Casa d'Aldeia é a casa original, a mais antiga habitação de minha cidade natal Cachoeira do Sul. Habitação, que, igual a cidade, apesar de tantos golpes de vento e borrascas sazonais teima em manter ao menos duas paredes de pé. Casa d'Aldeia é a minha casa. Seja bem vindo a ela!
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1 de mar. de 2009

COMÉDIA EM TEMPOS DE ESTIO

Foto: www.fanpop.com



Jerry Lewis era um cara engraçado. Comediante clássico na linha do pastelão, durante os anos cinquenta fez dupla com o cantor Dean Martin. A dupla se desfez em 1956 e Jerry Lewis seguiu carreira solo.
Sem dúvida a inspiração de Jery Lewis eram os comediantes do tempo do cinema mudo: Buster Keaton com sua fórmula universalmente copiada: as "gags". Técnica antiquíssima para fazer rir (remetendo aos bobos das cortes medievais e às troupes de saltimbancos) baseada em saltos, quedas, tropeços etc.
Também Charles Chaplin, na mesma linha (e dizem imitador de Buster Keaton) influenciou o tipo atrapalhado e simplório composto pelo ótimo Jerry Lewis. Além desses, Oliver Hardy e Stanley Laurel - a dupla o Gordo e o Magro; os impagáveis reis do pastelão, os três patetas: Moe, Shemp e Larry. Todos filhos diretos do popular "vaudeville", em voga até os anos trinta aproximadamente, e, o próprio "vaudeville" (teatro de variedades pai da comédia moderna); foram elementos essenciais na composição artística e maneira de atuar do comediante Jerry Lewis.
O rapaz ingênuo, tímido, desastrado e de bom coração inventado por Lewis fez escola no gênero da comédia. Atores como o inglês Doodley Moore (além de ator bom pianista de jazz) em filmes como Arthur, O milionário sedutor, ao lado de Liza Minelli, interpretaram um tipo muito semelhante ao humilde, tímido e atabalhoado personagem Jerome em O rei do circo de 1954.
Tenho saudades daqueles tantos filmes de Lewis interpretando tipos engraçados, introvertidos, trapalhões, mas sempre bem intencionados.
Atualmente talvez somente Adam Sandler e Rowan Atkinson, o popularíssimo Mr. Bean, tenham o poder de me fazer sorrir. Eu disse sorrir, não dar gargalhadas.
Por outro lado, comediantes como Jim Carrey me desanimam. O próprio Jim Carrey é um ator muito fraco, quase sempre interpretando personagens "polichinelos", dependendo exclusivamente da "gag", da estrepulia; dos trejeitos bizarros e escatologias para levar adiante a piada. Rowan Atkinson, ou melhor, seu alter ego Mr. Bean, também faz uso dos gestos em detrimento das palavras. Porém, seu tipo neurastênico, teimoso, ranzinza e mau caráter em um nível infantil, é absolutamente encantador. Não há tempo ruim para Mr. Bean, ele encara todas com sua tremenda vocação para a engenhosidade numa escala próxima ao bizarro. Por exemplo: Quando Mr. Bean decidiu pintar o pequeno apartamento de dois cômodos achou uma solução rápida para levar a cabo a empreitada: Pôs dois ou três fogos de artifício dentro de uma lata de tinta branca e acendeu o pavio. Resultado? Uma pintura perfeita, não fosse a silhueta impressa na parede de alguém que entrou por engano no seu apartamento justo no momento da explosão. O excêntrico (para dizer o mínimo) Mr. Bean com seu inseparável, encardido e feio ursinho de pelúcia Teddy, se comporta às vezes com extrema mesquinharia. Todavia, igual uma criança, a crueldade demonstrada pelo cândido Mr. Bean nunca tange a perversidade. Se parece mais com uma peça, como os chistes e pequenos embustes pregados pelos querubins.

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