

2 de jan. de 2009

Efusividade descomprometida

Se o general Charles De Gaulle pronunciou ou não a famosa frase: "O Brasil não é um país sério!" Ninguém sabe ao certo. Ele morreu jurando que não o disse. O incidente ocorreu durante uma crise entre o Brasil e a França nos anos sessenta por causa da invasão de águas territoriais brasileiras por barcos pesqueiros franceses.
Mas isso não importa. Acho mesmo que a frase contendo malícia e alguma verdade foi obra de um gaiato nacional. E colou.
Enfim, retomo a frase famosa para tipificar a "praxis irritante" dos telejornais quanto à abordagem do prosaico em detrimento ao fundamental.
Não é pouco o espaço de mídia desperdiçado com idiotices & bobagens tais como festas, e preparativos das festas, e decoração das festas de natal, páscoa, fim do ano, etc. Tudo levado ao exagero, fazendo crer que haja uma espécie de complô televisivo. Uma conspiração arquitetada em prol da burrice popular.
Também ponho sob pecha de suspeito o sorriso padronizado das apresentadoras de telejornais. A atitude ridente, vicejante, perpassa qualquer notícia. Ainda que por um momento o sorriso seja ocluso devido ao assunto mais ou menos trágico de uma matéria, ele reaparece tão logo seja noticiado o conteúdo grave e funesto. Trata-se da pantomima teatral a serviço(?) do ridículo.
A grande maioria das matérias jornalísticas, insisto, apresenta abordagem beirando o cretinismo. Linguagem apropriada para os teletubies. Personagens infantis desenvolvidos para promover instrução a portadores de deficiência mental.
Os tópicos da "alegria" jornalística continuam sendo as efemérides: Natal, Ano Novo, Pácoa, Festas Juninas e Carnaval. Nessas ocasiões os telejornais brazucas disparam petardos na forma de notícias fúteis, aborrecidas. Um sem número de besteiras são o acompanhamento perfeito para tais banalidades: Conselhos de nutricionistas borra-botas repetindo "ad infinitum" o mesmo ramerrão. Donos de buffets, restaurantes e comilões em geral falando e dando sugestões depratos e decorações - isso acontecer num país de analfabetos funcionais e milhões de pobres esfaimados é um desaforo!