Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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13 de jan. de 2011

BALANGANDÃS

O que que a baiana tem? Tem a Bahia. Quer mais o que? A Bahia se basta. A Bahia é a pedra fundamental, filosofal, berço natal, etc. e tal. A Bahia é Dorival, Jorge Amado e Caribé. Mãe menininha, Riachão, Armandinho, Dodô e Osmar. João Gilberto, Caetano & Bethânia. A Bahia é Ary Barroso, mineiro baiano de Ubá. A Bahia é Carmem Miranda, galega brasileira da gema carioca, com seus balangandãs à mostra nas telas de Holywood e em cartaz numa Brodway que num existe mais pra desconsolo dos amantes dos musicais de verdade. A Bahia transcende em muito a capoeira. É o Ylê Ay|ê, os filhos de Ghandy, o candomblé do Gantois, de mãe menininha. É a Itapoã de Vinícius de Morais, Ogã de Xangô, o branco mais preto do Brasil. É lar de Jubiabá, e de Jard's Macalé (filho honorário) incorporando personagens em O Amuleto de Ogum e Tenda dos Millagres do grande Nelson Pereira dos Santos... Bahia de todos os Santos. De todos os balangandãs, que nada tem a ver com cordões e trios elétricos do moderno e pastiche carnaval indústria pseudo popular.
O que que a baiana tem? Tem lá seus quitutes, seus quelés, sua mistura de cor e de sotaques, seus dengos & acarajés. Tem seus mistérios. Suas crenças, seus amores, suas belezas. A Bahia tem o Brasil adocicado pela delícia do cacau. E um coração dolente, batendo devagar, ainda que que ela a baiana se remexa toda ao som dos tantãs ,e, como cantou o saudoso Cyro Monteiro interpretando o samba Falsa Baiana de Geraldo Pereira: "revira os olhinhos/dizendo eu sou filha de São Salvador!"

5 de dez. de 2010

RONHAS & CAMBALACHOS

Vi muitos filmes, de todo gênero, de todas as épocas e eras cinematográficas, desde a pré-história - tempos do cinema mudo, até a animação virtual que independe da intervenção humana... O dramas humanos são sempre os mesmos, não mudam, sempre os mesmos. Os mesmos assuntos, as mesmas pendengas, celeumas, as mesmas discussões e conflito. Entre homem e mulher a pataquada é sempre a mesma. Ainda não inventamos alguma coisa nova, é sempre a mesma, com poucas variações sobre o mesmo "tema"... Assistir uma discussão entre um casal sem participar dela; ouvi-la passivamente, é estranho, todavia revelador - sumamente revelador. Ouvem-se os tons das vozes, percebe-se as tensões demonstradas pela impostação vocal. Uma ou outra nota mais aguda, mais grave, as timbragens modulando conforme a intenção do interlocutor. O acúmulo de tensão, num crescente, até atingir um ápice que deflagre uma reação - e essa, pode ser de cunho físico, agressiva.Um fala mais, sobrepuja o outro em argumento. A mulher evoca mais fatos,tem uma reserva enorme de argumentos, o homem fala pouco, na verdade não deseja estar ali.Ela desbragada, sob a aparência coerente de um discurso verborrágico. Sem razoabilidade. Ele paralisado, num ouviu metade do que ela disse. Os seres humanos não são reconhecidamente bons em matéria de razoabilidade. Pouco adiantou aparecerem dentre os homens gigantes do intelecto do çorte de um Descartes, um Diderot, um Shakespeare um Freud, um Marx: tanto o Carl quanto o Grouxo... Continuamos os mesmos, descomissionando todo bom senso. Abafando a temperança. Aniquilando a calma. Implodindo a paciência. Dinamitando a concórdia... Porque ninguém mais tem saco pra consertar as merdas que faz aos outros e a si mesmo. Pena, não é mesmo? Mas, pensando bem, até que não acho que seja tão ruim assim...