Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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13 de ago. de 2010

QUARTO DE COSTURA

Com este poema eu inauguro uma série de postagens de poesia neste blog. A exemplo do que era na época da ditadura militar, a censura prévia proíbe que se fale e comente sobre os "sujismundos", a corja que se infiltrou na política brasileira nos antanhos do Vice-Reino. Sendo assim...

                
                                                   QUARTO DE COSTURA

Velhas tias solteironas vão à missa,
e aguardam notícias de sobrinhos doentes.
Velhas tias solteironas
passaram a mocidade na janela
enquanto o tempo lhes impunha manias.
Velhas tias cerziram colchas de retalhos,
cuja trama, imaginação alguma foi capaz de cogitar.
Velhas tias solteironas economizaram
o meigo sol da primavera
para os dias mais frios do inverno
quando a artrite faz doer as suas juntas...
Velhas tias quituteiras
cozinham e trocam receitas,
cochicham, riem baixinho
plantam flores, criam gatos, fazem geléia e pão de ló.
Bebem licor em cálices coloridos,
pisam manso pela casa sem fazer barulho.
Porém, as ouço murmurando na noite alta,
vejo luz sob minha porta
as escuto balbuciando sortilégios.
As velhas tias são pálidas
feito o mármore das lápides
onde ecoam suas estórias
para me amedrontar,
ou só me fazer dormir.

1 de ago. de 2010

SAFADEZA ESCATOLÓGICA

Imagem: marcelomoutinho.com.br

Não tem choro nem vela, a safadeza continua. As instituições nacionais de ensino: Institutos Culturais, bibliotecas, órgãos e organismos & Universidades brasileiras preservam muito bem seus acervos. Digitalizam sim somente as "capas" de livros e repassam ao google books e outros sites. Mas, não se tem acesso a nada. Nenhuma página. E olha que estou falando de livros escritos em 1908, 1920, 1930. Todos sem exceção e por força de lei incursos na categoria "domínio público". Acontece que os autores e os temas abordados são consideravelmente interessantes e de muita valia para a pesquisa nos campos da etnografia, musicologia, antropologia, folclore, etc.  E por se tratarem de obras raras muito requisitadas á pesquisa alguns sem vergonhas, ou muitos sem vergonhas (infelizmente em se tratando de Brasil acredito serem muitíssimos) em provável conchavo com sebos e distribuidores de livros raros anunciam livros e autores sem disponibilizarem seu conteúdo. Anunciam-nos para vender. Todavia, a esperteza desses pichelingues literários esbarra na sacrossanta prodigalidade e mecenato de verdadeiras instituições dedicadas ao saber. Que não fazem reserva de conhecimento nem o mercanciam como se fosse aniagem com que se enfarda a vida cotidiana. Para nossa sorte, basta um pouco de paciência que virão em nosso socorro a Harvard University, a Universidade de Coimbra, Oxford, Cambridge, a UCLA e tantas mais fontes liberais do conhecimento humano. Elas possuem os tais livros raros escritos por nossos compatriotas. Elas os digitalizam e nos enviam sem custo. Assim podemos troçar dos "malandros" que não fazem por essas bandas cumprir a lei.